Too many humans.

Ontem eu achei que fosse uma barata se embaralhando entre os dedos do meu pé, e estava errada. Infelizmente o ato reflexo foi mais rápido que a percepção racional, e no susto soquei a tela do laptop. Ele sobreviveu, mas quebrei uma unha na base. Dói e vai doer por uns bons dias.

O calor chegou àquele nível onde eu me sinto mal e sufocada o tempo todo. O tempo TODO.
Enquanto isso, neva em Jersey. Neva em LONDRES. 30cm de neve em Londres. Isso beira o inacreditável.

Em duas semanas, tudo acaba. E eu volto.

Na sala, mãe, pai e tia. Que acreditam piamente que eu esteja interessada na conversa.
Há gente demais nessa casa, vozes demais, pessoas que não param de falar. Há uma conversa aborrecida e inútil no background desse post. Velhos são obcecados por morte e tragédias e falam disso com entusiasmo o tempo inteiro. Não partilho. Não suporto.

A vida já é triste demais sem focar no pior dela.

Aleatórias suadas.

Wow, dez dias sem postar. É por essas e outras que eu não posso virar Pro-Blogger (com ou sem hífen agora, Pasquale?).

Assunto, tem. Vontade, tem. Coragem é que é o problema. O apartamento novo da minha mãe é um FORNO, especialmente a sala. E a internet, que não é wireless, fica na sala. É verdade que este é um blog acéfalo e que eu não preciso pensar muito para elaborar meus posts, mas como eu só tenho dois neurônios e meio e, no momento, dois deles decretaram férias compulsórias e se recusam a trabalhar em condições insalubres (no caso, temperatura superior a quarenta graus + novela sobre uma dupla sertaneja feminina de background), danou-se.

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Esse ano eu tirei meu aniversário do Orkut. Ano passado foram mais de 50 scraps e vários emails. Esse ano? Dois ou três scraps, uma mensagem e dois emails. Eu sou a pessoa que mais esquece aniversários no mundo, nem que o Orkut me lembre (porque eu levo dias sem abrir a página), por isso não posso reclamar. Mas acho essa uma experiência necessária na vida de qualquer um que já se sentiu muito prestigiado por conta de 200 mensagens de Happy Birthday em redes sociais. Choque de humildade.

Moda Brasilis: muita sandália gladiadora, muitos maxi vestidos, muitos skinny jeans, muitos wayfarers e butterflies de camelô, muitas bolsas enormes, muitas pulseiras coloridas e MUITA gente vestida igual.

Da última vez que estive aqui, fiz algo que jamais pensei fazer: comprei uma Melissa. Na verdade um chinelinho da Melissa; esse aqui. Dificilmente fashion, mas absurdamente confortável e bastante resistente. Comprei também aquele chinelinho com citações do Pequeno Príncipe, mas em casa cismei que aquilo iria machucar meu dedo (minhas intuições com sapatos quase nunca falham) e devolvi sem usar. O vermelhinho, no entanto, é companhia constante no verão e continua tão inteiro e brilhante como no dia em que foi comprado.

Deixa eu explicar por que não gosto muito de Melissas: acho caras, acho que deixam a desejar em qualidade e acabamento (e segundo consumidoras fiéis a coisa está piorando), acho que alguns modelos deixam o pé fedido, suado, escorregando sola afora e criando bolhas; em suma, desconfortável. Se você tem uma “história de sucesso” para contar: para cada pessoa que dança a noite inteira com uma Melissa salto 10, há outras 20 que jogaram o seu par no lixo dia seguinte após a noitada destruída por um pé moído. Esse ano pensei que fosse comprar outro chinelinho. Tanto que nem trouxe o meu. Complete fail, porque, sinceramente, os modelos novos parecem sapatos que uma preparadona compraria na feira para ir a um baile no morro da Chatuba. E nada contra, mas esse tipo de sapato não custa 150 reais.

Hoje finalmente A Favorita sai do ar; novela mais deprimente, pesada e chata, impossível – e olha que eu peguei a reta final e nunca assisti a um capítulo inteiro. Já vai tarde; ter que esperar a novela acabar para ver Maysa ou um filme qualquer estava virando tortura (minha mãe não tem Sky). Cláudia Raia com cara de morta, Mariana Ximenes interpretando com a sutileza de um elefante numa loja de louças e aqueles diálogos forçados… Socorro. Que venha logo aquele “O Clone reloaded” que será Caminho das Índias. Glória Perez nem tem mais vergonha de reciclar ad infinitum os mesmos personagens e clichês regionais de sempre. Ainda assim, pelo menos os figurinos são coloridos e a Glorinha se amarra em retratar uma periferia espalhafatosa e barraqueira – adoro.

Passagem remarcada para meados de Fevereiro. Eu sempre me iludo de que vou chegar no Rio e I’ll have the time of my life; daí compro passagens para uma estadia de três meses e, dois DIAS depois de chegar aqui, me arrependo. Mas sabe o que significa ir embora pra casa em meados de Fevereiro?

PERDER O CARNAVAL.

A vida podia ser muito pior. :)

Ouro de tolo.

Olá, nesse preciso momento eu tenho 38 graus de febre (quase 40, ontem), mal estar generalizado, dores nas juntas e o meu nariz é uma torneirinha – esgotei o estoque de lenços de papel da farmácia aqui do lado. Só estou esperando as manchas vermelhas aparecerem para confirmar meu auto diagnóstico de Dengue Hemorrágica e me mandar pro hospital (ou cemitério). Já é a segunda vez que adoeço desde que cheguei ao Brasil. Isso sempre acontece. Acho que já está na hora de eu desistir de vir aqui. Enquanto eu passo a sexta feira tossindo e comendo feijão no calor e assistindo reprise de novela, marido (que pegou o vôo pra Londres ontem) me tortura enviando mensagens no celular, avisando que se encontra no lounge do aeroporto, bebendo sauvignon blanc e comendo bagels com cream cheese e ervas. Thanks.

Eu, mamãe e Respectivo acabamos de voltar de Ouro Preto. Assim como João de Santo Cristo em Brasília, fiquei bestificada com a beleza da cidade, do artesanato e das igrejas. Mas como eu realmente sou uma pessoa de sorte, levamos mais tempo do que deveríamos até chegar lá (graças à falta de sinalização nas cidades; mais sobre esse assunto depois) e cheguei a tempo de ver a luz maravilhosa indo embora por trás das montanhas, mergulhando a fachada das igrejas na escuridão. E no dia seguinte choveu. Muito. Quase o dia todo. Pequenas cachoeiras se formavam nas ladeiras. Escolhi mal os sapatos e a barra da minha calça encharcou e ficou pesando 20 quilos. Também escolhi mal a DATA da visita porque, às segundas feiras, a maioria das igrejas e museus fecha. Palmas para mim, que não fiz o favor de PESQUISAR antes de pôr o pé na estrada, e também para Ouro Preto, que fez o favor de fechar na segunda apesar de ser verão e período de férias – afinal, esse povo quer dinheiro ou não??

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Sim, a cidade é linda e definitivamente merece uma visita. Mas não sei se merecerá uma segunda. O problema é que a cidade está cheia de de armadilhas para turistas. As ruas são labirínticas e a sinalização é péssima, talvez propositalmente, a fim de forçar o visitante a “contratar um guia”. Guia este que vai cobrar de acordo com a cara do freguês (cobraram a mais da gente porque well, havia um gringo no grupo e, como todos sabem, todo gringo é rico), que vai levar o turista aos passeios mais furados porque estão ganhando comissão para isso, e desperdiçar seu tempo arrastando você para um monte de LOJAS, porque – adivinhe – eles também levam comissão nas suas compras.

Assim que chegamos, fui pedir informações a uma pessoa na rua sobre como chegar a uma pousada (que eu havia encontrado na internet). A tal pessoa, na verdade, se tratava de um “guia” (o lugar parece ter mais guias turísticos do que moradores) e me avisou que a pousada que eu procurava era ruim e ficava muito longe do centro. Me redirecionou a um pequeno hotel ali perto que, segundo ele, era mais barato e melhor localizado (e é evidente que ele nos levou até lá e ganhou comissão por ter nos indicado). Bem localizado era, sim. A poucos metros da praça Tiradentes, a principal, onde a cabeça do dito cujo ficou exposta após sua morte e onde hoje existe uma estátua em sua homenagem. Mas, por isso mesmo, o local era barulhento. E o quarto não tinha ar condicionado. Mas tinha infiltrações no teto. E a parede estava descascando. E o café da manhã era uma pobreza (pouca variedade e até o bolo era ruim; no fim, eu peguei uns três pães de queijo minúsculos e tomei um café ralo). E pelo equivalente em euros que pagamos pelo quarto, eu já fiquei em guest houses na França.

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Depois, é claro, eu descobri que a pousada que eu realmente procurava ficava sim um pouquinho longe do centro, mas tinha estacionamento próprio (o do nosso hotel ficava a uns quatro quarteirões de distância em ruas de subida), quartos lindos, vista para as montanhas e, além do café da manhã caprichado, também incluía um chá da tarde com bolos caseiros no preço. Que era 10 reais MAIS BARATO que o hotel onde ficamos. E que por tudo isso não precisava de conchavo com “guia” para conseguir clientes. E cadê o “guia”, mesmo? Porque eu quero MATÁ-LO.

Antes de me dar conta disso tudo, eu acabei sendo abordada por outro “guia” que, pela módica quantia de 60 reais (com 50% de desconto porque os museus estavam fechados; normalmente seriam 120), viajaria conosco no carro por algumas horas nos guiando pelas ruas labirínticas e nos levando aos “pontos de interesse”. Mais tarde descobri que esses pontos eram do interesse DELE. Nossa primeira parada foi uma “mina” desativada, que ele jurou ser fantástica. Pelo “privilégio” de entrar num buraco sem graça e mal iluminado, cobraram 15 reais por pessoa e ainda nos fizeram devolver as toucas *descartáveis* que nos deram para cobrir a cabeça embaixo do capacete (espero que ninguém tenha pego piolho). Por causa do Respectivo, arrumaram um guia que “falava inglês”. Um inglês tão bom que Respectivo não entendeu quase nada. E eu entendi menos ainda para poder re-traduzir. Mas isso nem me aborreceu tanto, já que a mina era uma porcaria e não havia NADA para se dizer. 45 reais (3 ingressos) jogados no lixo.

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Depois que o guia foi embora, pegamos o carro e fomos à mina da Passagem na cidade de Mariana, ali pertinho. ESSA SIM valeu a pena; subterrânea (os visitantes descem num trenzinho), maquinário inglês de época, piscinas naturais e histórias bem mais interessantes para contar:

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Depois do fiasco da primeira mina, fomos levados a uma igrejinha minúscula, que o guia afirmou ser “a mais antiga de Ouro Preto” (só que, a essa altura, se ele me dissesse “bom dia” eu responderia “DUVIDO!”). A igreja ficava dentro do que parecia ser uma favela. Fui impedida de fazer fotos do interior, sob uma justificativa meio imbecil: “para impedir que possíveis ladrões de imagens saibam o que tem dentro”. Ah, ok. Só que a Igreja não era lá isso tudo. E depois, bastaria pagar os três reais do ingresso, entrar, VER o que tinha dentro e voltar mais tarde com um fuzil (e um saco bem grande pra levar tudo). Sinceramente, perdi até a vontade de entrar em outras igrejas. Pagar e não poder fazer fotos para mostrar e guardar? Aqui a gente entra de graça em Igrejas muito mais bonitas, antigas e importantes e pode fotografar o que quiser. Fala sério, Brasil.

Depois disso fomos empurrados para uma loja de artesanato longe do centro, sob a justificativa de que “os preços no centro são mais caros porque estão mais perto dos hotéis”. Eu já sabia que não ia comprar quase nada mesmo, porque não temos espaço na bagagem para carregar coisas pesadas. Mas os preços da loja onde fomos levados nem eram tão baratos assim. Certas coisas, aliás, eram mais caras lá. Gastei uns 70 reais em coisinhas pequenas para a casa, o guia levou sua comissão (é claro…) e saí dali disposta a me livrar dele o mais rápido possível. Antes disso ele me “recomendou” um restaurante muito bom e pediu que eu dissesse o nome dele quando fosse pagar – para que ele recebesse um almoço gratuito. Nem tive tempo; assim que cheguei na PORTA do tal restaurante pra CHECAR o menu, um OUTRO guia praticamente me puxou pela blusa e me levou até o caixa, dando uma “piscadinha” para indicar que ELE havia nos indicado. Meu saco já estava tão cheio dessa exploração de turistas que sentei em OUTRO restaurante e tomei cachaça. Outro clichê: “restaurante de comida mineira”. Não é só porque estou em Minas que quero passar a viagem inteira comendo tutu.

No dia seguinte o tal “guia” estava na porta do hotel nos esperando. Mandei a recepcionista dizer que eu já tinha saído.

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Todas as lojas de artesanato traziam avisos nas paredes de que era proibido fazer fotos/filmagens. Me pergunto qual a razão. Fotos só fariam propaganda positiva da cidade e das lojas, trazendo mais turistas e clientes interessados. Acabei cansando disso tudo e voltando pra casa mais cedo. Pena, já que de fato a cidade é linda e merece o título de Patrimônio da Humanidade.

Para quem pensa em visitar: se for de carro sem conhecer a área, use um navegador e não conte com sinalização nas estradas. Pesquise hotel/pousada com antecedência pela internet (a maioria dos sites não informa o valor da diária; então ligue, pergunte e compare preços). Faça uma boa pesquisa prévia na internet sobre os lugares que quer visitar, compre um mapa da cidade e ande a pé. Só coma “comida mineira” se quiser e, se não quiser, procure os botecos servindo pratos feitos baratos e bons, ou o Café Geraes na Rua Direita, que não é caro, tem um ambiente ótimo e uma cozinha sem clichês; e, last but not least, NÃO ACEITE AJUDA DE NENHUM GUIA. Deve ter gente boa, mas pelo que vi a maioria é de predadores interessados em tomar o seu dinheiro e, ao contrário do que vão tentar fazê-lo acreditar, você NÃO precisa deles.

E, claro, não visite a cidade numa segunda feira.

Uma camiseta com Obama cavalgando um unicórnio. Admita: você precisa de uma. :)

Estou apaixonada pelos carimbos personalizados que a Kristel faz de forma artesanal. Assim que voltar para casa vou encomendar alguns.

Para meninas que não abrem mão de ser estilosas, mas que também não abrem mão do chocolate: Young, Fat and Fabulous e Fatshionista – ambos encontrados no I Follow the Sun, um blog fofo sobre paz, diversidade e tolerância (lê só esse about).

Updates!

Chegamos de Paquetá ontem, e nesse meio tempo já estivemos em Petrópolis, Teresópolis e passeando pelo Rio. Acho que dessa vez não vai dar tempo de ir a Búzios e Penedo (colônia finlandesa aqui no Rio de Janeiro). Amanhã vamos ao centro pegar a papelada traduzida e aproveitar para ir ao consulado para mais um bate papo em prol do meu visto. E daqui a pouco, depois de um almocinho que incluirá feijão, arroz, salada, batata frita e bife (mais brazuca impossible!) além de algumas latinhas de Bohemia, vamos à Igreja da Penha fazer fotos. Se os traficantes do Complexo do Alemão nos deixarem sair vivos, volto logo com os resultados.

Paquetá foi invadida por uma horda de gente mal educada, que fala gritando, que joga lixo na baía de Guanabara e suja os parques e jardins da Ilha com restos de comida. Lastimável.

Mas pra compensar sempre existirá (assim espero!) a linda arquitetura art nouveau da Casa das Artes:

Dreamers.

Ontem fomos a Petrópolis, a terra do Imperador. Ele reclamou o tempo todo do carro; então lá vamos nós alugar um 2.0 hoje para subir a serra de novo, só que dessa vez pra Teresópolis.

Compramos ontem nossos primeiros móveis: uma mesa oval enorme com seis cadeiras. Tudo vai ser restaurado e entregue aqui em casa. Também arrematamos uma penteadeira antiga e uma cadeirinha fofa para acompanhar. E hoje vamos procurar sofás.

Há uns 15 anos tive um sonho, desses que a gente acorda e se lembra de tudo e não esquece mais. No sonho eu morava no que parecia ser Petrópolis, numa casa muito velha, que dava vista para um vale cheio de árvores. Toda a mobília da casa era escura e antiga e tinha um relógio enorme, daqueles de chão, logo na entrada. O clima do lugar era tão bom, tão acolhedor, eu estava tão feliz por morar ali, naquela casa cheia de história e lembranças de gerações passadas, que o sonho ficou preso na minha memória por todos esses anos.

A primeira vez que vi fotos da nova casa, soube que era antiga. Assim que entrei lá pela primeira vez, vi um relógio parecido ao do meu sonho, na entrada (que infelizmente foi embora junto com a antiga moradora). Comprei meus primeiros móveis em Petrópolis, e eles são escuros e antigos, como no sonho. E, sobre a vista, bem, não é igual à do sonho. Mas tem bastante árvores também.

E esses acontecimentos com cara de profecia cumprida me trazem alegria e alívio. Porque quando eu era criança não conseguia imaginar meu futuro de jeito nenhum, ao contrário dos meus amiguinhos que sabiam o que iam ser quando crescessem, o que iam estudar na faculdade, quantos filhos iam ter, onde morariam. Eu nunca soube de NADA. Meu futuro era um buraco negro, um monte de folhas em branco num livro ainda por ser escrito e que eu nem sabia se ia ser publicado. Com o tempo eu ia largando faculdades, abandonando projetos e me esforçando para saber qual era, afinal, “a minha”, o nevoeiro ia se tornando cada vez mais denso e eu não enxergava o fim da estrada. Acabei me acostumando a andar meio às cegas, com farol alto na cara de todo mundo para me defender. No fundo eu achava que ou eu ia morrer muito cedo ou que meu futuro não era aqui. Não sei se dá pra gritar bingo, mas continuo com a cartela em mãos. You never know.

Amanhã vamos visitar a Ilha de Paquetá, que é um lugarzinho que muita gente considera cafona, mas que é muito significativo pra gente. E não há romance que não seja meio brega; afinal, já disseram que todas as cartas de amor são ridículas. Que sejamos ridículos, pois.

Feliz 2005.

Mudamos os planos e ficamos por Copacabana mesmo, no Merlin. Adoro hotéis: café da manhã, roupa de cama novinha e cheirosa todo dia, TV a cabo e frigobar cheio de calorias líquidas.

A festa do reveillon em si não é lá essas coisas. Copacabana já esteve mais cheia, o foguetório já foi mais bonito e a cascata de fogos do hotel Meridien já foi bem mais impressionante. Aparentemente esse ano rolou um glitch com os fogos e a fumaça veio todinha parar na praia. Desagradável. Eu mal percebi; passamos a virada numa mesa de bar, celebrando com comida, chopp e champanhe.

E essa unha rosa barbie horrorosa acabou com a classe da foto.

Tive uma sensação estranha enquanto esperava o dono da joalheria buscar os anéis no nosso tamanho. Nem parecia que era eu ali, comprando um par de alianças. Beejebus.

Sobre o novo ano que começa hoje, há muito tempo desisti de resoluções. As melhores coisas que me aconteceram na vida chegaram sem que eu fizesse esforço. Tudo aquilo que lutei pra conquistar foi perdido ou não se concretizou. Meu novo lema: sentar e esperar. Ainda que seja longa a espera. 2003 foi um ano terrível. No dia 31 eu não tinha absolutamente nada de bom pra recordar. 2004 me trouxe a libertação de um trabalho que me fazia infeliz, de uma pessoa que dizia me amar mas que era viciado em mentiras e só conseguia me pôr pra baixo, do pesadelo de perder a nossa casa – e de bônus encontrei um amor de verdade na minha Inbox.

Um interlúdio merecido nessas nuvens de chuva; eu precisava desse arco íris.
Come in, 2005. I’ve got a feeling you’ll be amazing.

Urca, Rio de Janeiro

Fui encontrar E. e C. hoje na Urca, matando saudades que a gente não necessariamente sentia do bairro onde estudamos juntas. A Urca é realmente uma graça, a tarde estava linda e foi ficando cada vez mais, à medida que o sol baixava no horizonte. Demos uma volta pela orla, seguida de um micro trekking curtindo a natureza e os miquinhos pulando pelos galhos, acenei para o 107 (talvez eu tenha um pouco de saudade dele, ou melhor, do trajeto; agradeci mentalmente por ter me proporcionado vistas estonteantes da janela), admiramos a arquitetura das casinhas que custam alguns órgãos vitais mas com a vibe da cafofo de subúrbio. As melhores casas. Fizemos um monte de fotos idiotas e não falamos tanto do passado como eu temia. O dia estava lindo, e acho que preferimos olhar pra frente agora.

Por que o dia ficou parecendo uma despedida quando não é uma despedida? I don’t know.

Away for the day.

And you find that you’ve organised your feelings, for people who didn’t like you then – and do not like you now

Acordei presentindo um dia de tédio e me mandei pro sítio da tia-avó. Fica num lugarejo chamado Jororó, em Magé; menos de uma hora do centro mas você faz uma viagem no tempo com direito a fogão a lenha, estrada de terra batida, a maria fumaça das três da tarde, estranhos te dando bom dia na rua e um cafezinho em toda casa da vizinhança onde você parar.

Burn in hell.

E então o que se faz quando seu melhor amigo arruma uma namorada séria e não te faz mais companhia? E quando suas amigas passam tempo demais discutindo se vale a pena pagar mais caro num biquini da Cantão? E quando a sua outra-metade recebe uma proposta irrecusável de emprego… em outra cidade?

Se ainda estivéssemos apaixonados. Naquele sentido pleno e flamejante da palavra. Se, e somente se, então o prognóstico não seria tenebroso. Porque a paixão é autosuficiente, se alimenta de si mesma. Mas a porcaria do amor, não. A presença do outro vira pré-requisito – porque o amor até se auto renova, ao contrário da paixão; mas só com o estímulo da presença.

No MSN, agora:

unlovable says:
eu quero ele aqui pra conversar comigo.

unlovable says:
e tirar o papel de bala da minha mão antes que eu jogue na lixeira, e fazer isso ele mesmo, só pra que eu não chegue perto do lixo.

E é isso.

Agora, sobre a praia de hoje com T., S. e R. Como eu disse lá no flog, ganhei rugas e um câncer de pele. Leia lá a história completa do meu desastre, mas veja as outras fotos da “menina bicolor”, gently brought to you by Livejournal, aqui:

Primeiro, La Playa:

Agora, o camarão:

Eu mereço todo o sofrimento que passarei essa noite.
B.U.R.R.A.