[6×6] Beautiful Things

1. Fachadas coloridas em Hampstead Heath.
2. Louças da Anthropologie (e chás em caixinhas adoráveis)
3. Rosas resistindo ao frio e florescendo na reta final do outono.
4. Decoração de Natal de Covent Garden (esse ano temos mistletoes gigantes).
5. Annuals vintage (cada capa mais linda que a outra).
6. Saint Pancras station (a estação mais linda do mundo? haha).

Depois de um mico no mês passado onde eu esqueci total do projeto (novembro foi punk e olha que passou voando), é nóis aki trá veiz trazendo coisas bonitas que alegram os olhos. Tá meio difícil fazer fotos ultimamente porque os dias já estão cor de chumbo e a iluminação natural começa e termina na parte da manhã – isto é, quando começa… Mas raspei o tacho e consegui reunir seis coisas que me ajudaram a encarar os primeiros dias de muito vento e chuva de dezembro e preparar o espírito para a escuridão invernal (confesso que gosto quando ela se instala, mas a contagem regressiva pra mergulhar no breu pode ser meio assustadora) e o final de um ano que foi complicado em alguns aspectos mas MUITO recompensante por outros. All is well, all is moving, all is still beautiful and filled with love and joy. ♥

More beauty: Taís (Irlanda) – Alê (Ucrânia) – Paula (Holanda) – Loma (Coreia do Sul) – Paula (Austrália)

6×6 – Facades

E o tema do 6×6 de Outubro tem a ver com um dos meus assuntos preferidos. :) São muitas as fachadas bonitas e interessantes numa cidade com arquitetura e história tão ricas. Escolhi algumas que talvez não sejam as mais famosas ou bonitas, mas que têm algum significado bacana pra mim.

A Floris é a loja/fabricante de perfumes mais antiga da Inglaterra ainda em funcionamento e é mantida pela mesma família de origem espanhola que começou o negócio nove gerações atrás, em 1730. Fica no número 89 da renomada Jermyn Street, rua que concentra as mais famosas e tradicionais alfaiatarias, perfumarias, sapateiros e chapeleiros da Inglaterra; tudo para servir o cavalheiro que deseja se vestir com classe e elegância. A fachada se manteve inalterada desde a abertura, a escultura do Brasão Real indicando que a loja possui uma autorização especial para fornecer seus produtos à família real britânica – sim, eles são os perfumistas oficiais da rainha. O interior é ainda mais bonito, com as estantes e balcões de mogno em estilo vitoriano que vieram da Grande Exibição de Londres em 1851.

Localizado no número 06 da Oxford Street, The Flying Horse é o último pub restante em toda a extensão da rua; todos os outros 50 e tantos já não existem mais. Muitas vezes eu digo pros outros que uma das ruas mais famosas e movimentadas de Londres só tem UM pub e eles não acreditam. Isso indica uma mudança de hábitos nacional; a juventude hipster não vê muita graça em pubs e prefere se reunir em cafés, bares e restaurantes pop-up. Anyway, esse pequeno notável resiste desde 1790, já passou por algumas mudanças de nome mas reverteu ao original e continua oferecendo cerveja e batata frita aos passantes de uma das ruas comerciais mais hype da Europa.

United Kingdom House é qualquer coisa de awesome. Além dessa fachada maravilhosa, inspirada no estilo barroco de Hampton Court e que ocupa um quarteirão inteiro, o prédio passou por mudanças estruturais intensas que ninguém jamais seria capaz de adivinhar olhando de fora. Dá pra crer que esse exterior com cara de “bolo de noiva” tem esse interior ultra moderno? A construção foi inaugurada em 1906, originalmente como a primeira loja de departamentos de Oxford Street e vendendo items de mobília produzidos pela empresa Waring and Gillow. Algumas décadas mais tarde a demanda por prédios modernos com conectividade digital, ar condicionado e afins fez com que TODO o interior fosse demolido e reconstruído, mantendo a fachada que é protegida por ser de interesse histórico/arquitetônico. Hoje várias empresas digitais e de mídia (BBC, Microsoft, Apple, Sony, Time Warner, Nike) ocupam o endereço localizado na junção entre Great Titchfield Street e Oxford Street, num relacionamento harmônico entre arquitetura clássica e modernidade.

Esse estabelecimento, que pelo tema me faz lembrar a Vesúvio na Rua da Carioca no Rio, atende pelo nome James Smith & Sons e produz e vende guarda chuvas (sempre uma necessidade no clima chuvoso do reino), sombrinhas, bengalas e similares no mesmo ponto em New Oxford Street desde 1857. A loja foi fundada em outro endereço nas proximidades há quase 200 anos e é uma insitituição local; já teve como clientes lordes, primeiros ministros e membros da realeza. A fachada envidraçada com os letreiros originais da época, detalhes em latão e a plaquinha em forma de guarda chuva resiste ao tempo e é puro charme vitoriano.

The Golden Lion é um pub nas proximidades de St. James e eu achei curiosa essa fachada fininha rococó “ensanduichada” no meio aos outros prédios mais modernos. Foi construído entre 1897 no lugar de uma taverna com o mesmo nome aberta em 1762, e o design é dos arquitetos Eedle and Meyers, responsáveis por vários pubs em Londres. A fachada tem janelas formadas por um mosaico envidraçado, e como ao lado ficava o teatro de St. James (demolido em 1957) o pub tem um tema meio teatral, incluindo o “Theater Bar” no andar superior que contém alguns artefatos resgatados da demolição do antigo teatro. Aparentemente a comida é boa, então entrou na lista pra experimentar! :)

E por fim, a antiga fachada do Lloyds Building não poderia ficar de fora – ou melhor, “de fora” é tudo o que ela é. Como você pode ver melhor nessa foto aqui, é apenas uma fachada mesmo:

O prédio fica bem no meio do centro financeiro. O prédio “novo”, conhecido também como o “Inside out building”, foi construído em 1986 e é um espetáculo em si; as fotos não fazem justiça e ele é bem mais impressionante ao vivo. Todas as estruturas de serviço (cabos elétricos, hidraulicos, elevadores, escadas de incêndio, etc) foram construídas do lado de fora para maximizar o espaço interno, seguindo o estilo do Pompidou Centre em Paris – porém o Lloyds é muito mais bonito, sorry. O prédio serviu de locação para diversos filmes (saca o interior) e a fachada antiga, em Leadenhall Street (onde essa foto foi feita), foi preservada como uma homenagem à história do prédio e da cidade. :)

Outras frentes:
Taís (Irlanda) – Paula (Holanda) – Alê (Ucrânia) – Loma (Coreia do Sul) – Paula (Austrália)

[6×6] Food

O post devia ter entrado ontem, mas uma das fotos só pôde se materializar hoje de manhã e então phew! eis o 6×6 desse mês, tema COMIDA ♥ Até pensei em incluir os fish and chips e full breakfasts, mas como já temos uma irlandesa e uma australiana honorárias no grupo eu resolvi honrar meu recém-adquirido sweet tooth (coisas que uma dieta lowcarb faz por você!) e fazer um top 6 cakes and desserts.

Mesmo sendo Cake Lover eu tenho minhas preferências. Entre elas não consta bolo com legumes ou chocolate. Frutas são apreciadas, nozes nem tanto. Massas do estilo “mil folhas” me interessam menos, e as crostinhas finas cobertas com muito creme típicas da patisserie francesa idem. Cupcakes são visualmente bonitos, mas é pouco bolo para muita cobertura.

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Eu tenho que admitir que Carrot Cake não está na minha lista de favoritos por motivos de *cenoura no bolo*, mas quis incluí-lo no post por ser um hit no Reino Unido e pela história. De origem medieval, o bolo se popularizou na Inglaterra no período do pós-guerra, onde o racionamento de farinha fez com que as donas de casa se tornassem mais criativas e usassem legumes (que não eram racionados e podiam inclusive ser cultivados no quintal) para substituir. Aqui a cobertura costuma ser de cream cheese ou buttercream, com opção de nozes salpicadas (que podem entrar na massa, mas não é obrigatório). A cobertura de chocolate é uma invenção, se não me engano, tipicamente brasileira. A massa também é diferente: mais escura, menos gosto de cenoura e geralmente é um bolinho denso, com farelos grossos e textura macia.

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Não existe “Afternoon tea” que se preze sem a presença de Scones quentinhos, cortados ao meio e cobertos com geléia de morango e “clotted cream” – um tipo de creme de leite consistente e cremoso. Os da foto têm passas, mas não é obrigatório. Costumam fazer parte do “afternoon tea” tradicional (que inclui também sanduichinhos e bolo) ou em carreira solo no não menos tradicional “cream tea” (dois scones + creme e geléia + chá). Existe toda uma controvérsia sobre o que deve vir primeiro: creme ou geléia? Meu pitaco: se o scone estiver quentinho a geléia vai primeiro – do contrário o clotted derrete logo. Fora isso meu time é o “creme primeiro, geléia por cima”.

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Esse cubinho colorido se chama Battenberg cake, e apesar da vibe alemã do nome ele é 100% britânico. Reza a lenda que foi criado em comemoração pelo casamento de uma das netas da Rainha Victoria com o príncipe germânico Louis of Battenberg. O nome da família foi alterado para “Mountbatten” durante a guerra porque ninguém queria estar associado a nada de origem alemã; até o Rei teve que mudar de sobrenome, mas o nome do bolo foi preservado. Respect the cake heritage! :) Enfim, o Battenberg não é tão complicado quanto parece. Basta assar dois bolinhos, um de massa branca e outro rosa, cortar e juntar alternando as cores dando esse efeito quadriculado (usando geléia de damasco para colar as partes) e envolver com uma camada de marzipan. Ou então comprar no supermercado, rs.

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Um dos meus preferidos, Victoria Sponge é um dos bolos mais tradicionais e presença obrigatória nas vitrines de salões de chá, seja na cidade ou no interior. Batizado em homenagem à Rainha Victoria (que aparentemente curtia um bolinho com o seu cup of tea – quem nunca, Vicky?), consiste em um bolo branco básico, recheado de geléia de frutas (geralmente framboesa ou morango) e creme fresco batido ou buttercream. Muitas vezes o creme é omitido, e quando isso acontece eu sinto vontade de chorar e abrir um processo contra o estabelecimento por crime contra o patrimônio cultural. Não deve ter cobertura (ou seja, é um “naked cake” muito antes da invenção desse termo besta) a não ser por um leve polvilhado de açúcar de confeiteiro.

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French fancies são pequenos petit fours de inspiração francesa criados pela empresa britânica Mr. Kipling e notoriamente difíceis de fazer – vide o fracasso que foi a tentativa de reproduzi-los no Great British Bake Off… São quadradinhos de bolo branco menores que um cupcake; normalmente não há recheio, mas no topo é colocada uma bolinha de buttercream e então tudo é então coberto com fondant – rosa (morango), amarelo (limão) e marrom (chocolate) – e por fim decorados com fios de fondant em cores contrastantes. São bastante populares nas prateleiras dos supermercados e consumidos por senhorinhas britânicas buscando um acompanhamento doce para a hora do chá + programas da tarde. 30% de açúcar e muito amor na sua corrente sanguínea. ♥

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E para concluir a hiperglicemia, Sticky Toffee Pudding. ♥ Apesar da cor não tem chocolate algum aí; trata-se de um bolo úmido e fofinho, assado em banho-maria, com tâmaras raladas, molho de caramelo e geralmente servido (como o da foto) com creme de leite batido e/ou sorvete de baunilha. Apesar do nome a textura não é grudenta; o bolo é servido quente em contraste com o sorvete gelado que derrete incorporando o sabor à massa. O creme batido serve para compensar o sabor doce das tâmaras. É um mix de sabores, temperaturas e texturas, um dos meus “puddings” preferidos e bastante comum em menus de sobremesa de pubs. Esse aí foi consumido ontem mesmo no Castle Inn, um pub de 600 anos de idade na vila de Chiddingstone, junto com uma trifle gigantesca (bolo ensopado com licor, coberto de creme inglês, frutas e creme de leite batido e que ia entrar no post também por ser super british mas eu já tinha cumprido a meta)

Hmm, algo me diz que vou ter que fazer um follow-up. :D

Outras delícias: Taís (Irlanda) – Paula (Holanda) – Alê (Ucrânia) – Loma (Coreia do Sul) – Paula (Austrália)

[6×6] Favorite places

E o tema de hoje é “Lugares Favoritos” e eu me dividi entre “que legal, vou achar seis lugares em questão de segundos!” e então procedi a passar SEMANAS tentando escolher apenas seis. Fiz uma seleção  aleatória mas acho que alguns desses lugares entrariam em qualquer lista que eu fizesse.

1. Sunbury-on-Thames

Eu ia deixar Sunbury de fora da lista porque não consegui uma boa foto, mas foi impossível. Sunbury-on-Thames, ou mais precisamente Lower Sunbury, foi o primeiro lugar onde eu pisei na Inglaterra fora do aeroporto – uma village bonitinha às marges do Tâmisa. Estávamos fazendo conexão entre aeroportos a fim de pegar o vôo para Jersey (a ilha do Canal da Mancha onde ele morava na época e que foi nosso lar por vários anos). Ele quis me apresentar à famosa “cerveja inglesa” (amarga, choca e quente) e eu, sabendo que ia odiar, pedi um copo pequeno. Que eu bebi em um minuto e o próximo veio em forma de pint inteira; amor ao primeiro gole. ♥ E amor àquele primeiro contato com uma cultura que já significava tanto pra mim e estava prestes a se tornar ainda mais.

2. Hampstead

Muito verde, flores e arquitetura bonita. Essa área já foi considerada o lar da “esquerda caviar” londrina, o bairro dos escritores, poetas, compositores, artistas e intelectuais. Não tem o burburinho de outros bairros mais centrais, mas o que “perde” em agito ganha em tranquilidade. É lá que fica Hampstead Heath, um dos parques mais bonitos de Londres (320 hectares de amor), com florestinhas, lagos onde as pessoas podem nadar (incluindo o Ladies’ Pond, que como o nome indica é exclusivo para mulheres), vales e montes de onde se tem uma vista ampla da cidade. Dentro do parque está Kenwood House, uma mansão do século 17 aberta a visitação pública (olha só a biblioteca) e uma orangerie que serve um bolo Victoria Sponge perfeito. ♥ Hampstead tem também uma variedade de cafés, restaurantes, o Valley of Health, Highgate (o mais famosos cemitério de Londres, onde repousam muitas personalidades), a casa do Freud e do poeta Keats e se não me engano o Boy George ainda mora lá.

3. The City

Muita gente não vai entender essa escolha, porque para muita gente nada tem menos a cara de Londres do que esse monte de arranha céus futurísticos com formatos estranhos e apelidos engraçados (“o pickles”, “o walkie talkie”, “o ralador de queijo”, “o caco de vidro”, “o caracol”, etc). Mas eu acho fascinante esse pedaço de modernidade plantado no meio de um lugar super tradicional; a poucos metros dali fica a torre onde decapitaram a Ana Bolena, e tem um ângulo de visão onde você o The Shard (o caco de vidro, prédio mais alto da Europa) parece estar dentro da Tower of London – onde ficam as jóias da coroa britânica guardadas por senhorzinhos usando uma fardinha vermelha super vintage e que mantêm aquela vaga vitalícia cuidando entre outras coisas da segurança dos famosos corvos da torre (reza a lenda que se um dia todos eles abandonarem a torre a monarquia cai).

4. Coggeshall

Uma vila super charmosa em Essex, com cerca de 300 construções históricas tombadas. Fica especialmente bonita durante a floração de wisterias. Enquanto admira os cachos cor de lilás nos galhos aprecie um chá das cinco servido à maneira tradicional: bule, coador para filtrar o líquido, leite frio para o chá e água quente extra para fazer refil do seu Earl Grey/Darjeeling/Afternoon Tea. ♥ Coggeshall também tem domicílios de ricas famílias tradicionais da idade média (a área foi um dos epicentros da indústria têxtil européia) abertas a visitação pública, como Paycocke’s House, e muitas lojinhas de antiguidades e pubs.

5. The Strand

Fica no meio de Westminster e pro alguma razão não faz sucesso com turistas, apesar dessa arquitetura. Tem a Royal Courts of Justice que por si só já vale a passagem. Tem um café legalzinho com staff simpático bem em frente, e se você chegar cedo pode pegar um lugar de frente pro janelão que dá pra rua e comer o seu croissant matinal admirando a vista e pensando em todas as tretas que já rolaram por trás daqueles portões e arcos neogóticos projetados por George Edmund Street – que acabou morrendo antes que as obras fossem concluídas, exausto com a construção. Mas concluídas elas foram, e enquanto eu saboreio o meu croissant e faço o meu people watching eu penso que o Georginho não morreu em vão e teve a melhor “despedida da firma” que alguém poderia. Logo ali do lado tem também a loja da Twinings (já falamos sobre o assunto) e não muito longe está o Postman’s park (idem).

6. Queensway.

Sei explicar? Não, acho que não sei explicar. Queensway é praticamente só uma rua, e poderia ser ali, ou poderia ser Chinatown, ou poderia ser o Soho, ou poderia ser Seven Dials, ou poderia ser outro; todos esses lugares centrais e com um certo buzz, onde o centrão parece uma comunidade, ou melhor, pequenas comunidades de pessoas com interesses em comum e incomuns, tribos urbanas, guetos de imigrantes, aromas de restaurantes étnicos do mundo todo, turistas, transeuntes, lojinhas de cacarecos com a union flag e pequenas rainhas elisabetes de plástico, onde a cidade é menos tons pastel e trilha sonora dos Beatles e mais latas de lixo sendo reviradas pelos pombos e bares onde turcos fumam narguilé em sofás de veludo na calçada. Queensway é praticamente só uma rua (mesmo sendo uma área inteira em Bayswater), mas é uma rua que tem duas estações de metrô, tem floristas e prostitutas, tem mercadinhos brasileiros e chineses e restaurantes do mundo inteiro, bares que vendem coxinha com catupiry fake e linguiças polonesas e ervas e especiarias para as sex workers tailandesas com saudades de casa, que tem o Hyde Park de um lado e do outro um shopping que foi a primeira loja de departamentos de Londres (aberta em 1867), lojas de bugigangas que te atendem com sotaque árabe e eu entro e saio de lojas segurando o onigiri japonês numa mão e a garrafinha de guaraná Antarctica na outra e depois me sento num café do Whiteleys pra ler o London Evening Standard que peguei de graça na estação enquanto tomo um cappuccino e me finjo de lady. Aqui eu posso ser o que eu quiser.

Outros lugares queridos: Taís (Irlanda) – Paula (Holanda) – Alê (Ucrânia) – Loma (Coreia do Sul) – Paula (Austrália)

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[7 on 7] Music

E nesse dia meio triste onde os atentados terroristas de 7/7 em Londres completam 10 anos, eis que um outro 7/7 surge no horizonte: agora não somos apenas seis, somos SETE pares de olhos vendo o mundo. :) Dêem as boas vindas à Ana Paula (Austrália) e Loma (Coréia do Sul). ♥

O tema desse mês é música e eu confesso o meu amor por britpop/rock desde que me dei conta de que música existia – The Smiths, Pink Floyd, David Bowie, Queen, Led Zeppelin, Fleetwood Mac, Kate Bush, Joy Division, The Who, Pet Shop Boys, The Cure, Radiohead, Siouxsie, Black Sabbath, Muse, New Order, The Jam, Madness, Depeche Mode, Pulp…

Mas não é só nos grandes estúdios e festivais que rola música de qualidade e Londres tem muito a oferecer em se tratando de fusões com outras culturas. Um passeio pelo South Bank e você tem bandas africanas, latinas, peruanas, francesas, brasileiras, etc. E nas tardes e noites de sexta/sábado a festa já começa dentro das estações de metrô, onde músicos se instalam com seus intrumentos nos corredores entre as plataformas e tem de tudo: jazz, rock, funk, pop, ópera, música clássica, R&B…

Eis aqui uma pequena seleção de gente que ajuda a fazer a trilha sonora das ruas.

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01. Carnaval de Notting Hill, Londres
02. Hightown Crows, Broadway Market, Londres
03. Banda tradicional de Morris dancers no Sweeps Festival de Rochester, Kent
04. Banda marcial infantil numa parada em Waltham Abbey, Essex
05. Street buskers em Brighton, Sussex
06. Músico nigeriano em Brixton, Londres
07. The Cure no Festival de Reading, Berkshire

Outras melodias: Taís (Irlanda) – Paula (Holanda) – Alê (Ucrânia) – Sarah (Noruega) – Loma (Coreia do Sul) – Ana Paula (Austrália)

[6 on 6] Anniversary

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Um ano do nosso projeto de “fotógrafas expatriadas” do 6×6, e é exatamente essa edição que eu consigo atrasar. Mês passado foi punk e no último sábado antes do projeto eu esqueci completamente de organizar alguma coisa. A idéia era fazer um piquenique com comidas típicas do lado de cá, mas o clima não colaborou no domingo. Sobrou arrumar alguma coisa às pressas com o que eu já tinha em casa (mais alguns extras) quando o sol enfim apareceu no fim de semana passado. ♥ Colocamos a nossa picnic basket no carro e fomos para Wimpole, uma manor home em Cambridgeshire.

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Party time! Ok, o espumante é italiano, mas eu juro que depois teve chá. :)

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Não existe picnic sem sanduíche – que é invenção inglesa (agradeçam a John Montagu, Conde de Sandwich) e considerada “a maior contribuição da Inglaterra para a culinária”. Hm, meio maldoso isso aí, mas ainda que seja verdade é uma contribuição e tanto; ninguém mais considera a hipótese de viver sem.  Os nossos eram de bacon com frango e o tradicionalíssimo “ovo + maionese”. Mais tradicional ainda seria o de pepino, mas né, ninguém merece.

A coisa redonda ali ao lado do sanduíche e que parece uma empadinha é uma pork pie (yup, mais ou menos uma empada).

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O recheio é de carne de porco curada, moída ou picadinha, com temperos. Não está entre os meus lanchinhos preferidos por conta da “geléia” de tecido conjuntivo que costuma acompanhar o recheio (quem já comeu mocotó aí no Brasil sabe o que é) , mas essa aí não tinha – não que seja ruim, o problema pra mim é a textura. As tortas de porco mais tradicionais aqui vêm de Melton Mowbray, uma cidadezinha no condado de Leicestershire.

Outra coisa que vem de Melton Mowbray é o queijo Stilton:

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Eu não tenho palavras pra descrever o quanto essa coisinha fedida é DELICIOSA. ♥

Aqui o Stilton servido com cream crackers Jacob’s em homenagem a William Jacob, o irlandês que produziu o biscoito depois de ele ter sido inventado por Joseph Haughton em sua casa em Dublin – mas aí já é assunto para a nossa irlandesa de plantão. :)

Finalizamos com Eccles Cakes, esses bolinhos de massa folhada com recheio de groselhas – especialidade da cidade de Eccles, em Manchester.

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Mas não existe piquenique sem chá e bolo; nos dirigimos para o café, onde a infusão da tarde veio acompanhada desse bolo de café e nozes.

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Ok, eu sei que tem mais de seis fotos aí, mas que puedo hacer? Eu tinha que mostrar as gororobas. ¯\_(ツ)_/¯

As meninas listaram algumas curiosidades sobre festas de aniversário em seus respectivos países adotivos, mas eu não consegui pensar em nada muito diferente que exista aqui na Inglaterra (bolo, bebida, happy birthday e presentes: check!) exceto, talvez, a cara de espanto que os ingleses de classe média costumam fazer quando explicamos para eles como são as festas de criança no Brasil.

Uma vez eu estava lendo a LEROS (revista de notícias culturais e classificados para expatriados brasileiros em Londres) e uma moça inglesa ficou fascinada com os anúncios de animação, salgadinhos vendidos por cento, bolo iluminado/musical, festas temáticas, etc. Não que essas coisas inexistam aqui, mas são bem raras e, dependendo das proporções, consideradas de mau gosto. Aniversário infantil costuma ser mais sossegado; a festinha de um ano, se existir, é só um bolinho para a família imediata, já que nessa idade o bebê ainda não tem amiguinhos e nem vai lembrar de nada. Mais tarde colegas da escola e filhos de amigos dos pais passam a ser convidados, mas os festejos são bem mais simples e 100% voltados para os pequenos – ou seja, nada de cerveja. :(

E uma retrospectiva dos temas que rolaram nesse ano: Welcome, Summer, Parks, Architecture, Autumn, Neighbourhood, Christmas, Winter, Home, Cemeteries, Street Art e Spring.

Um abraço em todas as meninas que participam desse projeto; as que estão desde o começo, as que chegaram há pouco, as que já seguiram adiante e as que ainda vão chegar. Here’s to another year of sharing the world we see through our lenses. HIP HIP HOORAY! \o/

Outras celebrações: Taís (Irlanda) – Sarah (Noruega) – Alê (Ucrânia) – Paula (Holanda)

[6 on 6] Spring

Ok, ok, eu sei que não estou postando nada além de flores aqui desde que a primavera começou a pôr as pétalas de fora, mas 1) o tema do 6×6 desse mês é… primavera, e b) esse lugar fica lindo demais nessa época do ano. Ado pelas ruas e sem saber pra onde olhar: cerejeiras em flor, azaléias vermelhas, lilacs roxos, forsítias amarelinhas, wisterias azuis, clematis rosas e brancas transbordando de cima dos muros, árvores em folhas novas formando túneis verdes por cima das estradas, campos e mais campos de canola amarelinhos, uma maravilha.

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Canola fields forever…

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Você sabia? A primavera é a época em que as ovelhas começam a parir ovelhinhas. ♥ Por isso é que carne de cordeiro faz parte do menu tradicional de páscoa (sorry!!).

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Forsítias e cerejeiras.

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Essa também é a época em que os patos começam a acasalar. E formam casais bonitinhos que andam juntos para todo o lado, como esse aqui tomando sol em cima de uma mureta. Love is in the air…

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Narcisos! Os arautos da primavera, ou melhor, do fim do inverno. Avistar os talos brotando em direção ao sol significa que a temperatura vai começar a esquentar.

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Magnólias são sem dúvida alguma uma das minhas florações preferidas. Poucas coisas são mais lindas do que os galhos ainda sem folhas carregados de flores gigantes. Parecem balões de gás escapando para o céu.

Outras : Taís (Irlanda) – Sarah (Noruega) – Alê (Ucrânia) – Paula (Holanda) – Rita (Portugal)

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[6×6] Street Art

Não é por acaso que Brick Lane é considerada o epicentro da street art londrina; artistas do mundo inteiro já manifestaram a sua criatividade pelos muros, fachadas e portas dessa vitrine pública, expondo para uma audiência altamente apreciativa e que sabe respeitar e reconhecer o valor das obras. Anthony Lister, Louis Masai, Bom.K & Liliwen, Hunto, Alice Pasquini, Otto Schade, Malarky, C215, Phlegm, Dan Kitchener, ROA, Milo Tchais, Ben Slow, Finbarr Dacc são apenas alguns entre os muitos que já “pintaram” por aqui. :)

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Esse último mural em homenagem ao recentemente falecido escritor de Sci-fi Terry Pratchett foi feito em colaboração entre Jim Vision e Dr Zadok; além do próprio Terry o mural também mostra vários personagens dos livros da série Discworld como o mago Rincewind, a Morte e seu cavalo “Binky”, a Mala, A Grande A’Tuin (a tartaruga gigante sobre a qual se equilibra o mundo), etc.

Segundo Jim Vision, “Brick Lane é uma área de muita desigualdade social e é bom poder trazer um pouco de cor para cá”

O muro (que pertence ao Pillow Cinema) e é um dos favoritos entre os artistas de rua da área – ou seja, o legado de Pratchett pode ser de curta duração. “Gostaríamos muito de fazer algo um pouco mais permanente, se pudéssemos encontrar outra parede”, disse Jim; “essa aqui tende a ser repintada regularmente.”

Infelizmente não tem Banksy em Brick Lane, por isso ele não deu as caras por aqui. :/
Para quem estiver pela cidade e tiver interesse no assunto existem várias walking tours guiadas e gratuitas, é só googlar o seu assunto preferido + “free walking tours”. :)

Outras artes: TaísPaulaRitaSarahAlessandra

6 x 6 Cemeteries

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Eu já tinha feito um post sobre o City of London Cemetery antes. Na verdade já fiz outros, sobre vários cemitérios pelo mundo porque aprecio visitá-los e admirar seus exemplos de arte tumular (a gotiquinha em mim diz OI). Por isso não vou me alongar em descrições repetidas; até porque não abandonei os planos de visitar todos os Magnificent Seven (os sete maiores cemitérios de Londres, dos quais eu só conheço dois: Highgate e Brompton). Vou aproveitar o espaço nesse 6 on 6 para reproduzir/desenvolver uma resposta minha a um comentário sobre o assunto.

Cemitérios são a representação tangível da nossa mortalidade. E ninguém gosta de pensar muito nisso, de contemplar a idéia de que terminaremos um dia. Mas fato é que terminaremos e eu não consigo me demorar muito pensando em coisas tristes. Alguns túmulos contam sobre histórias de amor (pessoas que foram casadas por décadas e estão ali juntas), de coragem e sacrifício (todos os mortos de guerra), de carinho (lápides com trechos de música, representações de objetos favoritos, gente que se foi há meio século e ainda continua recebendo flores e tendo o túmulo regularmente limpo). Ou seja, pode ser um conforto se dar conta de que de certa forma continuamos a existir na vida das pessoas para quem fomos importantes.

É comum ouvir que eles têm um “clima pesado”, o que diz muito sobre a nossa relação com a morte. Vejo isso de maneira mais evidenciada no Brasil. No México o dia dos Mortos é uma festa de calaveras coloridas; aqui funerais são celebrações com música, comida e cerveja para brindar o morto. No Brasil o dia 02 de Novembro é um dia tão triste e sombrio que até o clima espelha a vibração: quase sempre amanhece nublado e chuvoso.

Aqui cemitérios são espaços verdes e visualmente agradáveis (muitos turísticos, como o de Highgate, que inclusive cobra ingresso e tem visitas guiadas) floridos, arborizados, com largas avenidas por onde pedestres e carros circulam. Banquinhos de jardim são doados por famílias de pessoas sepultadas ali e os visitantes podem sentar nesses memoriais e apreciar o silêncio e a tranquilidade. Passei várias manhãs ensolaradas de domingo sentada com meu lanche no pequeno (e lindíssimo) cemitério da nossa village em Jersey, observando os fiéis saindo da igreja e o movimento das pessoas entrando na loja de conveniência e no pub.

Nunca me senti triste ali, muito pelo contrário. E não gostaria de estar sepultada num lugar onde os vivos se sentissem mal. Preferiria que as pessoas viessem admirar e fotografar o túmulo, que se sentassem nele para olhar o céu, ler a minha lápide e imaginar como teria sido a minha vida. Me pergunto se a senhorinha falecida em 1896 imaginou que um dia eu estaria sentada no seu túmulo tomando uma coca cola, lendo o seu sobrenome e sabendo que ela foi “uma esposa, mãe e avó muito amada”. Cada uma dessas histórias simboliza o ciclo infinito de renovação do universo, de coisas e pessoas que se vão para que novas coisas e pessoas venham.

Esses lugares deveriam ser sempre bonitos, limpos, inspiradores e bem cuidados, cheios de verde, natureza, crianças correndo e gente fazendo piquenique. Morrer é parte integral de viver; e como nada desaparece de verdade, apenas se transforma, que a gente possa então coexistir.

Outras paradas finais: TaísPaulaRitaSarahAlessandra

6 on 6 (Winter)

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Dizem que para quem veio de países quentes o inverno no hemisfério norte é, com sorte, um “gosto adquirido”. Ou seja, você aprende a tolerar. Sem sorte, você vai passar anos se rebelando contra janeiro, reclamando do frio, dos casacos pesados, dos dias escuros que demoram a clarear e terminam logo. Especialmente nessa cidade, a chuva fina e constante costuma testar o bom humor das pessoas. Se bem que temos escapado até então (aleluia). A novidade da neve dura pouco, e depois de alguns invernos para muita gente ela se torna apenas mais uma chatice climática ao se transformar em lama ou gelo – haja cuidado pra andar na rua.

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São meses arrastados. Os dias são curtos, mas ao mesmo tempo longos. O comodismo é confortável, e entre encarar os elementos e ficar quentinha embaixo do edredon assistindo filmes, lendo e tomando chá Twinings eu… bem, acho que vocês conseguem adivinhar essa sozinhos. Graças aos meus hobbies eu nunca me entedio em casa, mas fica a sensação esquisita de estar hibernando.

A vista da janela oferece um céu cor de chumbo visto através dos galhos secos e pelados das árvores. Não é exatamente inspirador, e o berro dos gansos sobrevoando a casa em direção ao lago é um  substituto meio pobre para o canto dos pássaros na primavera.

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Lembro do quanto eu amava o inverno no Rio; os da minha infância pareciam ser mais frios do que os atuais, mas pode ser a minha nostalgia como sempre dourando a pílula. As massas de ar se deslocando na tela da TV enquanto a moça do tempo do Jornal Nacional fazia a minha felicidade ao anunciar que uma frente fria estava a caminho. Os meros 20 graus que já me motivavam a tirar casacos do fundo das gavetas; a neblina no topo das montanhas ao subir a serra em busca de mais frio ainda; cantar o jingle dos cobertores Parahyba enquanto alegremente me enrolava em um deles; assar batata doce nas fogueiras das festas juninas e beber quentão vestindo blusas enormes de lã, compradas na Rua Teresa em Petrópolis; dormir de meia e conchinha sentindo o perfume do cabelo do namorado; as sopas de galinha com arroz da mãe e os gritos dela no fim da tarde chamando para “tomar banho e se agasalhar”; a lembrança de uma menina de pijama de flanela em cima da laje de casa, numa manhã gelada de julho, extasiada com o vapor da própria respiração condensando no ar.

E de repente eu me vejo “fazendo fumacinha” com a boca aqui na rua, e mesmo depois adulta percebo que a graça é a mesma.

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O verão brasileiro, por outro lado, sempre foi um sofrimento. Detesto tudo o que se relaciona a calor, transpiro muito, maquiagem derrete, cabelo gruda na cara, minha pele fica toda manchada, me sinto arder sob o sol forte e a hipocondria me sussurando “câncer, protetor solar, melanoma, FPS 50” na cabeça o tempo inteiro. Não sinto saudade do calor e por isso não procuro passar férias em países quentes. Thanks, but no, thanks.

Aqui no momento não tem longos dias ensolarados e nem passarinhos cantando. O que tem pra hoje é neblina e gansos. But I’ll take it.

Deixo o meu chá com ponto de cruz de lado por alguns momentos, visto a meia calça fio 200 e o gorro de lã esticado cobrindo as orelhas e saio para caminhar. Ando rápido, sentindo o ar frio nos pulmões e isso espanta qualquer desânimo. Os escandinavos, que são meio loucos, têm um ritual de inverno que consiste em sair da sauna quente direto para pular no lago gelado – de preferência nus em pêlo. Acho que entendo. Cariocas apaixonados pelo sol dizem que o calor do verão faz com que se sintam vivos. Mas assim como uma chuveirada fria logo de manhã para despertar o corpo sonolento e ainda morno dos lençóis, aqui é o frio que me acorda pra vida.

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Esse é o meu décimo inverno nesse país. E se essa década de expatriada me ensinou algo foi apreciar a beleza das estações, e que cada uma delas complementa e compensa as outras. Esse é o tempo de se acomodar no ninho e fazer tudo aquilo que ficou para depois durante o verão, quando estávamos ansiosos para estar do lado de fora vivendo. Os livros que não foram lidos, os filmes, o tricô, as arrumações de gaveta, as receitas para testar, as paredes para pintar, os seriados novos pra conhecer, tudo isso entremeado com caminhadas de inverno seguidas de banhos quentinhos e noites longas sob cobertores, chocolate quente nas mãos e lareiras acesas aos pés – ou sei lá, aquecedor ligado; menos glamour, com o mesmo efeito. Hibernar sim, mas isso não precisa ser ruim.

E agora eu vou abrir a janela para deixar o ar frio e fresco entrar por uns instantes, enquanto observo os galhos das cerejeiras que plantei ano passado no jardim já cobertos de brotos – e até mesmo algumas flores. Porque muito em breve será primavera novamente e mais um inverno e suas memórias vão ficar para trás.

Esse é o ciclo da vida, e não existe nada mais bonito ou perfeito. Embrace it. ;)

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Outros invernos: Taís ❆ Paula ❅ Rita ❆ Sarah

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[6 on 6] Christmas

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(vista interior do mercado em Covent Garden, Londres)

Enfim, novamente é quase natal. Ano passado foi o meu primeiro na casa nova. Foi lindo, teve luzinhas, teve comida e teve trilha sonora natalina. Só faltou a lareira, que infelizmente vai faltar esse ano também. Se eu puder fazer um desejo antecipado para o natal 2015 será ter dinheiro pra instalar uma lareira. Mas o natal de 2014 já conta com uma secadora de roupas (OBRIGADA, BLACK FRIDAY!!), então estou no lucro, haha.

Anyway. Natal na Inglaterra. Tudo muito próprio, onde renas e trenós e guirlandas cobertas de ivy e neve fake fazem *todo* o sentido. Risos. Quer dizer, só um pouco, se você considerar que aqui não tem rena e não é sempre que neva forte no Reino. Tivemos “snow luck” por alguns anos, mas ano passado = praticamente zero. Confesso ter ficado desapontada. Não há nada mais legal que acordar, abrir as cortinas e ver uma paisagem de snow globe do lado de fora. NUNCA perde a graça. :)

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(enfeites à venda em Waddesdon Manor, Hertfordshire)

DECORAÇÃO
O kit completo: árvore decorada, guirlanda na porta, muuuuitas luzinhas. Algumas pessoas perdem a mão (e obom senso) e cobrem a casa com pisca-piscas e bonecos de neve infláveis com cinco metros de altura e renas coloridas que acendem e piscam e causam ataques epilépticos nas pessoas e mexem a cabeça e reluzem em todas as cores do arco íris – aposto que o resultado pode ser visto de Marte, e se esticar o tamanho da conta de luz de Dezembro é bem capaz de chegar lá. Mas é inegável que andar de carro pelas ruas à noite se torna muito divertido. Eu sou adepta e batizei a atividade de “christmas bomb hunting”.

As pessoas levam suas árvores de natal a sério e compram toneladas de enfeites; há muita variedade nas lojas, mas é preciso correr porque no começo de dezembro os melhores já terão esgotado. Lojas de departamento famosas, como a Harrods, têm suas próprias linhas de enfeites (logotipo da loja incluso, claro). O famoso triângulo de velinhas estará em muitas janelas, e esse é o meu. :)

OUTDOORS/CULTURA
As ruas e shoppings também são decorados para a ocasião; as avenidas de compras mais famosas do centro (Oxford Street, Bond Street, Regent Street, etc) ganham decoração especial e há cerimônias com celebridades para marcar o momento em que as luzes são acesas pela primeira vez. Mercados e festas de Natal proliferam pela cidade, a mais famosa sendo a Winter Wonderland no Hyde Park. É muito animada e colorida, com uma forte vibe “mercado de natal alemão”, inclusive nas comidas, bebidas e barraquinhas com layout germânico. Mas tenha paciência porque as multidões costumam ser brutais – especialmente nessa época, em que a cidade está cheia de turistas. Outras opções são os rinks de patinação no gelo – o mais tradicional sendo o do Museu de História Natural (com barraquinhas de comida e presentes, bebida, corais, apresentações musicais, etc). Por toda a parte os teatros também apresentam pantomimes – fábulas de natal encenadas em estilo pastelão – que fazem sucesso com as crianças.

As manor homes (mansões campestres, muitas vezes habitadas por uma mesma família aristocrática por gerações – pense Downton Abbey) também se iluminam e promovem christmas markets vendendo comida, presentes e enfeites de Natal. Acho que nesse sentido Chatsworth foi a melhor a que fui até hoje.

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(enfeites à venda em Waddesdon Manor, Hertfordshire)

COMIDAS
A ceia aqui é à moda americana: servida no almoço do dia 25 e não na noite do dia 24 (eu celebro como nas duas datas, porque sim). Na véspera não há ceia, mas algumas pessoas vão à igreja ouvir os christmas carols – corais de crianças ou adultos cantando clássicos e hinos anglicanos tradicionais (lembra de Esqueceram de Mim quando o Kevin entra na igreja e eles estão cantando Carol of the Bells?). É realmente muito bonito.

No almoço de Natal temos o indefectível peru (alternativas aviárias: pato ou ganso), que aqui é servido “recheado” por uma farofinha úmida chamada “stuffing” e eu adoro. Também tem legumes assados no forno, os mais comuns sendo batata, cenouras carameladas e couve de bruxelas (com pedacinhos de bacon e queijo parmesão, hmmm), e as famosas “pigs in blankets” (mini linguiças enroladas em bacon). Também é relativamente comum servir salgadinhos antes da refeição principal (especialmente em festas), a versão natalina do delivery de fim de semana… Se não houver salgados pode ter algum prato quente como entrada. Existem diversos molhos que podem ser usados sobre o peru, feito com líquidos do próprio cozimento, bem como cranbery sauce (um molho de frutas vermelhas) ou bread sauce (feito com creme de leite e pão) para acompanhar.

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rena gigante na praça central de Covent Garden)

Não tem rabanada (que aqui se chama “french toast”), mas tem mince pies: pequenas “empadinhas” doces de massa folheada, recheadas com uma mistura de frutas secas e licor. Outras sobremesas tradicionais são o christmas pudding (que vêm à mesa flambado, em chamas – how festive) e o christmas cake. Não gosto muito de nenhum dos dois; acho a massa meio pesada e enjoativa. Os ingleses também importaram o stollen, que é um pão doce de origem alemã recheado de marzipan. O panetone/chocotone também é popular.

A galera capricha no booze – ingleses, como se sabe, adoram beber – e vinhos tintos, brancos, espumantes, champanhe e licores entram pesado na listinha do supermercado. Cerveja não é tão comum nessa época. O mulled wine (vinho temperado com especiarias e servido quente) é bastante popular, assim como o Bellini, um coquetel feito com Prosecco + suco de pêssego, tradicional no café da manhã. Para acompanhar todo esse vinhos temos queijos variados (stilton, cheddar, brie, camembert…).

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(Candy canes gigantes decorando o hall em Covent Garden, Londres)

No dia seguinte ao Natal (dia 26/12) ainda é feriado, conhecido como Boxing Day; existem várias teorias que tentam explicar o porquê do nome, que você pode encontar no link. O Boxing Day é mais uma desculpa para passar o dia comendo e coçando, mas especialmente é a versão britânica da BLACK FRIDAY! \o/ Sim, no meio do feriado, em plena ressaca de Natal, as lojas abrem fazendo liquidações. Todos os anos eu aguardo ansiosa pela reportagem na TV mostrando a multidão de chinesas na porta da Selfridges, aguardando a abertura da loja pra invadir e sair no tapa por uma Louis Vuitton ou Gucci com desconto.

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(papai noel de LEGO em Covent Garden, Londres)

A única parte que me irrita um pouco com relação ao natal aqui é o foco excessivo no consumismo. Se até eu, que não sou exatamente uma freira carmelita descalça, fico chocada com a euforia das compras e a obsessão por presentes, presentes e presentes, você pode imaginar o tamanho da loucura. Parece que sem isso nada mais importa – o clima, a família, a comida, as luzinhas, a neve, as músicas, O TAL DO JESUS pra quem acredita, etc. As revistas femininas tocam o terror psicológico, ensinando “como criar o natal perfeito” – mil receitas complicadas e potencialmente catastróficas, decorações elaboradíssimas, presentes caros exaustivamente escolhidos de acordo com a personalidade do presenteado, inclusive o cachorro (e até mesmo presentes extras para quem aparecer de última hora), cartões de natal postados na data certa, as melhores receitas do fatídico livro de Natal da Nigella ou Jamie… ou seja, uma pressão enorme e injusta, receita certa para um dia 25 de exaustão física e mental, muita culpa caso algo dê errado e estrague o cenário idílico de comercial de margarina e rombos lendários no cartão de crédito em janeiro. QUAL A NECESSIDADE DISSO?

Oxford Street e os shoppings ficam intransitáveis durante todo o mês de dezembro e eu juro que cada criança desse país, independente da renda, deve ganhar uns cinco presentes de cada familiar. Realmente não entendo isso. No fim você tem uma criança com ressaca consumista, olhando entediada para um monte de caixas, a expectativa atropelada pelo excesso.

Acho que o pessoal podia relaxar. Fazer ceias comunitárias onde cada um traz um prato, ou planejar algo simples e encomendar tudo. Convidar menos gente, acostumar cada criança a esperar menos e e simplesmente curtir a data. Reservar uma tarde fria no começo de dezembro para tirar as caixas de enfeites do sótão, botar Mariah Carey na vitrola e decorar a árvore com a criançada, comendo mince pies e bebendo chocolate quente.

Quanto a mim… All I want for christmas.. is food. :D

Outros Natais pelo mundo: TaísPaulaRitaSarah

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[6 on 6] Neighbourhood

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Admito que a área central do borough de Havering não é o lugar mais tradicional, cool ou pitoresco de Londres. É o coração do subúrbio, quase divisa com o condado de Essex. Há vantagens: o comércio é excelente, relativa segurança, boas escolas, transporte abundante (várias linhas de ônibus e trem), pubs e muitos parques espalhados pela vizinhança. Já em termos de arquitetura… Digamos que no século passado houve uma expansão muito rápida de população, casas precisaram ser construídas depressa e nem sempre o fator aesthetics foi levado em consideração. Existem diversos prédios antigos e casinhas vitorianas, mas não são a maioria.

Essa é uma “market town” e o mercado medieval que existe aqui há 800 anos continua operante, três dias por semana. É claro que ele mudou muito desde então, e hoje em dia ao invés de vacas e porcos vivos podemos encontrar barracas vendendo comida, plantas, artigos de decoração, roupas usadas e CDs bregas. Temos três shopping centers e muitos clubes noturnos. Os restaurantes são meio mais ou menos, no entanto.

De modo geral eu curto morar aqui. Nos permitiu conseguir uma casa maior e ter um pouco de verde, espaço e silêncio. :)

Outros cantinhos na Irlanda (Taís), Holanda (Paula), França (Nicole), Portugal (Rita) e Noruega (Sarah).

[6 on 6] Autumn

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Yellow, orange, red, purple, brown, evergreen. Colours everywhere. :)

O outono demorou. A temperatura está amena ainda, e de vez em quando tem até sol. Mas já estamos oficialmente em “sweather weather”, botas e pulôveres saem do armário, os dias ficam mais curtos e aquele arzinho fresco e limpo que a gente respira na rua não deixa dúvidas: autumn 2014 is here. ♥

E assim começa o Outono na Inglaterra. Para ver mais na Irlanda (Taís), Holanda (Paula), França (Nicole), Portugal (Rita) e Noruega (Sarah) é só clicar nos links. ♥

(Fotos feitas em London, Harrogate e Derby)

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[6 on 6] Architecture

Hoje é dia 6 e o Projeto 6 on 6 não pode parar. Infelizmente pra mim ele quase parou porque o dia escolhido para pôr a câmera na bolsa e sair pela cidade não podia ter sido um fracasso maior. Depois de semanas de sol e céu azul o tempo amanheceu nublado e a luz chocha destruiu as fotos; nem photoshop na causa deu jeito. Outra coisa que destruiu as fotos e eu só fui perceber na hora de editar é que a lente estava suja. Um cacetada de manchinhas nas fotos que eu fiz o possível para remover na edição, mas meu talento é limitado. Some-se a isso o fato de que eu estava com dor de cabeça – valeu, cetose! – e a área que escolhi fotografar por ter elementos arquitetônicos únicos e de épocas diferentes é extremamente movimentada (trânsito e pessoas) durante a semana e… já era. :(

O plano de mostrar prédios em particular – como o Staple Inn, uma antiga estalagem medieval da era Tudor e que sobreviveu ao Grande Incêndio de Londres de 1666 e aos bombardeios da Segunda Guerra – foi por água abaixo. Sorry. Tento me planejar melhor mês que vem. :/

Outras cidades: Paula (Holanda) – Nicole (França) – Taís (Irlanda) – Rita (Portugal)