Let the madness begin.

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E a “festinha do esporte” começa oficialmente amanhã. Eu gostaria de aproveitar esse espaço para declarar que moro a quatro estações de metrô de distância do parque olímpico de Stratford, que dependo da Central line e da North Circular pra sobreviver e que a partir desta sexta feira a minha vida vai virar um inferno.

Acho bonitinhas as mensagens que o governo e o comitê olímpico estamparam pelos outdoors, anúncios de revista e jornais, propagandas e anúncios de TV e rádio. Eles sugerem (com um subtexto de JUST DO IT) que os londrinos evitem se dirigir ao centro, evitem sair de casa, deixem a metade das estradas livres para os engravatados olímpicos e seus carrinhos pintados de branco e rosa (sim, marcaram uma FAIXA ESPECIAL para os paxás dos jogos, e se seres humanos comuns como eu e você ousarem trafegar por ela podem tomar multa na fuça), evitem respirar, evitem EXISTIR para “não atrapalhar atletas e turistas”. Que tal vocês DESAPARECEREM e deixar a cidade livre? Depois vocês podem voltar e continuar pagando os impostos que patrocinaram tudo isso, ok?

Seria muito engraçado mesmo se turista algum aparecesse. O que não está sendo engraçado: estou vendo o preço de absolutamente tudo à minha volta aumentar, na antecipação da chegada desses turistas.

Eu nunca fui fã de esportes. Tentei gostar de futebol durante parte da infância e adolescência, mas a verdade é que eu gostava era das CAMISAS de time. Costumo “gostar” de esporte também na Copa do Mundo, mas só quando morava no Rio e o Brasil estava jogando, para fins de “voltar pra casa mais cedo” do trabalho ou da faculdade. Os únicos jogos que eu gostaria de ter acompanhado (mas não pude, por razões de fecundação tardia) foram os de Montreal. Gostaria de ter visto a Nadia Comaneci aloprar os jurados. Ou os de Moscou, para ter dado uma choradinha junto com o carismático ursinho Misha – Russos podem até não entender de comida, simpatia ou política, mas entendem de top models, vodka e mascotes de jogos olímpicos.

As it is, estou aqui tropeçando nesses mascotes LEESHO pelos corredores de todas as lojas, em forma de chaveiros e pelúcias, pela módica quantia de milhões de libras.

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(No meu tempo, cobra com um olho só tinha outro nome. Just saying.)

E por mais três semanas no mínimo (sem contar as paraolimpíadas, mas não vamos fingir que alguém se importa) haja adesivo rosa no metrô e idiotas de crachá querendo mandar na minha vida.

A minha única torcida será para que não role nenhum atentado terrorista. And let the madness begin.

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