Building shrines for the ashes of dead hopes.

Ficou mundialmente combinado nos últimos 18 meses que romantizar a pandemia e usá-la como suposto trampolim para “auto conhecimento”, “revolução pessoal” e “volta às raízes” é de extremo mau gosto. Mas vou humildemente pedindo desculpas e licença para dizer que pelo menos uma coisa positiva esse período fez por mim: eliminar de vez o FOMO – Fear of Missing Out, o famoso “medo de estar perdendo alguma coisa”, de não ter sido convidado para o evento onde todo mundo está. Depois de um ano e meio vivendo com tantas restrições, aquela ansiedade de “planejar o fim de semana” enchendo a agenda de atividades me abandonou. Sábado passado, por exemplo, eu cancelei uma festa de rua no sul da cidade (com direito a barraquinha de pão de queijo e presença da amiga que eu não vejo desde janeiro de 2020) porque tinha planos muito importantes para aquele dia: resolvi que eu iria me MIMAR.

O mimo? Comprar uma lata de Farrow & Ball Pink Ground na B&Q e passar dois dias pintando a sala de rosa, bebendo Koppaberg e ouvindo a trilha sonora de Dirty Dancing.

Ela faz o evento dela.

Mas às vezes a gente precisa tirar as pantufas, calçar sapatos e ir resolver a vida.

E numa dessas passei em frente à loja da Versace, me deparei com essas ofertas e fui obrigada a pagar o mico de tirar foto de vitrine de grife. Porque a pegada 90s/00s das bolsinhas de piriguete suburbana com os tamanquinhos combinando (tanto nos tons pastel quanto na vibe “sábado no Mercadão de Madureira“) me deixou encantada. Não, não é meu estilo, mas isso foi o figurino de uma época. Quem viveu sabe, e completou mentalmente esse lookinho com uma camiseta baby look, calça de cintura baixa e quem sabe uma boina de veludo se a ocasião merecer.

Já se eu fosse madame, rica e usasse salto acho que só teria sapatos Roger Vivier. Acho finos, delicados e bem old-fashioned – especialmente os modelos forrados de seda. Ok, também tem uma certa vibe “festa de 15 anos da filha da vizinha” mas eu sou cria dos anos 80/90 e compartilhar cafonices retrô é a minha love language.

Foi mais ou menos por ali que eu me dei conta de que não estava longe do Pantechnicon, um mercado nórdico/japonês (i know…) que abriga entre outras hipsterices o Café Kitsune. Que faz um puta egg sandwich e um iced latte bastante razoável. E estava na hora do almoço. Fiz o que tinha vindo fazer na área e depois trotei alegremente em direção à felicidade:

“Kitsune” significa raposa em japonês. O cookie é uma gracinha, mas meio caro pelo tamanho. O sanduíche foi uma reincidência e continua irretocável – eu não sei qual o truque dos japoneses, mas ninguém faz pão de forma gostoso como eles.

“Expect Magic and Miracles” – nada mais mágico e milagroso que encontrar lugar para sentar na Linha Central metrô às quatro e meia da tarde de uma quarta feira. Por outro lado nesse mesmo dia, segundo o aplicativo do NHS, eu estive próxima de uma pessoa aleatória que depois testou positivo para Covid. Na semana seguinte recebi uma mensagem de que, por precaução, teria que fazer auto isolamento em casa por alguns dias. Imediatamente cancelei compromissos, baixei revistas no Readly e me preparei para o pior – meu maior pânico sendo infectar o Repectivo. Porém cumpri a mini quarentena sem nenhum sintoma, yay! Miracles do happen indeed. ♥

P.S.: Fiz um banner novo pro blog. O anterior estava meio infantil, e então eu troquei para esse… que não está muito maduro também. Mas eu gosto dessa cor e não sei mais brincar com tipografia, então por enquanto fica assim.

P.S.2: Estou arrumando a página de links. Percebi que muitos blogs do meu blogroll já tinham sido deletados, infelizmente. Fiz a Marie Kondo na lista, removi os links quebrados e adicionei alguns, animadíssima na missão de ressuscitar a blogosfera. Let’s do this.

I look at your picture and I smile.

Poucas coisas me deixam mais feliz do que quando alguém tem algo gentil a dizer sobre os meus hobbies. Gostar de uma página de um journal, de uma roupa que fiz, deve ser como os pais se sentem ao ouvir elogios a um filho. Não sei a razão; é menos vaidade (acho quase tudo o que faço no máximo básico) e mais esperança de que essas coisas tenham algum valor intrínseco e eu não seja apenas uma louca que se cerca de objetos e atividades inúteis cujo único propósito é preencher o longo espaço de tempo daqui até o fim.

Sunday Scenes.

I fell in love with the gangsta angels, but they really don’t fit with my minimalist home aesthetics. Off to somewhere in Essex for a picnic – the park had deers! – then back home in time to enjoy the conservatory (the mini cactus is in bloom again), make a big batch of cheese bread and sit back with a bottle of prosecco. Tomorrow is another week that’s bound to be busy af, but I feel recharged. Bring it on.

Book keeping.

Quase saio sem pagar esse café porque meu cartão de débito não estava sendo lido pela máquina (e eu não tinha um centavo em cash). O cara já tinha enchido a xícara, então “deixou pra lá” com uma cara de bunda imensa, e eu me perguntei se ele era o dono e estava regulando mixaria (café é basicamente água, ele não ia falir por oferecer um de graça quando a culpa nem era minha) ou se era empregado e tinha um patrão regulador de mixaria que ia obrigá-lo a pagar 2.75 do próprio salário.

Dali a 10 minutos ele voltou com a máquina e pediu pra eu “tentar de novo”. Juro que se eu carregasse ID ia sugerir que ele ficasse com ela até eu achar um caixa rápido, porque puta que pariu. Felizmente para todos a máquina dessa vez funcionou como devia e ele conseguiu me cobrar.

Anotei no meu bullet que é pra nunca mais sair de casa sem moedinhas. Tá louco.

Sun’s out.

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Primeiro dia do ano com cara de verão. Não estou bem certa se aprovo, mas curtimos uma excelente caminhada, cerveja geladíssima, churrasco de cordeiro, chá com bolo como sobremesa sentados do lado de fora, cerejeiras em plena floração, Pimm’s caseiro e um encontro casual com o CU de Londres (Coventry University, that is…).

I call you by you’re not worth the dime.

E começa a farofada de páscoa.
Não me sentindo muito criativa hoje decidi almoçar num italiano em Hampstead Village – me arrasa quando as batatas fritas não estão boas, mas a carne valeu a pena – e depois visitamos o Real Ale Fest em Essex. Nada de ale pra mim, no entanto; bebi um excelente Pimm’s (apesar de caríssimo para um copo tão pequeno) e uma mais excelente ainda garrafa de Magnus Classic Pear Cider.

Acho que essa é a minha cidra preferida no momento. Cansada dos xaropes extra açucarados pra quem não gosta de beber e que se tornaram populares alguns verões atrás. Diabetes engarrafada. Chegou enfim meu momento de  beber com responsabilidade.

A feeling that you have that could change your life.

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Besides boring work commitments, my Thursday included a somewhat failed trip to Selfridges to buy something they didn’t have (and I had one of the worst coffees ever at Lola’s cupcakes, but I did look at pretty books and expensive decor and used their toilets – always so clean). 

Fell in love with jelly sandals at F21, had iced tea at Yumchaa and walked around empty streets due to the climate change protesters blocking Oxford Street and Regent Street. Lots of big words being shouted from megaphones and people smelling a bit. Shops were still full, though; the consumerist machine is ON and well oiled and perhaps more than big words are needed. 

Or do we really need anything at all? Then I felt a bit sick and rushed home for a healing glass of pinot grigio.

This and that.

couldn’t stand that armchair’s brown legs any longer, so started my day by opening a can of eggshell and getting at it. after a couple of layers (and a couple of screams to get the cat out of the paint pot) i walked into the garden to admire my forsythia – the only thing that seems to be thriving at the moment. got strawberry ribena at asda and it’s my favourite drink of the week.


now would you look at this spring day? glorious. i took myself to lunch (a delicious slice of aubergine pizza + great coffee) then browsed the shops looking for lace and adhesive tape, but instead I fell in love with a sofa at the charity shop (didn’t buy, though; i have NO space for anything else), got toiletries at home bargains (including the “humble” pack of tissues above; lol, what could it be proud about? no clue) and that elusive black barbie at the huge new toyshop in town. black, plus sized barbie with a 4C hair? yes. ♥

Inside, we are ageless.

eggs + mayo for breakfast, favourite crockery, sleeping cat, cutting forsythia branches to enjoy indoors, putting the bizarre iron thing i’ve rescued from the dumpster to work as a plant stand (it’s perfect) and filling up the flower baskets in front of the house with bright yellow and purplish-blue violas.

Inside, we are ageless and when we talk to ourselves, it’s the same age of the person we were talking to when we were little. It’s the body that is changing around that ageless centre.— David Lynch

The Ordinary – 2 meses

Amanhã completam-se dois meses de uso diário (mesmo!) dos produtos da The Ordinary que recebi em novembro. E apesar de realmente ser pouco tempo para avaliar mudanças significativas na qualidade da minha pele, acho que já posso tecer alguns breves e descompromissados comentários sobre como tem sido a minha relação com os ácidos.

Para fins de informação: esse post não é patrocinado. Os produtos foram adquiridos na Cult Beauty e obviamente não recebi (e nem desejo receber) nenhum tipo de desconto ou compensação da marca. Também não se guiem pela minha experiência pessoal; não sou dermatologista e não me consultei com nenhum. Dei um tiro no escuro e comprei os produtos após pesquisar o site, as propriedades dos princípios ativos e tirar uma ou outra dúvida no Reddit.

Recomendo esse approach? Não, mas minha pele é relativamente boa (apesar do dano solar/melasma) e resistente – ou seja, não tenho acne nem sensibilidade/alergias. També  não moro no Brasil e não tenho acesso rápido e fácil a dermatologistas. Se você puder (e sua pele necessitar) por favor procure orientação profissional antes de experimentar qualquer tipo de ácido. Até porque o médico poderá receitar fórmulas de manipulação bem mais potentes e com foco voltado para o seu problema específico.

Também nem preciso dizer que ao usar ácidos na pele você DEVE proteger o rosto diariamente com filtro solar. This is a must, ok? Non negotiable.

Hidratante + Tônico de ácido Glicólico + serum de Alpha Arbutin
Esse é o “turno da manhã”. Como eu ainda tinha mais da metade do potinho de L’Oreal e do frasco de gel hidratante Clinique ao fazer o pedido dos ácidos resolvi continuar usando. Assim que acordo e entro no banheiro já puxo um algodão e limpo o rosto com o tônico de ácido glicólico; em seguida aplico o serum de Alpha-Arbutin e o hidratante. Fazer isso assim que acordo me ajuda a manter a rotina e sinto que se deixar pra mais tarde acabo esquecendo.

O tônico vem num vidro grande e vai durar pelo menos uns 4 meses porque só agora chegou na metade. Algumas pessoas acham forte demais e reclamam de ardência; a mim não incomodou. Já o serum (que tem uma textura de gel ralo, bem fresquinha e gostosa) acabou antes de todos porque eu também uso à noite. E estava usando em excesso; duas gotinhas pro rosto bastam.

Granactive Retinoid 2% + peeling AHA + BHA 3%
Turno da noite: Granactive Retinoid 2% e peeling AHA 30% + BHA 3%. O retinol eu uso diariamente antes da dose noturna do alpha arbutin, exceto quando uso o peeling (duas noites por semana; esse eu prefiro não misturar com outras coisas). O retinol tem uma textura meio rala e as gotas escorrem logo; como eu não curto pôr o produto na mão antes de passar no rosto (pra não desperdiçar) tenho que inclinar um pouco a cabeça para trás e ser rápida. O uso deve ser exclusivo noturno (e o frasco mantido em local escuro) porque a luz do sol degrada a vitamina A. O rosto deve estar 100% seco porque a água também reduz as propriedades do retinol. Você deve deixar o produto agir sozinho por 15 minutos antes de aplicar outra coisa.

O peeling tem uma cor vermelho sangue lindíssima que vai ficar na sua cara durante os 10 minutos em que você deixa o produto agir – cuidado pra não assustar o carteiro. :) Ele tem fama de causar uma certa ardência/formigamento na pele, mas eu só senti esses efeitos, muito de leve, na primeira vez que usei; hoje em dia é sussa. Muitos usuários se queixam de que o ácido irrita a pele e se você nunca usou esse tipo de química é preciso ir aos poucos. Como eu já conheço a minha “casca grossa” resolvi arriscar; deixo os 10 minutos inteiros e uso duas vezes por semana. Mas há quem só use uma vez por mês. Cada um com a sua realidade.

RESULTADOS
Como eu disse anteriormente, dois meses é pouca coisa. Resultados com o retinol, por exemplo, costumam aparecer por volta dos 6-12 meses de uso contínuo. Vou perseverar e manter a esperança de que meus poros e ruguinhas vão diminuir, mas mesmo que não *melhore* nada (eu negligenciei minha pele ou usei os produtos errados por muito tempo; dei sorte por não estar destruída e não espero milagres) pelo menos ajuda a não piorar. Retinol é certamente um produto que vou usar para a vida, e encontrar nesse preço ajuda muito a não desanimar – é chato pagar 200 pilas por mês num vidrinho e não ter nada pra se gabar, né migs? Risos.

O peeling e o tônico de ácido glicólico pelo menos já melhoraram um tanto a textura da pele. Eu a sinto finíssima, mais brilhante, saudável e como consequência a maquiagem fixa melhor. A sensação de pele limpa depois de usar o tônico pela manhã é deliciosa. Estou satisfeita com esses dois produtos e pretendo comprar novamente. O serum é OK, mas não percebi nenhuma melhora nas manchas de melasma. De novo, vou dar tempo ao tempo e tentar por mais alguns meses; se não notar nenhuma alteração significativa vou partir pra hidroquinona.

E você, tem alguma rotina de cuidados com a pele? Ou é novinha(o) demais pra não se ocupar disso?

Qualquer que seja o caso, usem filtro solar. Não era comum nos anos 90 mas me arrependo de ter exposto minha desprotegida face ao sol por tantos anos. Hoje não tem desculpa. Go!

Under the skin an empty space to fill in

essa almofada bordada (e suas irmãs, que moram na biblioteca) eu comprei há muitos anos em jersey. estavam numa banca de desconto e talvez só por isso eu tenha levado; não sou muito fã do estilo “american-midwest country”, com muita estampa gingham e mensagens clichê. fora que a minha casa recebe raras visitas e eu não sou uma pessoa exatamente sociável, então respectivo sempre tira uma com a minha cara quando passa por ela. “this isn’t you”, ele diz, e eu concordo. mas não deixar passar uma boa promoção is also very, very me. :)

de vez em quando eu troco a gravura desse quadrinho de cortiça. meu study é uma muvuca de móveis velhos misturados com ikea e apesar das minhas tentativas de virar musa minimalista ele parece um mercado de pulgas com prateleiras cobertas de livros e tralhas de valor puramente emocional. mas olha que linda a peace lily nova e as micro flores no vasinho colhidas da minha kalanchoe – que as pessoas jogam fora depois que as flores murcham, mas a minha já está na terceira floração and counting. you go, little one.

esse cinzeiro esteve na primeira casa em que morei e acompanha minha família há décadas. foi a única peça que eu peguei na casa do meu pai – além da estante de vime, que obviamente não pude trazer e deixei com a minha mãe. ele usava o cinzeiro quando fumava; depois que parou com o cigarro virou peça decorativa. lembro da lolla criança encantada com os peitinhos da moça e fingindo abanar o rosto com o cinzeiro, como se fosse um leque. criança besta. estou feliz por ter esse memento aqui comigo.

fez sol por algumas horas essa semana enquanto eu rodava brechós atrás de mobília usada e me apaixonava por uma monstera – plantinha tendência, que eu procurava há tempos mas me recusava a pagar os 50-70 paus que as lojas hipsters cobravam e estava sempre esgotada. achei essa por DEZ libras na B&Q e trouxe pra casa no ônibus, sorrindo e arrancando sorrisos (e dicas de jardinagem) das velhinhas.

no sábado fui a uma praça de alimentação oriental onde comi tonkatsu japonês, bebi cerveja kobra indiana e comprei um monte de doces chineses para levar pra casa – inclusive essas tortinhas da foto (ovos, côco, queijo e pandan). tudo uma delícia; essa semana eu dou a dica direito.

no domingo levei uma amiga à pets at home porque ela queria comprar peixes (não gosto de aquários ou gaiolas, mas cada um na sua). nessa mesma loja ficava a clínica veterinária onde eu levava a chantilly; tive um momento de deja vu lembrando da minha amiguinha preferida. bati papo com os hamsters e gerbils, comemos um hamburguer no “food truck” do estacionamento com uma diet pepsi estúpida de tão gelada (coisa rara nesse país) e comprei um bird feeder para alimentar os pássaros do jardim. que está abandonadíssimo; folhas acumuladas depois de meses de outono, limo na calçada depois de meses de chuva e escuridão, galhos de árvore quebrados depois de meses de ventania… finjo que não é comigo. por enquanto mal piso lá. deixo o playground liberado para os esquilos se divertirem com as nozes e passas que deixo pra eles.

passei a semana quase toda em casa trabalhando, cortando quadradinhos de tecido para a minha colcha de retalhos (quase pronta), fazendo uma limpa no conservatório (o frio danificou fatalmente duas plantas; deixei uns dias na UTI mas tive que admitir derrota e desligar os aparelhos – R.I.P.) e terminando de crochetar (?) o meu snood – está bem longe de ser perfeito mas já foi estreado num dia de muito vento e serviu ao seu propósito; what a joy.

fevereiro é supostamente o mês mais frio do ano, mas com o fim de janeiro eu já sinto o inverno me escapando por entre os dedos. por ora ainda acho que vai deixar saudades; foi muito bom esse período de hibernação, eu realmente precisava. mas sei que lá pelo fim de fevereiro estarei na expectativa da primavera e pensando “my body is ready”. já plantei primroses nas cestas em frente da casa, já notei narcisos começando a brotar do chão (os meus bulbos no potinho estão na atividade), já tenho até flores desabrochando: rosas miniatura de supermercado, um mimo para amenizar o cinza chumbo dos céus de janeiro – que se despedem amanhã.

january, you’ve been a good boy. thanks for everything. ♥
come on over, february. brighter skies, longer days, cold mornings, frosty grass and all. my body is always ready.

Isn’t it rich? Isn’t it queer?

A garota que achava super sussa pegar três ônibus pra chegar na faculdade e não via nada de mais em sair da balada de madrugada e ir esperar condução pra casa na Central do Brasil hoje em dia faz muxoxo e reclama porque o trem direto pro centro demora dez minutos pra chegar.

A velhice, meus amigos, lhes transforma em bananas.
Corram seus riscos agora.

Fazendo as malas para uma pequena “road trip” pelo continente. A trabalho, mas com alguns dias off.
Consegui alugar meu primeiro apartamento no AirBnB. A principal motivação era ter cozinha e poder preparar refeições (leia-se: esquentar sopas enlatadas no microondas). O apartamento tem uma varandinha linda e boa localização; espero que a gente goste de lá.

Canecas de ovelha da páscoa, cheias de marshmallow. É assim tão errado eu querer uma? E querer pelo menos três daqueles plushies? Mesmo que eu não tenha espaço e nem goste muito de expôr bichos de pelúcia?

A mulher que “tem pavor de gatos” mas que havia sido alocada para cuidar da minha enquanto eu estiver fora resolveu que não tem condições psicológicas. Eu super entendo fobias, e espero que respectivo não tenha essa magnífica ideia de novo no futuro. Mas cancelar o trato nas vésperas da viagem? Não foi legal.

BUT. Não vou negar o alívio.

A cat sitter já veio pegar as chaves. Virá diariamente.
Good.

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O cocô terrorista.
Pinturas em miniatura. ♥
Necessito fazer esse bolo.
E esse aqui, também.
Esse aqui eu não tive a menor vontade de comer, mas ah, essas fotos…
Por que eu nunca terei uma casa organizada.

Crap days out.

2015 começou sendo tudo o que 2014 não foi (yay), só que no mau sentido (shit). Ou seja: frio, cinzento e chuvoso. Também não tive muito tempo ou inspiração pra blogar, já que começo de ano é hora de organizar papelada e supplies para os journals e fazer limpeza de gavetas. A faxina acabou se estendendo para gavetas de roupas e o que não foi parar no lixo foi parar em sacos para doação.

Domingo fui fazer uma pesquisa em Theydon Bois, uma localidade residencial em Essex. Fica no meio da floresta da Epping e é bem bonitinho; me animei pensando em dar um passeio pelas redondezas, tomar um café, fuçar as lojinhas, essas coisas de gente velha e sem vida social.

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Carona pra estação, porque né.

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Aguardando. Tive que fazer uma baldeação chata e demorada no metrô, mesmo que eu não tenha saído da linha Central. Várias estações se passaram sem que UMA única alma adentrasse o meu vagão. Creepy. Por sorte nessa área a linha de metrô não é subterrânea e eu tinha pelo menos uma vista bonita e ensolarada da janela: campos verdejantes cobertos de ovelhas e cavalinhos usando casaco – porque cavalo é um bicho chato e resfria à toa. Não, não tinha vaca porque em Essex quase não tem vaca. Não sei explicar.

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Muitas roças.

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Falei que era roça: cavalinho de casaco atrás da estação.

Enfim, terminada a pesquisa eu fui caminhar, e foi quando percebi que seria um equívoco por motivos de: a) mais frio do que eu esperava e b) não tem nada em Theydon Bois. Sério. Além do pub, restaurante indiano, restaurante “grill”, Tesco Express, agência imobiliária e a própria estação de metrô, não tinha muita coisa além um gigantesco green (praça gramada) vazio e casas.

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Depois fui entender por que não havia ninguém no gramado: ele era um pântano. Num momento você estava pisando na grama; em outro, no piscinão de Ramos. Quase me afoguei pra fazer essas fotos de bosta, olha só como eu mereço cinco estrelinhas.

Pensei em tomar uma pint no The Bull, mas desanimei.

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Bota (favorita, tanto que está abrindo na lateral) cheia de lama depois do passeio pelo Pantanal. Joinha.

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Já meio entorpecida de tédio abandonei a área em direção a um CEP no leste da cidade: Wanstead. Cafés! Livrarias! Bares! Floriculturas! Praças com crianças andando de bicicleta! Mercadinhos de rua! Cocô de cachorro na calçada! Ah, a civilização…

Lá pude cobiçar esse quadro da Princesa Lea tatuadona e badass:

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E este aqui, com Batman e Superman vivendo um “bromance” digno de final de novela cheia de polêmica no Twitter:

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Mas nem tudo foi perdido em TB (as in Theydon Boys, não “tuberculose”). Teve céu azul, teve verde, teve um rolê dentro da loja de conveniência que me proporcionou um pacotinho de torresmo para comer na viagem, eu planejo voltar para passear na floresta ali perto quando o tempo melhorar um pouco e agora eu sei que NÃO É pra pisar na grama depois de um longo período de chuvas. Quem sabe no verão seja possível fazer piquenique no gramado? E o melhor, tendo a jamais desagradável companhia de patinhos:

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Quase escorreguei e caí no lago pra fazer essa foto. Ainda no aguardo das estrelinhas.

Livro na Oxfam de Wanstead que deu nome ao post. Em tradução livre, “programas de índio” (mais apropriado seria “passeios de bosta”). Hahaha. Define bem o dia.

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Quase levei, só pela capa (e ok, o conteúdo parecia engraçado). Mas QUATRO libras, Oxfam? Ouch. Por esse preço eu acho livro novo na Amazon.

E aí, qual foi o seu último programa furado? :)

We’ll call it Christmas when the adverts begin.

Os chás não têm, na verdade, gosto de abacaxi, laranja ou maçã.
Mas eu gosto das embalagens.

Chá novo e revistas velhas.

Os comerciais de natal começaram na TV. Ainda não vi o da John Lewis, que todos os anos produz alguma peça sentimental que vira o assunto da semana. Confesso que o único de que eu gostei foi esse, de 2010. Outro dia vi o primeiro anúncio natalino da Coca Cola de 2014 e me assustei: o ano oficialmente acabou.

Por essa época os jornais chegam pesados de catálogos de coisas que eu não tenho interesse em adquirir e usei-os para fazer uma fogueirinha no quintal. Comprei mais uma caneca para a minha coleção de louças da Ikea. Fiz doze quadradinhos coloridos de crochê; faltam apenas mais 348 para a colcha que eu provavelmente nunca vou terminar. Passei duas horas tentando pôr prateleiras na parede da cozinha (sem sucesso), assistindo Big Trouble in Little China com os meninos e pensando em como é terrível passar o Natal no Brasil e como é bonito o Rio de Janeiro no inverno. Saudade e alívio.

Yet another sunday.