We’ll call it Christmas when the adverts begin.

Os chás não têm, na verdade, gosto de abacaxi, laranja ou maçã.
Mas eu gosto das embalagens.

Chá novo e revistas velhas.

Os comerciais de natal começaram na TV. Ainda não vi o da John Lewis, que todos os anos produz alguma peça sentimental que vira o assunto da semana. Confesso que o único de que eu gostei foi esse, de 2010. Outro dia vi o primeiro anúncio natalino da Coca Cola de 2014 e me assustei: o ano oficialmente acabou.

Por essa época os jornais chegam pesados de catálogos de coisas que eu não tenho interesse em adquirir e usei-os para fazer uma fogueirinha no quintal. Comprei mais uma caneca para a minha coleção de louças da Ikea. Fiz doze quadradinhos coloridos de crochê; faltam apenas mais 348 para a colcha que eu provavelmente nunca vou terminar. Passei duas horas tentando pôr prateleiras na parede da cozinha (sem sucesso), assistindo Big Trouble in Little China com os meninos e pensando em como é terrível passar o Natal no Brasil e como é bonito o Rio de Janeiro no inverno. Saudade e alívio.

Yet another sunday.

The Summer is tragic.

Meus CÍLIOS estão ardendo. Minha NUCA está ardendo.
Estou queimada em partes do corpo que eu não sabia que tinha e olha que eu estava bem mais coberta do que a temperatura pedia. Meu Babybel DERRETEU na bolsa e isso porque a temperatura não passou dos 28 graus – mas tente sobreviver a isso num engarrafamento de saída escolar sentada do lado do sol (eu SEMPRE escolho o lado do sol no ônibus; quem disse que não tenho talentos?) na janela que não abre (que pena? ainda bem?) cozinhando por uma hora e meia depois de ter passado meses hibernando. Certeza que eu ganhei um câncer de pele (ou trinta) hoje and I’m not amused. Duas semanas tá bom, né? Já é o bastante, né? Chega, já deu, enough, basta, cansei de verão – CORDEI KERO OUTONO.

Até porque já consegui, depois de muitas tentativas falhas (e molhadas…), fotografar os veadinhos de Richmond num dia de sol, SEM CHUVA. ♥

Yeah, that’s what we do on sunny days. :)

Hoje, apesar da insolação, tive um dia supimpa; fui a Debden e descobri que Debden não é uma localidade, é uma abstração, porque é o único lugar do universo conhecido cuja filial do Sainsbury’s (supermercado) não tem banheiro. Isso desafia ao mesmo tempo a ordem mundial, as leis da Física, as regras da FIFA e quebra a netiqueta. Ser mulher e ter bexiga pequena é uma coisa complicada e chata, especialmente quando ela passa uns dois dias trabalhadíssima em se livrar da retenção de líquido – ou seja, obrigando você a fazer xixi de 5 em 5 minutos.

Too much information? Too bad. Dane-se.
Too much xixi é bem pior – especialmente quando não tem banheiro no Sainsbury’s. Consegui um honesto num posto de gasolina (ÚNICO outro lugar ainda aberto naquele fim de mundo às CINCO da tarde), mas postos de gasolinas não são exatamente famosos pela qualidade dos seus banheiros. Nesse, por exemplo, eu encontrei uma revista pornô jogada no chão (classy…) e o porta papel higiênico estava trancado com cadeado. I kid you not:

(vou omitir a foto da revista em nome dos menores de idade que talvez esbarrem nesse blog; estava aberta numa imagem particularmente indecorosa e eu não quis pôr a mão ali pra virar a página, sorry).

Vi um homem passando na rua em Leytonstone com uma cobra amarela GIGANTESCA pendurada no pescoço, e logo atrás uma senhora carregava nos braços um bebê usando uma espécie de burca. O BEBÊ, não a senhora. Como a senhora em si não estava usando burca eu imaginei que a vestimenta da criança pudesse ter objetivos irônicos. Fiquei parada olhando para a dupla e apostando mentalmente quantos minutos se passariam até que algum muçulmano ofendido viesse tirar satisfações (da SENHORA, não do bebê), mas ela continuou andando e virou a esquina incólume. #ThisIsLondon

Tomei um latte ruim (felizmente barato) numa patisserie (único lugar não totalmente ocupado por homens esquisitos) em Leyton a fim de ter um motivo válido para usar o banheiro. Sim, de novo.

Também passei por um lindo campo aberto em Woodford Green, cuja grama que provavelmente foi verde durante a primavera já secava sob o sol. Duas crianças totalmente vestidas de preto brincavam com uma bola laranja e fiquei pensando que em breve será Halloween de novo. E com o Halloween virá Outubro, virá o outono finalmente e as folhas do carvalho vão novamente entulhar o meu jardim. Yay.

Tentei comprar sapatos em Walthamstow. Sem muito sucesso.

Em Loughton ouvi um HELLO GORGEOUS de um velho careca, sentado ao volante de um Bentley conversível azul marinho com estofamento off-white e placa personalizada. Anotei o número da placa. Nunca se sabe.

Bittersweet.

Sempre que volto do shopping de busão passo por essa fachada e fico torcendo para que o sinal esteja vermelho e eu possa admirá-la por mais do que apenas alguns segundos:

O sábado foi dedicado a english sausages + bacon no Log Cabin Café e muita escavação no jardim selva.

Afofamento de gatos:

Foi também um dia de introspecção e reflexão. Estou atravessando uma daquelas fases, que felizmente vai embora tão rapidamente quanto chega. Mas enquanto estiver por aqui é preciso auto-análise. E agradecer por toda a bosta que eu não preciso mais engolir na vida, o que faz com que os pequenos incidentes desagradáveis sejam encarados com perspectiva. Para conseguir ser feliz na vida que eu tenho é preciso aceitar a que eu não tenho – porque ela até poderia ser melhor (ou não?), mas também poderia ser muito, muito pior.

Even in the middle of the winter we must realise there’s a garden inside that needs tending.

E apesar de alguns momentos amargos…

(faltou uma apóstrofe ali?)

E conforme me foi solicitado no instagram, receita da queijadinha sem (muitos) carboidratos:

1 ovo, uma colher de sopa cheia de cream cheese, duas colheres de sopa de leite de coco, duas colheres de sopa de coco ralado (sem açúcar, pfvr), 20-30 gotas de adoçante líquido, fermento, 3 minutos no microondas (potência alta). Voilá! Fica bem comível e sacia o desejo por doces de quem faz restrição de açúcar/farinha. A receita pede que se leve à geladeira, mas eu comi quente mesmo porque: sim. :)

E agora de volta ao jardim. Plante, Lolla, plante… ;)

My mind is calm and animal and sharp and reborn

voltei à kensington, agora com 3g; da última vez a vodafone tinha falhado comigo. me apaixonei por uma menina japonesa na plataforma do metrô – pele de porcelana, cabelos negros longos e lisos, visual goth chic: saia longa, botas e jaqueta, tudo preto, tudo caro, tudo lindo.

a estação de metrô da high street também é linda. na rua, dois jovens distribuíam amostras de uma bebida nova e ganhei uma caixinha de café latte com água de coco. apenas 6.6g de carboidrato por 330ml.

encontrei por acaso um pequeno jardim no meio de um quadrilátero de casas geminadas de rico, com muitas cerejeiras e magnólias em flor – uma visão. achei graça quando fiz check in no 4square e algumas pessoas recomendavam o jardim afirmando que “era bom para fazer picnic ou jogging” – o que provavelmente era mentira ou ironia, uma vez que o jardim é privado e é preciso chave (privilégio dos moradores) para entrar.

segui andando e encontrei a igreja e fiz fotos do cemitério, o chão coberto de daffodils. sentei numa mureta para tomar café da manhã (queijo que trouxe de casa + a tal bebida que ganhei, relativamente bebível).

uma coisa engraçada é que vi umas poucas pessoas passando por mim, inclusive uma mulher com uma menininha, todos saindo de um portão do meu lado esquerdo; terminado o “recreio” tentei sair por ele também e me dei conta de que não era um portão e sim uma extensão da grade. não havia um lugar por onde aquelas pessoas poderiam ter entrado, e eu procurei. vamos lembrar que eu estava sentada num cemitério. creepy.

na verdade tive sorte de não conseguir sair por ali. dei a volta e já ia indo embora quando percebi uma entrada lateral, um túnel com teto ovalado. segui por ele e encontrei a fachada frontal da igreja. havia algumas pessoas dentro, uma senhora junto com um homem de meia idade, e outra mulher com uma menina – de uns 10 anos, mas vestida tradicionalmente de criança em cores clássicas, como os ricos costumam fazer. dois pequenos jardins onde pessoas comiam lanche, conversavam ou futucavam celulares. a senhora e o homem de meia idade e a menina pareciam me observar. anos de self conciousness me ensinaram a perceber olhares com o canto dos olhos. a menina olhou para a minha bota, eu pus os óculos e fui embora.

Esse lustre é e-nor-me.

entrei em algumas lojas da high street, inclusive uma pc world onde os vendedores me sorriam quando entrei e me tratavam por ma’am. peguei um ônibus para willesden onde fui apresentada a um autêntico cafezinho servido numa deli portuguesa. sentei numa mesa da calçada ao lado de dois hipsters gatos – que por acaso eram gaúchos. willesden é uma espécie de gueto brasileiro, i shouldn’t be surprised.

kensal rise. ladbroke grove. notting hill. desci de propósito no lado errado de portobelo road para poder caminhar por ela até a estação. pessoas em bandos. algumas lojas fechando. portobello tem uma vibe diferente durante a semana, sem a multidão de turistas ou de barracas vendendo lixo vintage. choraminguei com a cara boa das pizzas na porta do arancina, encontrei um amigo e entramos para um café. pela janela do primeiro andar olhei as cabeças passando apressadas lá embaixo e uma melancolia com gosto de caafé expresso me pegou. roubei azeitonas da pizza alheia e me arrastei até o metrô, onde peguei meu evening standard do dia e um cara tentou me fazer entrar numa loja e comprar uma bolsa louis vuitton usada.

sebos de livros. ♥

foco is overrated. ♥

comprei três revistas new yorker numa charity shop, a mais velha de 1960 e a mais nova de 1976. 50 centavos cada uma, eles tinham uma caixa cheia, mais de 100. eu quis levar outras, mas o peso se tornaria insuportável para carregar – especialmente na sacola de supermercado com alças finas que me deram e cortaram meus dedos. a idéia era usar para fazer colagens, sempre é. mas eu tenho dezenas de revistas antigas (anuários fotográficos, catálogos, revistas semanais femininas, etc), todas compradas com o mesmo propósito e jamais cortadas porque tenho pena de destruir algo que resistiu intacto por tanto tempo e é mais velho que eu. uma espécie de reverência sem sentido porque afinal é só papel, de tiragem não-limitada. mas o que importa é o pedaço inadulterado de história nas minhas mãos.

acabo tirando muitas xerox.

can you hear me calling you?

fui para hampstead heath e resolvi entrar naquela manor house no meio do parque, kenwood. o lugar estava cheio; dentro da casa velhas e velhos com cara de upper middle class, twin sets, pulôvers de cashmere, jaquetas de couro, sapatos de verniz, cachecóis de lã merino, observavam com atenção os quadros na parede – e a mim, de rabo de olho ou abertamente, desrespeitando a regra número um de ser inglês que é não encarar ninguém abertamente. judeus circulavam em pleno sabbath e um grupo de meninas adolescentes tagarelava em volta de um filhote de springer spaniel, o sotaque cortante compondo a trilha sonora da tarde. o restaurante estava lotado, mas conseguimos tomar um latte no jardim e depois descer a bishops avenue (vulgarmente conhecida como “avenida dos bilionários”, posto que perdeu há tempos para outros endereços) rindo daquelas casas caríssimas, porém horríveis.

terminei cedo a noite anterior, cantando mr. brightside meio bêbada num karaokê em camden. a idéia era não passar da minha habitual taça de prosecco vagabundo, mas alguém abriu um sauvignon blanc na mesa e nada mais me lembro, berenice. antes disso fomos buscar pessoas que não tinham carro mas também não estavam, digamos, “em condições” de utilizar transporte público. a casa ficava em east finchley, era uma terraced vitoriana caindo aos pedaços, com sacos de lixo jogados ao lado da porta que pareciam estar ali há séculos e ervas daninhas brotando de cada uma das rachaduras no cimento. um rapaz magrinho com cabelo black power e camiseta superdry abriu a porta justo quando eu estava me preparando pra fazer uma foto das molduras de madeira apodrecida na marquise. a idéia era não entrar, mas dez minutos depois eu estava sentada com uma lata de cerveja na mão numa pilha de lencóis amarrotados em cima de um colchão de casal no chão de um quarto imenso, mas praticamente desprovido de qualquer outra mobília além de um frigobar vermelho, um macbook e malas de viagem tamanho jumbo.

na sala umas cinco pessoas falando no celular ao mesmo tempo e eu fui ficando ansiosa e aquela sensação de algo sufocando dentro de mim e cravando as unhas por dentro da minha pele tentando rasgar e sair e respirar, e eu comuniquei o fato da maneira mais blasé possível e me deram uma cartela de calmante e se passaram uns bons anos desde a última vez em que vi uma dessas – mas a prudência não me permitiu experimentar. peguei outra latinha de fosters pra tentar relaxar e eu odeio fosters. já que estava bebendo mesmo aceitei também um punhado de pringles. fui pra janela tentar respirar um pouco de ar puro, não adiantou, fui ao banheiro e havia uma quantidade assustadora de sacolas de supermercado (cheias de sabe-se lá o quê; me pareceu tecido/roupa) com as alças amarradas dentro da banheira. o banheiro não tinha tranca. alguém sintonizou o rádio na Radio 1. pedi em privado por favor pra ir embora, e aí três pessoas entraram no banco de trás do carro com a gente e eu só pensava em ir pra casa.

porém uma hora depois eu estava comendo lulas recheadas de chorizo + risoto (o arroz, com forte sabor de manteiga, preto por causa da tinta da lula) e depois um peixe cujo nome esqueci envolto em bacon com cuscuz e abóbora e berinjela ao forno. eu não gosto de peixe. não tive coragem de dizer. nem de pedir sobremesa e o café não me ajudou a ficar sóbria ou calma. o serum da boots + exfoliação diária realmente está deixando a minha pele melhor mas eu vou ter que passar fome por duas semanas porque minha retenção de líquido está gritando. contei e tenho 80 doses de rivotril, provavelmente vencido, da caixinha que a L. me deu ano passado. em condições normais eu realmente não preciso, mas pelo andar da carruagem vai ficar cada vez menos provável ficar ok sem química.

março, de fato, está sendo difícil.

Me and Charles Manson like the same ice cream

don’t you just hate when a day that had everything to be amazing ends up being a complete car crash?

pessoas vendendo flores na beira da estrada, uma maldita banquinha a cada 100 metros. um carro parado no acostamento com um pneu estourado, portas abertas e cinco caras bêbados dançando ao som de paint in black, dos stones. duas raposas atropeladas. tori amos no meu mp3 player, caught a lite sneeze. uma embalagem de praline sugarless chocolate derretendo na minha bolsa. alguém com dor de dente. um acidente de moto perto de billericay. nenhum morto, ou pelo menos não vi. céu alternando nuvens com nesgas de sol, na maior das más vontades. english breakfast num café que tentou sem sucesso uma decoração criativa – as mesas forradas com union flags e os olhos azuis muito claros do menino bonito que veio anotar meu pedido tinham cara de partido nacionalista. acabei confusa: “você poderia me trazer café ao invés de café?” e o menino bonito sorriu e respondeu “sim, eu posso trazer café ao invés de chá“ e eu afundei na cadeira. o café era ok, embora tenha vindo com leite sendo que eu não pedi leite. os tomates eram em lata – gostosos, mas cheios de açúcar. bacon e os ovos ok, mas as salsichas eram desprezíveis; por 6,95 eu esperava salsichas de verdade, não rolinhos de farinha.

fomos multados porque o bilhete de estacionamento virou de cabeça pra baixo com o vento quando fechamos a porta do carro e não dava para ver a data. na b&q enquanto eu procurava tintas uma onda de frustração com a falta de cooperação, energia, entusiasmo, vontade de viver das pessoas me bateu e quase me afoga. uma sensação de impotência, de desistência, de desesperança, de who gives any fuck to any of this and why am i pretending to. escapei e fui andar na cidade, sem bolsa e só pus no bolso do casaco celular, chave, cartão de crédito e o mp3 player, que ainda tocava tori amos. tear in your hand. maybe she’s just pieces of me you’ve never seen. sendo domingo as lojas já fechando, bairro estúpido. as ruas cheias de gente horrível, ainda mais horríveis que durante a semana – devem sair do esconderijo aos sábados e domingos. agradeci pelo mp3 player; eu podia ter que olhar para elas mas pelo menos não tinha que ouvi-las. comprei coisas desnecessárias (revistas, livro) e necessárias (macarrão low carb, um gaveteiro de acrílico). não achei um único café aberto onde eu pudesse me sentar e passar o tempo ouvindo música e lendo o livro. bairro estúpido. vi um rato morto gigantesco na calçada. carreguei tudo para casa, repassando o dia na cabeça. olhar o mar, ouvir o mar, as gaivotas, me fez ter saudades de jersey. what the fuck am i doing here. what the fuck am i doing.

está difícil, eu sabia que março ia ser difícil mas há dias em que está sendo pior do que o esperado. inferno astral é uma piada, a menos que tenham registrado meu nascimento em janeiro por engano. março sempre é terrível. as cerejeiras e magnólias em flor são lindas, a primavera tem sido gentil com meus olhos, mas é só.

It’s too fleeting. We can only hold on to the memories.

Sou hipocondríaca porque sou ansiosa ou sou ansiosa porque sou hipocondríaca? Aperto as axilas, sinto os braços, observo xixi, cocô, procuro sinais de icterícia no branco dos olhos, faço notas mentais das dores, presto atenção no meu caminhar, checo as unhas, apalpo os seios, busco por gânglios. É estranho, estou sempre avidamente procurando por coisas que eu não quero encontrar.

Semana passada na nossa “dvd night” apresentei Howl’s moving castle e Grave of the fireflies no dvd player improvisado: laptop + monitor. O dvd player da casa por algum motivo não roda a versão em japonês com legendas em inglês e assistir anime dublado is rather pointless.

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Liz Jones, jornalista inglesa, foi cobrir uma festa do oscar e o taxista disse que percebeu alguns paparazzi fotografando-a. “Eu não sou uma estrela de cinema!” respondeu ela, e o taxista disse que de fato ela não se parecia com uma. A jornalista, vagamente indignada, pergunta qual a diferença. “20 anos e 20 quilos”, respondeu ele.

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Uma coisa que me irrita em cafés: você se aproxima e começa a ler a lista de bebidas quentes. O lugar está tranquilo, não há fila. O atendente se aproxima, diz olá, você responde e ele fica ali, na sua frente, encarando, como se estivesse te forçando a decidir. Posso até ouvir os pensamentos: “por que ela não escolhe logo? não é como se houvesse centenas de opções!”. Amigo/a, eu nem mesmo estou perto do balcão, estou lendo a uma distância que deveria informar que eu não estou esperando atendimento, apenas tentando ler/escolher em paz. Posso? Acho que alguns baristas estão acostumados a pessoas que fazem o mesmo pedido todos os dias, já sabem de cor o que vão querer e chegam despejando “olá – bom – dia – um – chai- soya – latte – médio – e – um – panini – de – queijo – e – cebola – por – favor”. Bem, não é assim comigo, e a pressão daquela pessoa me encarando sem piscar sempre me faz pedir qualquer coisa para me livrar dela e sempre acabo me arrependendo. Hoje, por exemplo, concluí que era pra ser latte mas pedi cappuccino. Estava horrível.

Sorry, Costa. Mas estava. Café ruim sempre será ruim e não pode ser consertado com nenhum outro ingrediente. Ingleses parecem achar que café forte é sinônimo de café amargo. Não, não é. Café amargo é sinônimo de café queimado. Cafezinho tradicional brasileiro, italiano, francês é forte sem ser intragável.

Essa semana durante as minhas andanças esbarrei em DOIS lugares na cidade servindo um café decente. É uma surpresa tão grande quando isso acontece que estou quase escrevendo um guia dos melhores, a fim de que turistas não sejam obrigados a sofrer sorvendo uma bacia de água suja/sopa de jiló. Pena que esses estabelecimentos quase nunca estejam localizados em rotas turísticas. A dica é procurar pequenos cafés familiares. Eles podem até não ter wi-fi (nunca funciona direito anyway) nem poltronas chiques para se sentar em meio ao decór modernoso e os hipsters batucando ipads; mas de que adianta tudo isso se o café é uma porcaria? E depois esses “cafés de grife” precisam menos do seu dinheiro do que aquela família de imigrantes ali, que depende da pequena clientela fiel para pagar o colégio dos filhos. Pronto, cabou o discursinho politicamente correto da semana, podem vomitar agora (o que um café ruim não faz).

Café decente numa pequena deli portuguesa em Willesden. ♥

Me recomendaram alguns produtos para cuidar da pele. Marcas: RoC, Aveeno, Neutrogena. Devem ter retinol e vitamina c/e. Pela manhã, lavar e hidratar. Retinol à noite. Se tudo falhar, chemical peel. Ou simplesmente desistir e comprar um cardigan e um par daqueles sapatos de avó que eles vendem na Clarks.

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Cora Corré (16 anos) deu uma entrevista para a Tatler dizendo que aos 10 anos vestiu jeans para ir com sua avó Vivienne Westwood ao British Museum. Vivienne disse “oh that’s so boring, it’s better to look good and be in pain than be comfy and look like shit”. Cora respondeu “I’d rather look like me than look like you and be in pain”. Touché. “Sofrer pela moda”, com 10 anos? Sério, minha senhora? And this is why everybody hates fashionistas.

Happy kitty. Ela espera o ano todo pelo sol, e quando ele chega, she can’t get enough:

they see me rollin’, they be hatin’

I’ve had my fun, now it’s time to serve your conscience.

Previsão da meteorologia: tempo firme, períodos de sol, 12 graus. Peguei o guarda chuva de 3 reais de novo (apenas por precaução) e rua.

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Fui fuçar a loja da & Other Stories (irmãzinha metida a besta da H&M) na Regent Street, que de fato é uma graça, decoração com jeitinho de “zakka escandinava” e não (muito) cara.

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Alguns sapatos são bem legais; experimentei essas botas, mas preferia que fossem mais justas na perna. Pra quem curte salto gostei desse aqui – mas queria que essa moda de sapatos com recortes passasse logo, não é exatamente bonito ou prático, as cópias se multiplicam e fica tudo muito igual. Os produtos de beleza/maquiagem parecem ser bons e as embalagens minimalistas (e preços relativamente baixos) me animaram, mas não comprei nada – yay. :)

Saí de lá e fui choramingar na Anthropologie, cheia de coisas bonitinhas para a casa e umas velas aroma “pêra com creme batido“ realmente incríveis, além de outros objetos e uns vestidos na casa dos 150 paus que eu compraria se fosse menos pão-dura e se o clima desse país permitisse o uso de vestidos por mais de duas semanas por ano.

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Esse paredão verde é natural. ♥

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Não entendi muito bem a proposta ”ratos e urubus, larguem minha fantasia“ desse display aí embaixo, mas enfim.

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Entrei na Liberty pra tomar um café (eu sabia que tinha um lá dentro, só que nunca tinha sentado nele), mas assim que me deparei com a plaquinha WAIT TO BE SEATED eu me dei conta que não era um café estilo “um expresso e um misto quente, pfvr” e sim um café as in “madame prefere suas lagostas com ou sem creme de conhaque?”. Dei meia volta, procurei em vão um banheiro, subi até o andar de móveis e me APAVOREI com os preços e saí de lá voada. A Liberty é uma gracinha com sua fachada mock tudor e seu interior que te faz sentir a Ana Bolena – mas não pense em comprar nem mesmo UM DEDAL lá dentro.

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O que é uma pena, porque o departamento de papelaria e seus cadernos cobertos de papel ou tecido com as famosas estampas Liberty é uma tentação:

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“Por favor, não sente nas cadeiras” – Sim, mas é CLARO que eu vou pagar cinco mil dinheiros numa poltrona SEM PERNAS sem nem mesmo testar se são macias antes…

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Mas olha esse teto de vigas de madeira e multiplica (na minha casa), Senhor:

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As escadarias também são uma atração à parte.

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Fui procurar banheiro onde sabia que ia encontrar – na Selfridges. Sempre limpinhos e decentes. A pegadinha é que o banheiro fica bem ao lado da livraria. Ou seja, pode acabar não saindo de graça…

Esses letreiros luminosos com lâmpadas e/ou neon estão bombando por aqui. Mas se eu quisesse um teria que fazer eu mesma – o “Love and Kisses” aí embaixo, por exemplo, custava 1600 libras. O.o

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Orgia de canetas. Agora você já sabe o que as suas BICs ficam fazendo quando desaparecem. “Ele vai dar uma grafitada na hidrocor dela”

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Saí correndo e fui aproveitar a não-chuva para expôr a figura no Tâmisa. Frio do inferno, no entanto, e como era HALF TERM (micro férias escolares, que eu nunca entendi…) eu me dei mal porque o lugar estava lotado de criancinhas correndo aos gritos. Delightful.

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Vendendo o peixe:

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Mas buscando o ângulo certo dá até pra acreditar que a cidade está quase vazia e é só minha:

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Como havia esquecido meus cartões em casa, contei as moedas e vi que dava para almoçar. Mas aí me deparo com isso aí embaixo e, well, fazer o quê? Fiquei com fome. :)

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Trying hard to recreate what had yet to be created

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Depois de mofar em casa no domingo com a PEOR gripe dos últimos anos eu acordei um bocado melhor – embora ainda tossindo – e fui comprar lixo pra comer hoje porque eu mereço (L’Oreal). Apenas 8:30 da manhã e eu achei que o shopping ainda estaria fechado (não estava, mas eu não sabia), e sentei no Costa para fazer uma horinha. O erro começou com o pedido: o chai do Starbucks »» chai do Costa, que é uma bosta. Insípido e para piorar servido num desses copos EXTREMAMENTE irritantes:

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Sério, não existe nada pior do que tomar bebida quente num copo dessa altura, pesado, quente e com uma micro rodelinha onde segurar. É altamente desconfortável. NINGUÉM compra esse tipo de copo pra tomar café em casa. Existe um motivo para isso e as cafeterias precisam se dar conta. Se não for esse copo desgracento são aquelas xícaras largas feito panelas, porém baixas que eles enchem até a tampa e você fica morrendo de medo de o café entornar e quase pede um canudinho. Gente, isso é vasilhame pra servir SOPA, não café. Custar usar as canecas que todo mundo tem em casa? Custa não querer justificar os preços astronômicos servindo uma quantidade oceânica de café que vai estar frio quando a gente finalmente conseguir terminar? Que puxa.

Mas pelo menos estava tocando Blur. Could be worse (?).
End of middle class coffee powered rant.

Fiquei meio chateada ao perceber que poderia ter comprado tudo o que comprei aqui mesmo no mercadinho da esquina, a três minutos de casa. Melhor, podia ter pedido pro Respectivo comprar ontem, me poupando de sair de casa hoje tossindo feito uma velha tuberculosa e correndo o risco de ter uma recaída da gripe. Delightful. Fuck my (coughing) life.

Mas tudo se torna relativo quando entro em casa e me deparo com isso:

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Durante toda a manhã a sala ficou inundada de luz. Bom para as plantinhas e para o espírito de quem há meses só via chuva, vento e água quando olhava através das persianas. Às vezes acho que preciso de cortinas de verdade para essas janelas, mas pra que fechá-las? :)

Bonus cat pictures:

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Última semana de fevereiro.
2014, VOLTA AQUI, MENINO!

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Sábado chuvoso, fomos nos esconder no Royal Air Force Museum, em Hendon.

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Bombardeado pelos alemães? “I’ll put the kettle on, dearie…”

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Fume Nosegay. Ok.

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Altos planos para salvar o mundo dos naziheads.

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Levei Little Peach pra dar uma volta. Ele curtiu bastante as exposições, apesar dessa carinha peculiar de quem está tendo que prender gases.

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Respectivo amarradão.

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“Quando Churchill fala, o mundo abaixa a orelha”. Esse display era meio creepy porque dentro da cabeça do Winston tinha uma pequena tela com o rosto de alguém lendo o discurso que estávamos ouvindo. Parecia que a estátua estava movendo lábios e olhos. Cool.

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Little Peach descansando na pecan pastry do Respectivo. Como eu estou de castigo fiquei só no café preto, sem leite nem nada (eles não tinham creme). Felizmente o café era de excelente qualidade (Belize, o nome da marca) e consegui não morrer de depressão.

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Essas coisas amarelas pintadas no exterior da aeronave (um bombardeiro AVRO Lancaster) são bombinhas, e cada uma delas representa uma missão cumprida. A frase “nenhum avião inimigo irá sobrevoar o território do Reich” é do Herman Goering (“fat Herman”, para os íntimos) e, well, digamos que ela representa uma falha épica. Hahahaha.

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– Olha lá, será um pássaro?
– Será um avião?
– É avião sim, SÃO OS ALEMÃES VINDO NOS EXPLODIR, FUUUUUUUU!

Made a plan to be someone, mess it up when the time comes

A pessoa compra um calendário maravilhoso cujo tema é BODES EM ÁRVORES e a namorada se RECUSA a pôr na parede? Vale um pé na bunda.

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A minha “rotina de beleza” consiste em tirar a maquiagem de semana passada. Vá lá, nem tanto, mas a de anteontem ainda mantém vestígios da sua estadia na minha cara. Obviamente a versão para “olhos sensíveis” (e ok, mais barata) do meu removedor de maquiagem não é tão boa quanto a versão “SEU RÍMEL VAI SAIR, MAS SEU OLHO VAI ARDER ATÉ AMANHÃ DE MANHÃ SUA DESGRAÇADA”. Bom saber.

Descobri hoje que eu julgo pessoas com base no seu núcleo preferido em Love Actually. E isso não faz de mim uma fã do filme.

Descobri também hoje que Eliza Doolittle (a cantora) é filha da Frances Ruffelle (a Eponine original do musical Les Miserables) e ainda estou processando a informação.

Aparentemente borrifar vitamina D embaixo da língua “melhora o astral”. Não consigo acreditar que o astral de alguém melhore ante a menção da palavra “borrifar”, certamente uma das mais feias do idioma português.

Fiz o famoso chá de hibisco que ganhei da Rosana e que, apesar de delicioso, não fez o efeito esperado de me pôr pra dormir. Em todo caso, preciso comprar um coador porque o meu strainer não funciona direito (apesar de bonitinho) e coar chá em pano de prato é vintage demais para 2014.

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– Mocinha coreana que ganha dinheiro comendo no YouTube. Dream job or what?
Calendário semanal dos mercados de rua de Londres; pra guardar na agenda.
Estúdio lindo da Teagan White. ♥

Goes straight to my head like the first cigarette of the day

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Tentando melhorar um dia de merda com chá e cinema.

Fui assistir Frozen no cine Première aqui do lado. Cinema esse que eu nem sabia que existia, mas dei um search ao me recusar a crer que o Vue fosse o ÚNICO cinema desta cidade tão grande. Score: paguei quatro pilas no ingresso ao invés dos quase dez que me custariam no Vue. Cinema pequeno é a maior diversão.

Dormi muito mal e acordei me sentindo um lixo, uma pilha fumegante de bosta, frustração e cansaço. Comi um omelete no Liberty (de presunto, porque não tinha galinha), tomei um café com leite (eu nem queria leite, mas ninguém perguntou) e ele foi apresentado a uma xícara de chá pavorosa. Quem coloca o chá em cima do leite e só depois despeja água quente? As garçonetes eram todas do leste europeu, e mediante aquele chá quem prepara as bebidas também é. Uma aulinha sobre os costumes locais para empregados “importados” viria a calhar. Chá ruim não é admissível nesse país e pode quebrar um estabelecimento.

Mas nem tudo é perda. Eu tenho o melhor pijama do universo or what?

jamsies

Phillip Seymour Hoffman foi encontrado “brown bread” em seu apartamento no dia de hoje. Lamento a perda de uma vida, mas a única coisa em que eu conseguia pensar quando lia todas as timelines de todas as minhas redes sociais prestando suas homenagens era que, apesar de eu obviamente conhecer o ator, não conseguia pensar em UM único filme em que ele tivesse participado. Googlei e percebi que, apesar de ter assistido a vários, a atuação dele obviamente não foi memorável pra mim. E não assisto seriados.

A única parte chatinha nessas mortes de celebridade é que se a pessoa resolve não se pronunciar sobre o assunto (por não ser fã, por não saber quem é, por não curtir a celebridade e não querer chatear os fãs com comentários desagradáveis, etc) então ela deve sumir da internet por umas 24 horas até o assunto perder força. Caso ela poste alguma coisa relativa ao novo corte de cabelo ou o calorão na cidade, ela recebe um side eye coletivo e indiretas do tipo “POXA GENTE FULANINHO MORREU SE NÃO QUER FALAR NADA DISSO SAI DA INTERNET MAS NÃO FICA FALANDO FUTILIDADE”

Ah, as redes sociais.

Moving pictures

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Café da manhã dos campeões bacon ovos sausage e tomates na Log Cabin depois Hoxton Dalston Islington Angel Kings Cross Marylebone Queensway e Susana me ofereceu comida que fui obrigada a polidamente recusar e uma sacola de dvds e eu nem tenho tempo de assistir os meus e linguiça guaraná zero e massa de pão de queijo na Casa Brasil e chás + uns bagulhos fritos de porco @ Oriental Market que me deixaram com um gosto esquisito na boca por HORAS e dragõezinhos de papel pra celebrar o ano novo chinês e metrô para Piccadilly e vento frio e sensação térmica exigindo um cachecol que eu não tinha e na Whole Foods não achei os shirataki noodles e em Regent Street não achei mais a Japan Center que mudou de endereço e não me avisou humpf e depois J. na H&M onde comprei meu pijama psicodélico e diet Pepsi (nooo) e pints de real ale e cidra no Spread Eagle e achei meu pulôver de mohair na Zara com 70% de desconto quase de graça e cansaço e casa e pijama novo saindo da sacola.

Hello, February. ♥

You’re older now, and you’re a clever swine

Começando o dia cedo, antes das nove, com um chai latte very spicy seguido por caminhada até o shopping (indo comprar meu bolo, yay!), o sol de inverno brilhando bem baixinho no céu.

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Fuçando a TKMaxx achei esse livro. Que teria comprado, não fosse a preguiça de carregar peso pra casa sendo que ainda teria que passar no supermercado. Só a capa já era linda, fiquei um tempão admirando os logos de bandas/artistas.

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Cada página trazia um grupo de pessoas pertencentes a uma tribo de fãs. Essa era a página dos Little Monsters da Lady Gaga. A maioria dos participantes foi selecionada na entrada de shows. Pensando em voltar lá pra buscar o livro.

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Pit-stop no café da BHS para o meu ritual de aniversário; sempre paro em algum café para um momento contemplativo/de reflexão com um pedaço de bolo. Quer dizer, nem sempre sozinha. :)

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Infelizmente é comum que nesses rituais o bolo esteja “mais ou menos”. Esse estava aceitável, mas um tantinho ressecado e a massa pesada/doce demais. Era o único bolo que eles tinham. O café da BHS já foi muito melhor – ou talvez tenha sido a hora do dia? Whatever. Passei uns momentos de quietude e paz lendo a entrevista da Maya Gabeira para a TPM.

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Parei pra olhar a liquidação da Clarks e morri de amor por esse sapatinho. Infelizmente eu já tenho vários sapatos de modelo parecido.

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Walking home…

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Bright, sunny winter days. Meus preferidos.

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O bolo. Cobertura de strawberry butter cream. VERY sweet. ♥

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Experimentando com a “decoração”. :)

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A que foi parar no Instagram:

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Nem estava esperando para aquele dia, mas meu Filofax novo chegou nos 45 minutos do segundo tempo quando estávamos saindo.

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“Fim de festa” no Ken Lo. Enjoying my glass of Tokaji.

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No metrô (SE BEBER, NÃO DIRIJA!), anúncio spot-on do Stonewall:

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Debaixo da cobertura da estação, aguardando o ônibus para chegar até em casa. Dormi os 15 minutos da viagem. End of the day.

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But don’t forget the songs
That made you cry
And the songs that saved your life
Yes, you’re older now
And you’re a clever swine
But they were the only ones who ever stood by you.