Hosepipe ban blues.

O verão de 2012 resolveu inexistir e, fora dois ou três dias bastante esparsos de calor, a chuva praticamente não pára. Começamos abril com o governo banindo a população de usar mangueiras (hosepipes) para regar plantas ou lavar carros, porque a estiagem havia secado as reservas e ameaçava gerar uma crise. Nem tivemos tempo de reclamar: São Pedro ouviu a conversa e resolveu abrir as torneiras. As reservas já estão transbordando, assim como os rios – que acabaram invadindo casas e provocando prejuízo – e a nossa paciência. Meio sem graça, o governo cancelou a proibição às mangueiras já que agora aparentemente temos mais água do que precisamos. Resultado da chuva: as plantas que comprei em Jersey e trouxe para Londres com todo o cuidado morreram afogadas na água da chuva, e eu não tenho mais vontade de pisar no quintal.

Chove demais nessa cidade. Vou repetir, e reforçar: chove. DEMAIS. nessa cidade.
Você começa a compreender a natureza sombria, cinzenta e levemente desesperada dos londrinos. Crescer aqui é para os estóicos.

Bem antes de o verão inexistente começar a inexistir, um raro dia de sol (mas não de calor) em Leigh-on-Sea:

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Outro dia, outro registro de um verão que deixa praias vazias, mesmo em Jersey (“the sunniest place in the british isles”, anuncia o slogan ao ver tantos quartos de hotéis desocupados em pleno junho):

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Status meteorológico: Meia opaca fio 100.

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Essa moça passa os dias sentada na entrada no metrô de Tottenham Court. Além de sempre muito triste, ela é uma das pessoas mais bonitas que já vi. Tem um rosto de personagem de conto de fadas, especialmente nas raras vezes em que sorri – quando por exemplo alguém lhe entrega uma garrafa d’água. Talvez ela preferisse que estivesse fazendo calor. Talvez isso tornasse as noites na rua menos difíceis.

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Pensei em assistir esse musical semana passada. Bastante propício para o clima chuvoso.

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O céu em Little Britain e as nuvens que resolveram montar acampamento pelo verão inteiro.

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Onde foi o dia de São Swithin. Reza a lenda local que, se chover no dia do santo, choverá pelos próximos 40 dias.

St Swithun’s day if thou dost rain
For forty days it will remain
St Swithun’s day if thou be fair
For forty days ‘twill rain nae mare

Ontem não caiu uma gota de água. Sol pela manhã, nublado lá pela hora do almoço, sol abrindo novamente e até uma ameaça tímida e breve de calor por volta das seis da tarde. O povo se animou com o sinal divino e previu o começo tardio de um verão escaldante, que se estenderia até o final de outubro ou, com alguma sorte, se tornaria numa espécie de “verão indiano” (fora de época) e estaríamos desmontando a piscininha do jardim na véspera de Natal.

Amanheceu chovendo hoje.

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