Welcome Home, Xuxa.

Named like that because it’s an MG (as in Maria da Graça, lol) and she used to be the love of a racing driver. Lol. A quick stop at Silverstone to buy racing gear, a very long drive there (traffic was hellish, we didn’t even have time to eat) and here she is, at home with her sisters. Looking forward to many little adventures ahead!

Hello Mr. Fox

hello little fox, welcome to my garden. i will try to fix your mange by leaving food out with some healing drugs i got from the animal sanctuary; i hope you come back, take your medicines like a good boy/girl and get better. you’re too pretty for an early death. 

Vinte figurinhas.

Assim como todo mundo eu faço zilhares de fotos no celular, mas nem todas têm “substância” para um post e a maioria nunca vai parar no instagram ou em qualquer outro lugar. Daí a idéia de transformá-las em meme. Dêem um browse aí e postem 20 fotos aleatórias que vocês tenham no álbum de fotos? My turn:

01. fim da taça do meu brandy favorito que sempre ganho de cortesia no Piazza Cappuccino lá em Hannover | 02. pôr do sol colorido no estacionamento do shopping do meu bairro.

03. tomando sol no study, porque às vezes o verão é legal | 04. atrações de uma loja de brinquedos em algum lugar das minhas andanças, não lembro mais onde.

05. o que me serviram por MINI PIZZA num café e na verdade é um panini molengo parecendo uma ferida aberta, yuck. | 06. torre da British Telecom em Bloomsbury; o topo dela já foi um restaurante giratório! adoro prédios e monumentos que podem ser vistos de vários lugares da cidade.

07. journalling your troubles away. ♥ pena que as sharpies não podem ser realmente usadas para este fim porque mancham a folha. | 08. descontão de capinha pra celular na TKMaxx; lamento por quem não tem uma filial por perto (felizmente eles estão em quase todo lugar).

09. tortinha que não deu certo e eu desperdicei meio pote de salted caramel (ok, na verdade comi assim mesmo porque obviously) | 10. selfie no espelho do brechó em Blackmore, Essex (mamain olhando assustada ali atrás e eu não comprei nada, go me).

11. sol indo embora num parque aqui perto, no primeiro dia em que realmente precisei usar um suéter | 12. Glassblower numa sexta à tarde; pós expediente as calçadas dos pubs ficam todas assim, lotadas gente batendo papo e tomando cerveja antes de ir pra casa.

13. chá na Patisserie Valerie de Lakeside| 14. gato capotado no sofá (yup, he’s still around, don’t know what to do, but hey, KITTY ♥).

15. depois da chuva, curtindo um sofá e o sol que voltava a brilhar num céu limpinho (bônus: pátio que a natureza lavou, he) | 16. revistas + porridge (mingau de aveia) com mel + idade mental: louça da hello kitty.

17. “selfie” da janela  num dia particularmente bonito com a samambaia particularmente idem e o meu dream catcher particularmente hipster | 18. caneca ostentação (cof, cof, 99 centavos na Poundland, cof, abafa).

19. coleção de fitas bordadas vintage, porque um dia eu realmente achei que tinha vocação pra crafter, risos. | 20. namore alguém que te largue sentada por TRÊS HORAS na cafeteria de um museu de TANQUES DE GUERRA onde você não quis entrar, enquanto ele se esbalda e você aos poucos vai deixando de sentir o seu próprio traseiro enquanto afugenta abelhas.

E aí, vamos trocar figurinhas? :)

That was the week that was

01. Esses sapatos que eu curti, trouxe pra casa, percebi que estavam grande demais (a ponto de sair do pé quando eu andava), relutei mas tive que devolver. Não, o tamanho menor não servia. O problema não era o comprimento, mas a largura; essa forma é para quem tem pezinhos mais largos e os meus são magrelos. Uma pena, mas segue em frente, tem otros pisante.

02. Esse relógio, por me lembrar todos os dias de que o tempo está passando e não espera pelas minhas indecisões.

03. Esse batom matte da Bourjois – e que ao contrário dos batons de textura matte da MAC não arranca a pele da sua boca. Minha “gratuidade” da semana, graças ao cartão de fidelidade da farmácia. :)

04. Esses brincos, a única coisa que tive vontade de comprar na Primark essa semana depois de saber que os maravilhosos tênis de Star Wars não existem no meu número. *chora*

05. Esse Valentine’s day inesperado; eu não ia fazer nada porque acho o conceito de sair pra jantar no dia dos namorados meio off; restaurantes lotados e as decorações de coraçõezinhos/flores/chocolates “sexy” que ofendem a minha alma. Perde um tanto da graça brindar ao amor quando outros 300 casais à sua volta estão fazendo o mesmo, comendo o mesmo menu “afrodisíaco” (gente, se vocês precisam de menu afrodisíaco desistam; ostras cruas não vão salvar esse desastre e parecem catarro anyway) sob o peso da obrigação social. MAS esse almocinho simples de comida simples num lugar simples simplesmente aconteceu por acidente e foi sucesso de público, crítica e piadas internas.

06. Esse kit bonitinho e improvisado que simboliza um momento meio difícil, mas de esperança, esforço e amor.

07. Because I won’t let you go without a fight, little one. ♥

– Uma das histórias de racismo mais tristes dos ultimos tempos no Brasil.
Seu dia dos namorados resolvido? XD
Saca esse blog: gata de hong kong, marido islandês, um castelo na região do Medoc na França, OITO filhos e um monte de  foto de comida. De nada. ;)
– Que delícia de casa.
Músicas para o bebê que os papais também vão gostar.
– Não gosto de discutir ou criticar as escolhas alimentícias dos outros, mas achei fabuloso essa moça se chamar BACON e ao mesmo tempo ter uma dieta tão… ortoréxica. :)
– Muito amor por listras. ♥
Como a sua língua soa para os estrangeiros?
– As saunas mais bizarras da Finlândia.
– Falando em Finlândia, city guide de Helsinki (adoooro city guides).
– Falando em city guides: 24 horas em bruxelas, um guia.
Você é até bonitinha, para uma negra. :(
– Instagram de semana: Sad Animal Facts.
-Sabe o famoso “copo americano” das receitas? É brasileiro. :)

Leiden, Holanda II

De repente eis que surge um mercadinho de natal. ♥

E com ele, chocolate quente. Eu, que nem mesmo sou “chocolate people”, confesso que esse aí estava muito bom. Não melhor do que os chocolates quentes na Itália (é covardia comparar, na verdade), mas muito bom mesmo. Até o creme batido era uma delícia.

Blissed out after food state:

Aparentemente tem um museu nesse moinho; não deu tempo, fica pra próxima!

No meio da cidade há esse morrinho sob o qual se ergue uma fortificação circular, a chamada torre de Burcht:

Lá do alto dá pra ter uma vista bem bacana da cidade:

Achamos uma loja de doces interessante, com Pringles sabor pizza (nunca vi por aqui), pizza de chiclete e um iPad de chocolate.

Modestamente adquiri uma caixinha de Pocky sabor limão siciliano (tem gosto de Bis de Limão) e Reese’s peanut butter versão chocolate branco. :)

E assim acabou o nosso rolêzinho na cidade; Leiden é uma gracinha, não fica longe de Amsterdam mas tem brilho próprio. :)  Depois de tomar o café da manhã do hotel entramos no carro e pegamos a estrada novamente, destino Hannover.

Aleatórias

Crianças mal saídas das fraldas já escolhendo o que querem vestir. Eu deixei essa decisão nas mãos de costureira da minha mãe até uns 10 anos de idade e vestia o que ela comprasse/fizesse (imagine saias modelo “balonê” e cópias de roupas do Bicho Comeu, a grife infantil da Xuxa) ou o que o meu pai ganhasse no trabalho (logística de uma empresa de transportes): camisetas com propagandas da Texaco, Pirelli e Castrol.

Lembro que mamãe se recusou a pagar pela camiseta do uniforme de educação física (“é só uma camisetinha pra suar e sujar, qualquer coisa serve!”)  e ficou enchendo o saco da diretora da escola, que resolveu se poupar da fadiga e deixou que eu fizesse as aulas com camisetas genéricas. O professor fanfarrão passou a me chamar de POSTO IPIRANGA ou MISS TEXACO em homenagem às mais usadas. Minha mãe ficou putíssima quando descobriu, mas eu não liguei pro bullying. Afinal eu podia usar uma camiseta diferente toda semana, enquanto as outras crianças cujos pais se curvaram ao capitalismo tinham que repetir brusinha. Vitória do proletariado (brought to you by Pneus Michelin).

Papai ganhava muita coisa legal. Lembro particularmente de um conjunto cinza de plush super macio, que eu adorava usar – e usei até quase se desfazer. Outro tesouro eram os livrinhos RODAS, uma edição capa dura promocional/comemorativa contando a história do automóvel e do automobilismo através de charmosos textos curtos e ilustrações bacanas. Devorei esses livros de cabo a rabo centenas de vezes e aprendi muita coisa; inclusive que o nome “Mercedes” veio da filha francesa de um tcheco que curtia tudo que fosse da Espanha e deu um nome espanhol à menina – mais tarde usando-o pra rebatizar carros Daimler na França (já que depois da ocupação nazista ninguém ia vender nada com nome alemão).

Comecei falando de roupas, terminei falando de carros. O título do post não poderia ser mais apto.

Ano novo, agendas novas:

A maior tem datas e é para journalling, a segunda é na verdade um caderninho que eu pretendo usar como planner – mas ainda não sei se vai ser esse ou algum outro entre as centenas que tenho em standby nas gavetas, esperando uma chance. Eu devo ter mais cadernos do que anos de vida pela frente para usá-los.

Ansiosa por usar também essas sticky notes fofas de gatinho que achei na drogaria Rossmann em Hannover. ♥

Apesar da luz azul do restaurante deixar toda a comida com cara de vômito eu queria declarar amor pela bandeja de aperitivos do indiano local.

Lembrei que não postei o meu resultado do meme “Best Nine” do Instagram em lugar algum. Taí: cores, plantas e lovely London.

13 anos hoje.
E sempre que ouço alguém dizer que todo policial é uma pessoa inerentemente má, cruel e violenta eu lembro de você e de que felizmente toda regra tem exceções.

Thank you for everything and rest in peace.

[6×6] Beautiful Things

1. Fachadas coloridas em Hampstead Heath.
2. Louças da Anthropologie (e chás em caixinhas adoráveis)
3. Rosas resistindo ao frio e florescendo na reta final do outono.
4. Decoração de Natal de Covent Garden (esse ano temos mistletoes gigantes).
5. Annuals vintage (cada capa mais linda que a outra).
6. Saint Pancras station (a estação mais linda do mundo? haha).

Depois de um mico no mês passado onde eu esqueci total do projeto (novembro foi punk e olha que passou voando), é nóis aki trá veiz trazendo coisas bonitas que alegram os olhos. Tá meio difícil fazer fotos ultimamente porque os dias já estão cor de chumbo e a iluminação natural começa e termina na parte da manhã – isto é, quando começa… Mas raspei o tacho e consegui reunir seis coisas que me ajudaram a encarar os primeiros dias de muito vento e chuva de dezembro e preparar o espírito para a escuridão invernal (confesso que gosto quando ela se instala, mas a contagem regressiva pra mergulhar no breu pode ser meio assustadora) e o final de um ano que foi complicado em alguns aspectos mas MUITO recompensante por outros. All is well, all is moving, all is still beautiful and filled with love and joy. ♥

More beauty: Taís (Irlanda) – Alê (Ucrânia) – Paula (Holanda) – Loma (Coreia do Sul) – Paula (Austrália)

Shorter of breath and one day closer to death

pink-sofa

Nem aí pro São Valentinho, fui fuçar o centro e comprar livros fúteis com muitos porcentos de desconto na Home Sense. Quis trazer pelo menos duas cômodas, um sofá, dois espelhos e uma poltrona pra casa, mas o que me falta em foco me sobra de noção.

Li numa revista de jornal:

val

O chá matinal com um sorriso: check. Já sobre o melhor sexo nunca ser no dia de São Valentinho eu não sei. Minha vida não acabou ainda e eu espero ter mais alguns 14 de Fevereiro para não celebrar.

drumi

Selfie no espelho da loja. Mesma jaqueta de 5 libras da Primark (reduzida; preço original 11 libras) que estou usando em casa há vários dias. Percebi as manchas de comida perto da gola quando já estava na rua perto da gola; raspou com a ponta de unha, tá novo. Very glamourous.

princess

Eessas paredes dusky pink acalmam mais que rivotril. E esse closet é um dos meus lugares favorito nessa casa.

Falando em São Valentinho/amor, me perguntaram o que eu achava de viajar com namorado. Porque a pessoa estava indo viajar com o dela e morrendo de medo de que ele pudesse ver sua carinha amassada e sem maquiagem, ver o cabelinho bagunçado e “as calcinhas sujas dentro da mala”. Me admirei em saber que o namorado fuça a mala da menina e me perguntei se ele porventura seria cleptomaníaco (achar a calcinha suja seria acidente de trabalho) ou se ele apenas é fiscal de aeroporto e não consegue deixar de pensar em trabalho quando está de férias.

Se a pessoa é daquelas que só se encontra com o namorado usando calcinha com enchimento de espuma + cinco quilos de base no rosto then YES, Houston, we might have a problem. Se não for o caso, acho que é preciso relaxar. Não vai ter nada ali que o rapaz já não tenha visto ou imaginado antes. Ou então o jeito é acordar mais cedo que ele, correr no banheiro, escovar os dentes, arrumar o picumã e rebocar a cara inteira de novo. Nunca protagonizei tal vexame, mas é prática corriqueira entre as malucas daqui. Caso a pessoa não queira se dar a esse considerável trabalho, é dormir com os dentinhos escovados, colocar as calcinhas sujas num saco preto amarrado no fundo da mala, pegar leve na maquiagem e ir viver.

Sempre viajei com meu marido sem problemas, por motivos óbvios. Somos casados e ele acorda com a minha cara no travesseiro ao lado todos os dias. Com o namorado mineiro eu nunca viajei porque não havia grana pra isso, mas se considerarmos que eu já dormi na RUA com ele vamos combinar que o meu cabelo e o meu bafo matinal foram as últimas coisas com as quais eu me preocupei. Com o outro eu viajava (saudades da casa de Búzios e Petrópolis *sniff*), mas aí ele já tinha me visto acordando antes, nós já sabíamos que eu era feia mesmo, nenhuma ilusão pra manter a respeito BUT BUT BUT havia muita caipirinha para beber de graça.

Por que do contrário a gente faz o quê, nunca namora? Nunca dorme?
A gente vai morrer. MORRER. Deixar de existir, mesmo. Parece um conceito longínquo pra os muito jovens agora, mas posso garantir que os próximos 10 anos vão passar mais rápido que os 10 anteriores e depois disso as décadas vão voar. Daqui a pouco você vai estar na metade da vida, olhar pra trás, ver que não se passou taaaanto tempo assim desde que você aprendeu a usar o peniquinho sozinha, vai perceber o quão curto é o tempo que resta e se perguntar: o que é que eu fiz? O que me sobra fazer? Eu fiz certo? É SÓ ISSO???

Acredite, ter acordado com a cara amassada ao lado de algum pafúncio pós-adolescente que – BIG NEWS! – *também* estava com a cara amassada não vai nem constar dos seus pensamentos nessa hora.

Vocês sabem que isso é verdade. Ótimo. Já é um começo.
Um dia a cara vai amanhecer amassada e – BIG NEWS 2 – ela não vai mais desamassar.

Wake up.

Mori girl love

sources: (mori layers) (madouer) (asbs) (poco) (tiny toadstool)
(kaoru) (streets of japan) (japanese streets) (tokyo fashion)

E já que falamos de moda… Algumas meninas cujo estilo pessoal eu acho interessante. Na verdade essa lista deveria ter mais blogs, mas eu perdi os links. Oh well.

1. Jane Aldridge (Sea of Shoes)
2. Tavi (Style Rookie)
3. Shan Shan (Tiny Toadstool)
4. Keiko Lynn (Keyko Lynn)
5. Alix (Cherry Blossom Girl)
6. Haleigh, (Making Magique, ex-Bardot in Blue)
7. Elinkan (Elinkan)

Rocket man.

“I’m like the six year old boy who wants to be an astronaut.

Everyday he looks at the stars and the moon whispering to himself, “someday I’ll be up there too.” It gets him through life. Damn it, it’s a dream he clings to. It will make him great in the eyes of every person that has ever thought he was anything less than spectacular.

Then, he becomes the twenty-something year old adult and he comes to the realization that he sucks at math. He also has a heart condition that prevents him from going on so much as a mildly scary roller coaster, and his eye sight is failing.

No rocketships for him.

In fact, in five or six years he probably won’t even be able to see the stars very well.”

Bizarro, bizarro.

Devo estar grávida. Acabei de engolir um pote de pêssegos em calda com batata palha. E descobri que creme de leite light parece vômito de gato. Odeio coisas diet. Melhor comer logo alface com nabo cozido OU assumir o peso. Eu prefiro a segunda opção.

E grupos de discussão podem ser uma coisa divertida (pelo menos mais que chats e Ircs):

lucci: puta paciencia. eu ja teria mandado ele tomar no cu.
eu: não é uma boa idéia. vai que ele aceita a sugestão, vai de fato tomar na bunda, fotografa tudo com a webcam e decide postar aqui??
gude: aiaiai, nao de idéias
guilherme: Deus tenha piedade de nós!!!!
smartt: Deus não existe. Eis a prova:

(segue-se foto do Smartt introduzindo o respectivo numa região pouco exposta de sua anatomia)

O Smartt é um personagem essencial a qualquer newsgroup. Escroto, boca suja, viciado em pornografia de quinta e DVDs de filmes Z, agride verbalmente a deus e o mundo, mas todos sentem falta quando ele some e pára de postar sua cota de 500 fotos de hard porn diárias. Agora ele comprou uma webcam (fez até um fotolog!!) e passa o dia postando fotos dos seus DVDs e VHS, fotos do seu pai – que ora parece estar vivo, ora parece estar empalhado – e também do seu membro hirsuto camuflado nas sombras.

Ele postou fotos minhas num fórum (com o singelo título Brazilian Biatch wants gringo d****) e graças a isso eu recebi um “convite” dessa “agência de modelo” aqui. Eu estou rindo até agora. Mas vou ter que declinar o convite.

Dark circles under our eyes.

Eu estava de costas para um dos pilares do coreto. A tarde indo embora rápido demais, mas deixando acesas a luz das estrelas. O vento me dava tapinhas no rosto, como se irritado com a minha tolice. Ele estava ali, eu estava lá, nos braços dele, eu sentia a ponta dos seus dedos nas minhas costas. Minha boca a centímetros da pele do seu pescoço. E eu estava em pânico. Um pânico tão grande que eu não conseguia me lembrar de que devia estar feliz.

De repente os lábios dele tocaram a minha testa. Nem vou falar no efeito de descargas elétricas que isso causou, porque é um clichê – mas são descargas elétricas. Não direi que foram cócegas em todas as células do meu corpo porque não foram. Ou melhor, foram também. Mas as descargas elétricas… Quem descreveu primeiro dessa forma o efeito do toque dos lábios do seu deus particular na sua testa, estava com a razão. E nunca será desmentido.

– Eu quero aquele beijo agora.

“Não, você não está dizendo isso”. Eu pensei enquanto sentia os lábios dele se moverem colados à minha pele. Frio na barriga, calor no peito, eu estava num estado de multi-temperaturas. O pé estava morno. A boca seca, desértica. Um rolo compressor me comprimia os membros e o pulmão, eu não podia me mover e nem respirar, e meu cérebro tinha virado vitamina de banana. Ou sopa, pois minha cabeça fervia. Tive até medo de queimar os lábios dele que, sempre colados à minha pele, falavam coisas que eu não era mais capaz de ouvir. E eu tinha certeza que o meu coração batia tão forte que tamborilava no peito dele. E ele era um idiota se não percebia. Os braços que envolviam a minha cintura machucavam, desacostumada que eu sou de carinhos. Não, ele não pode estar me pedindo um beijo. Porque eu não posso negar, mas eu preciso negar.

– Eu não posso.

– Por favor.

Não peça, pensei. Mas ele não ouviu. E pediu teatralmente, rindo com os lábios que estariam nos meus tão logo eu permitisse, mas algo na respiração dele traía nervosismo. Eu estava aprendendo a ler a respiração dele, os sinais do seu corpo. Bad news.

Só que não ia ter beijo. Ora Diabos, eu sou uma menina triste. Eu ouço músicas tristes em dias chuvosos, eu vivo com gente tosca, eu passo tardes sendo poser lendo poesia ruim em cemitérios, eu não me lembro mais do rosto de algumas pessoas que amei, eu troquei amigos por um diário e choro em comédias porque elas me lembram que eu não sei rir. Meninas como eu não beijam. Meninas como eu jamais terão na boca outra língua que não seja a própria. Meninas como eu não se deixam tocar. Meninas como eu não sentem coisas. Ok, eu sinto coisas e continuo sendo eu apesar disso. Quem sabe se eu fizesse as outras coisas não poderia continuar sendo EU também?

Não. Não vale a pena arriscar. Eu não vou trair o “movimento das meninas tristes solitárias”, o “movimento das meninas mal-amadas porque não conseguem amar”. Eu não vou cruzar a fronteira. Não vou ultrapassar a linha amarela. Não vou dar uma reviravolta de não-sei-quantos graus na minha vida. Não cabem reviravoltas na minha vida. Só as que me jogam no chão. E ele não era o chão. Ele era o céu, o paraíso, o horizonte com luzinhas de estrelas histéricas faiscando. Ele era tudo o que eu não podia tocar, porque eu não merecia.

Eu não vou destruir com um beijo real a mágica que é fantasiar beijos improváveis, noites a fio. Eu não vou trocar as noites que ardi abraçada a um travesseiro fervendo de desejo por noites abraçada a um homem que me fará virar outra pessoa. Eu não sei se quero ser outra pessoa. Não sei se quero evoluir, feito um Pokémon. Eu não vou renegar meu lado fracassado. Até porque ele é o único que tenho.

– Eu queria que a gente fosse só amigos…

E ele devagar ele afastou o corpo do meu. Ia me dizer alguma coisa crucial, mas eu nunca saberei o que era pois feito a idiota que sou o interrompi com uma observação estúpida:

– Seus olhos estão tristes.

E estavam. Era como se alguma das múltiplas luzinhas que piscavam desde sempre dentro deles tivesse queimado, e em efeito cascata, todas as outras fossem se apagando. Isso. Havia um curto circuito dentro dos olhos dele. Sem incêndios farfalhantes, só o apagar melancólico das luzes que iam morrendo. Perguntei o que era.

– Nada. Peito pesado, sei lá.

“Sinal de que tá cheio”, eu respondi. Nossa mãe. Naquela tarde eu havia pedido para ser imbecil e estava abusando da permissão.

– Não. Coração vazio é que pesa.

– Haha, corações desafiam as leis da física? (eu avisei)

E então ele riu. Mas eu podia jurar que não estava feliz.

– Não obedecem a lei alguma.

Talvez fosse verdade. Mas eu não sabia. Eu só obedecia às minhas.
Por mais estúpidas que possam parecer.