The lost garden.

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and we sit here while everything unfolds and spreads out and blooms and explodes with life everywhere, and we take in the scent and the colours and the joy and the beauty and the hope that soon it’ll be our turn to become alive again, not realizing that, unlike the flowers around us waking up to the sun, our roots have already died and we’ve already begun to decay.

if not now, when?

Shedding skins.

Na última noite como residente em Jersey fiz algo que há tempos não fazia – molhar meus pés no mar. Observei a maré subir na minha praia preferida (pequena, pitoresca, um mix de areia e pedrinhas frequentado quase que exclusivamente por gaivotas e patos) e me cobrir os pés, e depois os tornozelos, e depois quase até os joelhos enquanto um sentimento inexplicável de gratidão aliviava a sensação de nostalgia antecipada.

Na última manhã, enquanto eu procurava desesperadamente por mais caixas para abrigar o resto do mundo que estava transportando para o outro lado do canal, a porta azul aberta trazia para dentro da casa o canto dos pássaros, o zumbido dos insetos, o cheiro enjoado do honeysuckle e a primavera através das cores das folhas que acabavam de nascer novamente.

Minha relação com esse lugar foi um mal entendido desde o princípio. Seis anos de clausura no paraíso e agora eu tenho a cara de pau de ir embora sentindo que não me despedi direito. Pieguice de última hora, apego ao conhecido ou simplesmente amor aprendido pelo impacto do silêncio, o contraste entre a natureza quase intocada e a beleza obsessivamente cultivada e condensada em poucos quilômetros, esse vento constante que nunca me deixou sentir calor totalmente nesse lugar estranho, que não é exatamente um país mas não faz parte de nenhum outro. Que não é como nenhum outro.

Vou nos poupar das minhas analogias pseudo poéticas. Vou fechar essa porta, terminar o meu chá e voltar para as caixas.

Asleep.

sing me to sleep
sing me to sleep
i’m tired and i
i want to go to bed

sing me to sleep
and then leave me alone
don’t try to wake me in the morning
‘cause i will be gone

don’t feel bad for me
i want you to know
deep in the cell of my heart
i will feel so glad to go

there is another world
there is a better world

“well, there must be.”

St. Saviour’s cemetery, Jersey.
Lyrics: Morrissey

Mercado de Natal Normando

Fui visitar o mercadinho de natal no centro da cidade com Respectivo. Todos os anos comerciantes franceses cruzam o canal vindos da região da Normandia para vender seus produtos em Jersey. Pode-se encontrar diversos produtos artesanais – queijos, bebidas, doces, bolos, sabonetes, bordados e até mesmo legumes e mistletoes (aqueles galhinhos com pequenas frutas brancas; segundo a tradição, você deve beijar a pessoa que passar debaixo dele com você para ter boa sorte).

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Aqui eu realmente queria comprar a abelha, não o mel. Não estava à venda. :(

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Amigão preparando a nossa galette de queijo e presunto; repare na cor das unhas do cidadão… Eu só percebi depois que vi a foto. Eww.

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A galette em si. Achei a massa meio azeda, mas não tivemos nenhum efeito colateral indesejado após a ingestão.

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A árvore de natal do mercado e o velhinho com o acordeão. Eu pensei que ele fosse de passar um sabão (nada artesanal) por eu ter feito a foto sem pedir, mas ele simplesmente estacionou do nosso lado e ficou contando piadas (!). What a sweetie.

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E depois fomos almoçar, porque nem só de galette vive o homem:

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The big freeze

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A neve caiu de novo e o país ficou paralisado (em alguns lugares mais do que em outros). Muita gente que comprou presentes online não vai recebê-los até depois do Natal; e lá vai o povo explicar pra criançada como é que a neve “atrasou o Papai Noel” se ele já devia estar acostumado pois vive no pólo norte e, além do mais, ele tem um TRENÓ! VOADOR! Bem, eu também ficarei sem “presente”: meu laptop novo (comprado com o dinheiro do seguro recebido porque encharquei o anterior de cerveja… yes, silly me) provavelmente só vai dar as caras por aqui depois do Natal – e eu comprei há duas semanas… Cartões de Natal ainda na gaveta, porque de que adianta ir ao correio postá-los se o aeroporto está fechado?

Não resta muito a fazer além de, como recomendado pela polícia (cansada de ir resgatar motoristas teimosos atolados), ficar em casa e curtir o cenário de snow globe.

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Por fim, pausa para o café. :)

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Snowed in.

Coisas de Jersey: nevou? Aeroporto fechado. Aeroporto fechado? Não tem jornais. E nem correios, encomendas, gente voltando para casa, nem eu indo para Londres comprar um casaco de inverno porque os meus estão caindo de podres e nada aqui me agrada (ou então custa os olhos congelados da minha cara). Me respondam: Por que está nevando no começo de dezembro? Nevou em novembro! E nem é inverno ainda! CADÊ O AQUECIMENTO GLOBAL???

*hiperventila*

Ontem saímos para comprar pão e leite e levamos uma hora para cobrir um trajeto de menos de cinco minutos. Antes que pudéssemos sair de casa, anunciaram que as escolas iriam fechar mais cedo porque a “nevasca estava aumentando” (por “nevasca” leia três centímetros ou menos de neve no chão… socorro) e as criancinhas poderiam ficar presas no colégio. Uma das razões pelas quais eu não posso ser mãe foi ter imediatamente pensado “se o filho fosse meu eu daria uma desculpa qualquer para não ir buscá-lo, tipo estrada congelada ou o motor do carro parado e yaaay, livre das pestinhas por uma noite!!”. Digo isso sem medo algum de ir para o inferno, já que nem o Diabo me quer lá.

Enfim. Felizmente nem toda mãe é como eu (do contrário a humanidade já estaria extinta; não que isso seja de todo mau) e logo um engarrafamento monumental de mamães nos seus people carriers gigantescos tomou conta das estradas.

Outro problema da neve é a existência das Pessoas Sem Noção Que Têm Carro Mas Não Sabem Dirigir. Ok, elas enchem o saco em qualquer estação, mas atrapalham especialmente em condições climáticas periclitantes. Motorista a cinco quilômetros por hora só porque tem neve fresca na estrada (e outra fresca dirigindo, mas tentemos evitar ofensas pessoais).

Quer ouvir a única boa notícia do dia? A cerimônia de acender as luzes de natal na cidade foi cancelada porque a atração principal da festa, um grupo de SAMBA, ficou preso no aeroporto. Risos.

Ok, para compensar todo esse stress sazonal, compramos o mercadinho inteiro. Temos comida para um mês. Agora pode nevar à vontade, porque eu vou hibernar até o natal olhando a neve pela janela como se eu existisse dentro de um snow globe.

O inverno se adiantou tanto que saiu atropelando os frutos do outono:

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EDIT: acabei de me dar conta de que esquecemos de comprar catchup. AAAAAAAAHHHH!!!

Beach walk.

Andar na praia. No inverno é mais legal.

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Depois almoçar no La Pulente, um pub/restaurante com essa vista:

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Minutos antes de fazer a foto dos meus pés (com as fatídicas Melissas comedoras de calcanhar) quase fui atropelada por um ciclista. Descendo os degraus, numa área restrita a pedestres. Buzinou e passou a dois centímetros do meu pé, não olhou para trás e seguiu em frente.

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Outono 2010

Primeira caminhada desse outono – é, eu sei: vergonhoso. Hoje o dia amanheceu nublado, porém sem chuva ou vento e fomos até Waterworks Valley, uma pequena represa bem no meio do vale de Saint Lawrence. A maioria das folhas das árvores já havia caído, por isso não tive muita vontade de fazer fotos. Mas foi bom respirar um pouco de ar puro antes do almoço dominical, esticar as pernas, sair da frente do computador/TV/livro e me lembrar que, apesar dos pesares, essa ilha é um dos lugares mais bonitos que já vi – e que fotos (as minhas, especialmente) não fazem justiça.

Me apaixonei por essa casinha no meio do vale, à beira da reserva.

Tenho essas botas há anos e raramente uso. São confortáveis, quentinhas (forro de pele de ovelha) e com uma vibe folk que muito me agrada. Tenho outro par igual, só que em vermelho. Decididamente vão sair do armário com mais frequência nesse inverno.

Levei a pequena Yotsuba no bolso do casaco para fazer companhia durante a caminhada:

O inverno promete vir congelando esse ano, mas vamos repetir o mantra:

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Flowers in the window

Ano passado eu comprei alguns gerânios porque queria encher os fundos da casa com eles. Pintar as paredes de branquinho e deixar o espaço com um ar de jardim mediterrâneo. Meus gerânios se mantiveram firmes e fortes durante o ano inteiro, alguns até pegaram neve – um deles sequer parou de florescer durante todo o inverno! Esse ano comprei mais alguns no começo da primavera e depois de muito “tomato feed”, água e sol eles já estão enormes. Não consegui pintar as paredes ainda, mas uma coisa de cada vez.

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E meu amor por garden centres só cresce.

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Gorey Bay

Caminhada para aproveitar um dia lindo.

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Eu não fazia idéia, mas estava rolando a Fête du Mer (ou coisa que o valha) no pier de Gorey.

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Turminha da escola local na percussão.

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Moças tocando melodias irlandesas.

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Cupcakes.

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Quase radioativos sob o sol.

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Pena que meu lookinho não combinavam com o clima:

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Mas tudo acaba bem se acaba em cerveja no pub.

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E uma vista como essa. :)

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Castle Green

Fomos almoçar no Castle Green, um pub que agora se intitula “gastropub”. Geralmente essa mudança de nome se traduz por comida pretensiosa e ruim, o que costuma me manter à distância. Por sorte dessa vez eu estava enganada. Não é a melhor comida que provei aqui, mas nem de longe ficou entre as piores. E a vista sem dúvida compensaria uma eventual escorregada no menu:

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O decór é bonitinho, e toda a cerâmica era Jersey Pottery. Sempre uma boa idéia apoiar a economia local. :)

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E agora, a comida. :) Ele começou os trabalhos com um presunto italiano que eles estavam cortando na hora. Eu até me senti tentada, mas preferi sushi/sashimi.

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Prato principal: peixe. Por mais que pareça um prato de minhocas empanadas. Mas ó, estava gostoso.

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Qualquer coisa que venha acompanhada de batatas me interessa. Aí embaixo temos um medalhão de porco, uma english sausage e uma fatia de black pudding (chouriço – a versão daqui leva mais temperos do que a brasileira).

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Jardins de Rozel.

É costume aqui por essa época e até o fim do verão abrirem os jardins das manor houses (mansões tradicionais de famílias locais) ao público para fins de caridade. Paga-se uma pequena taxa pela entrada, dá-se algumas voltas pelos jardins imaculados, inveja-se fortemente o poder aquisitivo dos bem nascidos, bebe-se o obrigatório chá com bolinhos e sanduíches variados e, depois de algumas fotos e interação social com idosos e jovens famílias (o público alvo desse tipo de evento), todo mundo volta pra casa. Bem civilizado.

Há algumas semanas foi a vez da Rozel manor (cada “bairro” tem a sua própria); era pertinho e fomos andando. A capela medieval à beira do lago, as plantas muito bem escolhidas e posicionadas, tudo lindo.

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Seguindo pela trilha das bluebells com os novos sapatinhos vermelhos indefectíveis.

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Manor house.

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É hora do chá; vai um bolinho, biscoitinho ou scone?

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Babei nos morangões radioativos de tão vermelhos, pena que os cupcakes eram sem glúten.

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Old windows, old money + minha singela compra: um pote de margaridas.

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Difícil acreditar que tudo isso seja o jardim particular de alguém, não é? :)