Coping Mechanisms

Eu não planejei sumir durante todo o mês de Outubro – but well, life happened. Ou melhor, didn’t. Estive e estou envolvida com um monte de modificações na casa, só que nenhuma delas foi concluída e por isso fiquei sem ter como fazer um post demonstrativo. Também estive triste e borocoxô, o que é raro. Como boa introvertida, capricorniana e INTJ eu nunca estou ligada no 220v da efusividade – mas em compensação racionalizo tudo e nunca estou infeliz sem que haja um motivo bastante claro e específico, que logo tratarei de resolver pra ficar zen novamente. Esse estado de contentamento tranquilo é o meu default. É nele que eu sei existir no piloto automático.

Ocorre que os motivos claros e específicos do momento não são de fácil resolução. Alguns eu nem mesmo estou certa de que sei o que são. Isso é inédito pra mim. E eu não gosto de ineditismos. Já estou velha demais pra lidar com a vida tentando ser original.

O ritual de “trocar de guarda roupa” (guardar os trapos de verão no sótão e descer de lá os casacos de inverno) marca a mudança das estações. Fiquei olhando meio entristecida para todos os vestidinhos de verão que não viram a cara do sol em 2021 – ok, a maioria deles também não saiu do cabide em 2020. Eu não sou uma pessoa solar. Eu não fico contando os meses até chegar junho para poder desnudar pernas e braços e receber toda a vitamina D, bronzeado e alegria de viver que o verão me ofereça; até porque na verdade o que eu recebo é suor, melasma e irritação. Mas essa constatação de vida indo pra gaveta sem ser vivida fez com que eu me sentisse mal. Eu não sei, mas talvez esses dois anos tenham sido preciosos demais para terem sido jogados numa caixa plástica junto com vestidos que ainda cheiram a amaciante. Qualquer percalço de saúde me lembra de que talvez eu não esteja aqui para ver o próximo outono, e esse sentimento de melancolia e ansiedade não está me fazendo bem.

É, parece que a conta do lockdown chegou. E tá caro pra cacete esse boleto.

Então o que a gente faz pra distrair? Boletos de verdade.

Roupas de outono/inverno. Estando bem ou estando mal, não existe nada mais pacificador do que se enrolar em coisas macias e felpudas. Meias novas, camisolas de flanela e pulôveres de lã. E umas velas bonitas que eu obviamente jamais terei coragem de acender – queimo as genéricas da ikea, já que a luz é exatamente a mesma.

Presente pra mim mesma do dia das crianças, rs. Eu não tenho mais impressora em casa – ocupa espaço demais, é feio, a tinta é cara e sempre aparece algum problema de conexão quando você mais precisa. Respectivo tem uma impressora a laser colorida no escritório, e quando preciso imprimir algum arquivo de trabalho mando pra ele. Mas para bobagens de journaling eu resolvi que uma mini printer daria conta do serviço sem que eu precisasse ficar ocupando o tempo dos outros. E assim materializou-se o meu Phomemo. É um dos modelos mais simples, mas eu não precisava de nada além disso. O aparelhinho não usa tinta, funciona exatamente como impressoras de notinha de lojas. A impressão aparentemente dura mais de dez anos até começar a desbotar. E como o futuro é uma incógnita eu topei o desafio, rs. O papel é adesivo e existem versões coloridas, douradas, transparentes, etc. Vamos ver se isso traz de volta o meu ânimo para fazer journals em 2022.

Minha coleção de pins idiotas segue aumentando. As últimas aquisições foram esse redondo do Bowie em sua encarnação Ziggy Stardust na primeira foto e o “everyday is halloween” da segunda. Tenho muitas sacolas de pano, e como mentalmente não saí da adolescência a maioria delas vive coberta de pins. Ou “bottoms” como a gente falava nos anos 80/90 e saía espetando os redondinhos com estampa de maconha, A de anarquista e o prisma do Pink Floyd em todas as mochilas e jaquetas (as mães revoltadas porque estávamos “furando as roupas”). E quando o alfinete enferrujava e manchava tudo? Delícia. You’re only 14 once. Ou, no meu caso, forever – ha.

Eu sempre gostei de comprar perfumes (uso todos os dias, mesmo em casa), mas com os preços atuais eu tive que puxar o freio. Em Jersey tinha desconto de 17% (eles não coletam alguns impostos sobre mercadorias) e de modo geral os preços eram mais amigáveis dez anos atrás. Hoje em dia os perfumes que eu comprava por 30, 50 libras não saem por menos de 100/150. Então não tem mais essa de “comprar pra experimentar”; eu invisto nos perfumes que uso sempre, mas as minhas experimentações ficam restritas a perfume da Zara, Marks & Spencer e no máximo um L’Occitane.

Mas outro dia eu estava na Primark e por curiosidade borrifei esse aí no pulso. E mesmo tendo achado o cheiro esquisito a princípio, ele foi se modificando durante o dia na minha pele e ficando cada vez melhor. À noite eu já tinha sido influenciada e tive que voltar pra comprar. E a fixação é inacreditavelmente boa para um perfume tão barato. É claro que perfume não se recomenda; cheiro é uma coisa pessoalíssima e que reage diferentemente em cada pessoa. Mas eles têm outras opções na mesma linha e vale a pena dar uma chance. O frasco também é luxe – amei essa tampinha de metal escovado.

Não é nenhum Chanel n°5, mas a esse preço não estarei reclamando pois não tenho budget de Marilyn Monroe.

E tem mais Primark. But of course. Essa água micelar é super barata (duas libras por MEIO LITRO de produto) e embora eu evite usar na minha cara (prefiro a da Garnier) ela é ideal para limpar pincéis de maquiagem e remover manchas de base que possam vir parar nas minhas roupas – e quase sempre podem. Esse frasco vai durar uns dois anos.

Já a touca de banho veio substituir uma anterior da Boots, que finalmente rasgou depois de anos de uso. E veio substituir em estilo, amigos; essa é literalmente a drag queen das toucas de banho. Foca nessa simplicidade:

E como eles estão investindo nessa vibe “wellness” eu trouxe esse incenso. Que tem um cheiro ok, nada especial, mas pelo preço está excelente (o mesmo vale para o esmalte, que na verdade é muito bom).

O jardim ainda está desorganizado e eu não consegui plantar os canteiros (isso deveria ter sido feito em setembro/outubro; de agora até a primavera vai estar frio demais para que as plantinhas se estabeleçam a contento). Mas não precisar cortar a grama, nem ser picada por insetos, ou trazer lama pra dentro da casa já é uma vitória.

Ano que vem a gente recomeça os trabalhos. E ano que vem já está logo ali.

My favourite song becomes a healing sign.

E como segunda parte deste post trago-vos mais fotos de flor – haha, não desistam de mim. Em maio deste ano resolvemos fazer uma visita aos jardins da Beth Chatto, um dos que me inspiraram a fazer um gravel garden (ou “jardim de pedrinhas”) aqui em casa. Estou devendo um post sobre isso, mas por causa das chuvas ainda não foi possível deixar tudo pronto; se bem que terminar de plantar os canteiros só no ano que vem mesmo, pois já estamos no outono. Mas foi uma mudança considerável e que me deixou muito feliz. Digamos que a frequência de uso do jardim aumentou uns 50% ou mais.

Os jardins da Beth, assim como diversos outros jardins públicos na Inglaterra, têm em anexo uma lojinha de plantas e um café simpático. Comprei mini margaridas mexicanas (que estão sobrevivendo desde maio) e adicionei diversos tipos de plantas à minha wishlist – suculentas, gerânios, agapantos, miosótis, clematis, alpinas… Mal posso esperar pela próxima primavera.

Hoje compramos um incinerador de folhas, amanhã chega o depósito de ferramentas e semana que vem o resto dos itens para definir áreas – inclusive meu fire pit, onde se tudo der certo pretendo assar uns marshmallows no inverno.

2021 tem sido um ano tão… decepcionante. De certa maneira pior do que 2020, onde pelo menos o caos reinante era novidade e havia um certo grau de expectativa em relação ao futuro incerto. Mesmo os mais pessimistas apostavam que o verão de 2021 seria de parques lotados, viagens, pessoas sentadas em cafés tomando aperol apritz, amigos e famílias se abraçando e tentanto recuperar os 12 meses perdidos numa clausura aflitiva. Mas choveu o verão quase inteiro. A redenção que esperávamos não veio, o vírus segue nesse chove-não-molha sem desaparecer totalmente, muita gente sem dinheiro, a política cada vez mais intolerável, os meses passam voando e irrelevantes, é quase natal novamente, eu fico encarando telas e paredes sem entusiasmo algum e a sensação de anticlímax é palpável.

2021 prometeu tanto e entregou tão pouco, tão mal. Todo e qualquer motivo para experimentar um instante de alegria e realização deverá ser agarrado com unhas e dentes. Nem que seja um marshmallow torrado com chocolate quente do Tesco nos fundos de um quintal de subúrbio. Talvez seja tarde demais pra salvar esse ano, mas nunca será pouca coisa respirar o ar gelado de uma noite de outono ao lado dos seus companheiros de vida, reconhecer o privilégio em fazer planos e agradecer por ainda estarmos aqui.

The Pergola at Hampstead Heath

Em julho – que foi ontem, mas foi há dois meses, mas também parece ter sido há três decadas ou cinco minutos atrás – fui fazer um piquenique em Hampstead Heath, o famoso parque do bairro de Hampstead. Eu já estive lá diversas vezes, principalmente pra lanchar no café da Kenwood House, uma casa senhorial construída no século 17 e antiga moradia dos condes de Mansfield – um deles sendo o tutor da Dido Belle, a primeira herdeira negra da Inglaterra (interessantíssima história que foi transformada em filme estrelando a maravilhosa Gugu Mbatha-Raw). A casa, mantida pela English Heritage, é aberta a visitação pública; a biblioteca é tão bonita que por si só vale a viagem.

Uma parte de Hampstead Heath que eu ainda não tinha visitado era a pérgola, e por isso resolvemos nos reunir lá. Não estava esperando nada além de uma área coberta com algumas plantas, mas assim que chegamos meu queixo caiu. A estrutura em si é enorme, dividida em várias áreas com moods bem diferentes umas das outras: arcos, cúpulas, lagos artificiais, campos abertos com áreas para piquenique, áreas de sombra cobertas de musgo e hera, jardins de inspiração mediterrânea e outros tipicamente ingleses. O plantio foi feito para realçar o melhor de cada época do ano, como as glicínias e campânulas na primavera, rosas e petúnias no verão, heras e fúcsias no outono. Chegamos no fim de julho, aquela fase de transição entre estações; mas ainda havia ecos das anteriores enquanto o outono já começava a se anunciar (preciso voltar no fim de outubro).

Chegamos na hora do almoço de um dia bonito de semana, e como dá pra ver pelas fotos tivemos o lugar quase que inteirinho só pra nós (fora umas 3 ou 4 pessoas perambulando e um casal fazendo fotos de casamento). Infelizmente planejamos mal e ignoramos a previsão de chuva – ok, a bem da verdade essas previsões não são sempre muito confiáveis, mas nesse dia a natureza não estava a fim de surpreender e correspondeu à risca. Cerca de meia hora depois que chegamos a chuva desabou BONITO e tivemos que nos esconder debaixo dos arcos, sentados no chão de terra. A chuva não passou, mas deu uma aliviada que nos permitiu correr até o uber sem medo de tomar um raio pela cara, ir pra casa de um dos amigos para enfim comer nossos petiscos comprados no mercadinho asiático de Golders Green sentados na sala, assistindo Netflix e fazendo planos de voltar.

Building shrines for the ashes of dead hopes.

Ficou mundialmente combinado nos últimos 18 meses que romantizar a pandemia e usá-la como suposto trampolim para “auto conhecimento”, “revolução pessoal” e “volta às raízes” é de extremo mau gosto. Mas vou humildemente pedindo desculpas e licença para dizer que pelo menos uma coisa positiva esse período fez por mim: eliminar de vez o FOMO – Fear of Missing Out, o famoso “medo de estar perdendo alguma coisa”, de não ter sido convidado para o evento onde todo mundo está. Depois de um ano e meio vivendo com tantas restrições, aquela ansiedade de “planejar o fim de semana” enchendo a agenda de atividades me abandonou. Sábado passado, por exemplo, eu cancelei uma festa de rua no sul da cidade (com direito a barraquinha de pão de queijo e presença da amiga que eu não vejo desde janeiro de 2020) porque tinha planos muito importantes para aquele dia: resolvi que eu iria me MIMAR.

O mimo? Comprar uma lata de Farrow & Ball Pink Ground na B&Q e passar dois dias pintando a sala de rosa, bebendo Koppaberg e ouvindo a trilha sonora de Dirty Dancing.

Ela faz o evento dela.

Mas às vezes a gente precisa tirar as pantufas, calçar sapatos e ir resolver a vida.

E numa dessas passei em frente à loja da Versace, me deparei com essas ofertas e fui obrigada a pagar o mico de tirar foto de vitrine de grife. Porque a pegada 90s/00s das bolsinhas de piriguete suburbana com os tamanquinhos combinando (tanto nos tons pastel quanto na vibe “sábado no Mercadão de Madureira“) me deixou encantada. Não, não é meu estilo, mas isso foi o figurino de uma época. Quem viveu sabe, e completou mentalmente esse lookinho com uma camiseta baby look, calça de cintura baixa e quem sabe uma boina de veludo se a ocasião merecer.

Já se eu fosse madame, rica e usasse salto acho que só teria sapatos Roger Vivier. Acho finos, delicados e bem old-fashioned – especialmente os modelos forrados de seda. Ok, também tem uma certa vibe “festa de 15 anos da filha da vizinha” mas eu sou cria dos anos 80/90 e compartilhar cafonices retrô é a minha love language.

Foi mais ou menos por ali que eu me dei conta de que não estava longe do Pantechnicon, um mercado nórdico/japonês (i know…) que abriga entre outras hipsterices o Café Kitsune. Que faz um puta egg sandwich e um iced latte bastante razoável. E estava na hora do almoço. Fiz o que tinha vindo fazer na área e depois trotei alegremente em direção à felicidade:

“Kitsune” significa raposa em japonês. O cookie é uma gracinha, mas meio caro pelo tamanho. O sanduíche foi uma reincidência e continua irretocável – eu não sei qual o truque dos japoneses, mas ninguém faz pão de forma gostoso como eles.

“Expect Magic and Miracles” – nada mais mágico e milagroso que encontrar lugar para sentar na Linha Central metrô às quatro e meia da tarde de uma quarta feira. Por outro lado nesse mesmo dia, segundo o aplicativo do NHS, eu estive próxima de uma pessoa aleatória que depois testou positivo para Covid. Na semana seguinte recebi uma mensagem de que, por precaução, teria que fazer auto isolamento em casa por alguns dias. Imediatamente cancelei compromissos, baixei revistas no Readly e me preparei para o pior – meu maior pânico sendo infectar o Repectivo. Porém cumpri a mini quarentena sem nenhum sintoma, yay! Miracles do happen indeed. ♥

P.S.: Fiz um banner novo pro blog. O anterior estava meio infantil, e então eu troquei para esse… que não está muito maduro também. Mas eu gosto dessa cor e não sei mais brincar com tipografia, então por enquanto fica assim.

P.S.2: Estou arrumando a página de links. Percebi que muitos blogs do meu blogroll já tinham sido deletados, infelizmente. Fiz a Marie Kondo na lista, removi os links quebrados e adicionei alguns, animadíssima na missão de ressuscitar a blogosfera. Let’s do this.

Hello, Lolla.

Já faz um tempo que eu estou tentando “recomeçar” e mês passado achei que enfim tinha chegado a hora. Eu já estava não-oficialmente nesse endereço há meses (se você não sabia/não tinha notado então dá um scroll que talvez encontre posts inéditos) porque não me adaptei ao novo Blogger. Postar lá se tornou uma tarefa trabalhosa e desagradável, e eu acabava adiando por preguiça de lidar com aquela interface infernal.

Também ensaiei um retorno via Tumblr, porém esbarrei em dois problemas: a limitação de fazer posts “tradicionais” (com título, várias fotos, legendas, etc) e o medo de que em breve o Tumblr desapareça da face da web. Depois que parou de aceitar “conteúdo adulto” a plataforma perdeu muitos usuários e as ações da empresa despencaram. Eu já vi essa história antes, e não quis ser a última a sair e ter que apagar as luzes.

Então o que eu fiz? Já que estava por aqui mesmo, transferi o domínio. Seguimos no mesmo hellololla ponto com, só que agora powered by WordPress.

A outra opção, bem mais popular atualmente, era simplesmente parar de blogar e me concentrar no microblogging das redes sociais. Afinal de contas já são duas décadas – sim, eu venho mantendo esses pseudo diários online há vinte (!) anos. Não seria cedo demais pra aceitar que blogs já deram o que tinham que dar, que o futuro da internet são os vídeos e não mais renovar esse domínio. Me pareceu tentador, não nego. Só que no meu caso então não ia sobrar mais nada pra fazer aqui.

A verdade, amigos, é que eu flopei nas redes sociais. Não sou fluente naquela linguagem rápida e performativa. Não gosto de selfie, não sei fazer vídeos, não sou engraçada, militante, cool ou edgy, não quero postar tutorial de nada e nem dropar bait pra hitar, não tenho tempo para atualizar todo dia a fim de não ficar pra trás e nem talento pra forçar interação e gerar engajamento. E no fim das contas acabar desagradando do mesmo jeito: perdi mais de mil seguidores no Instagram nos últimos dois anos e há uns dez não ganho nenhum no Twitter. Sem falar no hate e comentários passivo agressivos que recebo de brinde no direct. E na sensação de que estou empurrando um “conteúdo” feito por obrigação e que ninguém tem interesse em receber. E que EU estou recebendo conteúdo que sim, me informa, mas também me faz sentir raiva, desprezo, inveja, escárnio. Redes sociais andam drenando minha energia, desequilibrando meu wa, sujando a minha aura e fazendo com que eu me sinta uma pessoa pior. E tudo isso pra que, gente? Eu nem sou influencer, não recebo mimos ou dinheiro pra manter uma “presença online”. Muito trabalho pra pouquíssimo proveito, if you ask me.

Eu tentei durante anos acompanhar a maré, tentei não virar a tia que não sabe mais usar o controle remoto, mas… eu falhei. E concluí que esse não é o meu caminho. SE existe um caminho pra mim, well, it ain’t it.

Eu não quero que a minha relação com a internet dependa da volubilidade de um algoritmo. Eu sou cria da web 1.0 – ou seja, eu sou umbiguista, prolixa, cringe, ultrapassada, meio analógica e ipermeável a trends. Eu sou a dos textos verborrágicos, das opiniões divisivas (mas que não sabe fazer isso render no Twitter por não ter a personalidade gostável que arredonda e atenua as arestas da escrotice), dos posts com 45 fotos, das histórias repetidas, das piadas do pavê, dos arquivos vergonhosos que eu não deleto porque a) everything is copy e b) tudo é parte da caminhada, das letras de música no título, das nostalgias cafonas, das referências do século passado que ninguém pega, da falta de foco, de “target”, de um tema.

O seu blog é sobre o quê?

Eu não tenho assunto. Eu tenho apenas a minha vida, um desktop e uma câmera digital defasada. E é com essas simples ferramentas que eu pretendo seguir existindo virtualmente, mesmo que sem platéia; talvez mantendo as poucas amizades que consegui fazer nessa selva de pixels e que já duram os mesmos 21 anos que meus blogs acabaram de celebrar (às amizades que ficaram pelo caminho: até mais, e obrigado pelos peixes!). É com essas ferramentas que eu desabafo frustrações, divido alegrias, guardo registros de viagens, passeios, reformas, gatos e estações, me distraio e, a grosso modo e pulando capítulos, registro a passagem dos meus dias.

É nessa internet que a minha persona online nasceu na virada do milênio, onde eu deixei de ser adolescente e virei adulta. É essa internet que eu conheço, por onde eu sei andar sem ler tutoriais, onde a paisagem me é familiar e eu não preciso decorar coreografias, fazer lives, opinar sobre política internacional, escolher um lado. Essa internet é a minha zona de conforto, meu safe space, o castelo do meu pequeno reino sem súditos. É nessa internet que eu estou envelhecendo, e se um dia ela não existir mais eu vou ligar a chaleira, passar um café, calçar as chinelas, pegar o tricô, clicar na Netflix e deixar de existir por aqui também. Because I’ve decided there’s nowhere else I really want to be.

Até lá, segue o baile.
Hello again.

P.S.: Sim, grandes mudanças no jardim. Falo mais disso nos próximos posts.
P.S.2: Vai ter texto em português, vai ter texto em inglês. Google translate is your friend.
P.S.3: Acho que o feed do blog não mudou, porque o domínio é o mesmo. Enfim, espero que vocês recebam as atualizações.
P.S.4: Quantas vezes aquela vela de citronela apareceu nesse post? Haha. I don’t care. ♥

Beth Chatto Gardens, Essex.

Beth Chatto was an award-winning plantswoman, author and lecturer. Her work at the Gardens began in 1960. She took an overgrown wasteland of brambles, parched gravel and boggy ditches of the disused fruit farm belonging to her husband, botanist Andrew Chatto. She used plants adapted by nature to thrive in different conditions: right plant, right place. An inspirational, informal garden has developed.

The gardens are now  a family business, run by her granddaughter Julia Boulton.The online nursery is open all year around. The gardens and are open to the public seasonally. They cover around 7 acres (2.8 ha) and include a visitor information centre, tearoom, giftshop and plant nursery.

Chatto lived in the white house that remains overlooking the Water Garden. She was often seen about the gardens up until her death in May 2018 at the age of 94.

Midsummer.

Midsummer beauty.

On nights like this we used to swim in the quarry,  
the boys making up games requiring them to tear off  the girls’ clothes  
and the girls cooperating, because they had new bodies since last summer
and they wanted to exhibit them, the brave ones  
leaping off  the high rocks — bodies crowding the water.

The nights were humid, still. The stone was cool and wet,
marble for  graveyards, for buildings that we never saw,  
buildings in cities far away.

On cloudy nights, you were blind. Those nights the rocks were dangerous,  
but in another way it was all dangerous, that was what we were after.  
The summer started. Then the boys and girls began to pair off  
but always there were a few left at the end — sometimes they’d keep watch,
sometimes they’d pretend to go off  with each other like the rest,
but what could they do there, in the woods? No one wanted to be them.  
But they’d show up anyway, as though some night their luck would change,  
fate would be a different fate.

At the beginning and at the end, though, we were all together.
After the evening chores, after the smaller children were in bed,  
then we were free. Nobody said anything, but we knew the nights we’d meet  
and the nights we wouldn’t. Once or twice, at the end of summer,  
we could see a baby was going to come out of all that kissing.

And for those two, it was terrible, as terrible as being alone.  
The game was over. We’d sit on the rocks smoking cigarettes,  
worrying about the ones who weren’t there.

And then finally walk home through the fields,  
because there was always work the next day.  
And the next day, we were kids again, sitting on the front steps in the morning,  
eating a peach.  Just that, but it seemed an honor to have a mouth.  
And then going to work, which meant helping out in the fields.  
One boy worked for an old lady, building shelves.  
The house was very old, maybe built when the mountain was built.

And then the day faded. We were dreaming, waiting for night.  
Standing at the front door at twilight, watching the shadows lengthen.  
And a voice in the kitchen was always complaining about the heat,
wanting the heat to break.

Then the heat broke, the night was clear.  
And you thought of  the boy or girl you’d be meeting later.  
And you thought of  walking into the woods and lying down,  
practicing all those things you were learning in the water.  
And though sometimes you couldn’t see the person you were with,
there was no substitute for that person.

The summer night glowed; in the field, fireflies were glinting.
And for those who understood such things, the stars were sending messages:  
You will leave the village where you were born  
and in another country you’ll become very rich, very powerful,
but always you will mourn something you left behind, even though  
you can’t say what it was,
and eventually you will return to seek it.

– Midsummer, by Louise Gluck

All I ever wanted was a life in your shape

First coffee of the day, a patch of sun coming through the window, a lazy cat stretching its limbs within hand’s reach for the occasional petting, the early morning mist lifting as the radio plays toccata and fugue in d minor once again. The cheap flooring is peeling off. My brand new socks look terrible after just one wear. I think of the toasted bagel I will have later – with the next cup of instant coffee that tastes of routine and it ain’t bad. It’s thursday, there’s nothing special at all going on but I am happy and right this moment I feel privileged.

what is bad now, is bad now only.
what is good now, is good always.

The White Pulse of May.

The very end of spring is green and white. Country lanes are illuminated with cow parsley, a delicate foam of tiny petals in a sea of pale green. Every year, this is what tells me summer is near. A certain kind of sadness for the dying spring, a certain kind of hope for drier days (warm and light don’t tempt me), a certain kind of longing for the autumn that will follow. Fields of cow parsley are ticking clocks of the seasons and life; fresh young flowers blossoming and dancing on the wind now, but just like everything else soon they’ll wither and die. 

“Your hands lie open in the long fresh grass,—
The finger-points look through like rosy blooms:
Your eyes smile peace. The pasture gleams and glooms
‘Neath billowing skies that scatter and amass.
All round our nest, far as the eye can pass,
Are golden kingcup fields with silver edge
Where the cow-parsley skirts the hawthorn-hedge.
‘Tis visible silence, still as the hour-glass.

Deep in the sun-searched growths the dragon-fly
Hangs like a blue thread loosened from the sky:—
So this wing’d hour is dropt to us from above.
Oh! clasp we to our hearts, for deathless dower,
This close-companioned inarticulate hour
When twofold silence was the song of love
.”

– Dante Gabriel Rossetti

I’m outside looking in.

An open door says, “Come in.”
A shut door says, “Who are you?”
Shadows and ghosts go through shut doors.
If   a door is shut and you want it shut, why open it?
If   a door is open and you want it open, why shut it?
Doors forget but only doors know what it is
doors forget.

– Carl Sandburg

Bees in the trap.

Brazilian afternoon in South Wimbledon. The restaurant was more like a café; very informal and very small. Food was distinctively average but the chicken hearts were on point and the caipirinha heavy on cachaça, as it should be. Also great coffee, and my dessert (oddly went for chocolate cake) didn’t disappoint. Next time I’ll try pastel and the sausage with fried cassava.

We parked under a tree covered in tiny white flowers and loaded with bumblebees. I managed to control my panic enough to be able to get some photos and videos, but as I was getting back into the car I noticed several dead ones on the floor. Bumblebees tend to form couples for life and look after the grubs together. The idea of baby bees waiting in vain for their parents to come home made me incredibly sad.