Grey on grey on grey.

I stored away every single red item that used to live in this cabinet. Grey on grey on grey.

Previously mismatched crockery, now books (and a bit of greenery). This is the first thing the eyes fall upon when you open my front door.

Found the dollhouse at the local dumpster. I’m searching gor a nice chest of drawers to live underneath it.

And behold my beautiful french soup tureen:

Bought from Sunbury antiques, and I only managed to get the seller to shave £2 off the asking price. Still, I didn’t do bad.

Next on the list: paint the walls.

1981

Sendo uma pessoa nostálgica, de vez em quando gosto de dar rolezinhos virtuais pelos meus antigos bairros com a ajuda do Google Earth. Subo ladeiras, atravesso ruas, escolho direções em encruzilhadas, revisito esquinas, comparo as imagens recentes com as que tenho na memória e não existem mais.

A casa cuja fachada recoberta de ladrilhos pretos a fez ganhar o apelido de “mausoléu”. A laje da casa da amiga onde nos sentávamos com uma garrafa de coca cola, um maço de cigarros e todo o tempo do mundo para desperdiçar sem dó uma tarde de sábado olhando o movimento da rua. A padaria onde meu pai me levava para comprar o sorvete dominical, com a banca de revistas na porta onde eu contava moedas para trocar por envelopes de figurinhas. A padaria que tinha “aquele pão gostoso” que não tinha nas outras. A padaria mais longe, que ficava perto demais de um lugar onde não se devia ir.

O supermercado que antes era fábrica de açúcar ao lado da escola e que enchia as nossas tardes de “cheiro de doce”. O muro pintado em comemoração à copa do mundo de 1986 (a primeira de que me lembro) e que continua da mesma cor, o verde anêmico da tinta misturada com água pra render que desbotou mas manteve o desenho. O portão de madeira caindo aos pedaços atrás do qual eu fui implorar uma vaga na quadrilha de são joão da rua (e não consegui; boa argumentação, péssima dançarina). A casinha quadrada e (ainda) amarela onde pulei corda no quintal de uma amiguinha da escola que tinha vergonha de levar colegas em casa porque a mãe vendia sacolé e o pai abusava do álcool. A calçada onde um grupo de pessoas revezou um binóculo para ver gente morta pendurada na torre de energia elétrica (essa era a realidade da baixada nos anos 80, cortesia da Falange Vermelha).

A lanchonete que foi locadora de videogames e alvo de muitas peregrinações vespertinas atrás daquele jogo que vivia alugado, o pet shop que foi vendinha onde íamos comprar cocada, bananada, dadinho e a lendária pipoca do saco vermelho, o supermercado que foi loja de material de construção onde meu dente de leite caiu dentro de um ralo, o condomínio de sobrados que foi o terreno baldio onde eu aprendi a andar de bicicleta, o bar que foi barbearia onde meu pai cortava cabelo comigo sentada no colo, a “casa do lobisomem” que abrigava um senhorzinho taciturno e bastante peludo que “sumia em noite de lua cheia”, o endereço da menina mais bonita da rua (não era o meu), as grades do portão da casa onde eu nasci (e por onde eu enfiava a mão para bater nas crianças na calçada). As lembranças são infindáveis.

Minha mãe tinha “cisma” com algumas ruas. Bastava ter ouvido falar de um crime que teria (ou não) acontecido ali 10 anos atrás e aquela área era permanentemente catalogada na pastinha mental “LUGAR PERIGOSO” e banida para mim. “Se eu SONHAR que você pôs os PÉS na rua da caixa d’água você NUNCA mais sai de casa!”, o tom ameaçador combinando com o dedinho em riste e destoando da minha cara de deboche. Pois a melhor amiga da minha mãe morava nessa mesma rua, que por acaso estava liberada justamente até a casa dela. Já que ninguém sabia as coordenadas geográficas exatas do crime, por que não empurrá-lo alguns metros acima? How convenient.

Falando em crime, tem também a avenida de casas onde mataram um homem e nós crianças ficamos sabendo na hora em que saíamos pra escola. Imagine um bando de ten years olds se acotovelando e fazendo fila por trás de uma mureta a fim de assistir policiais jogando água em cima do cadáver rijo, o sangue diluído se espalhando pelo chão de cimento. Eu nunca soube exatamente o que havia acontecido/estava acontecendo ali, mas a imagem jamais saiu da minha memória. E parecidas a ela ficaram outras, algumas envolvendo meninos que cresceram comigo, que brincaram de pique esconde comigo, que jogaram queimado no meu quintal, com quem eu dividi ficha de fliperama em botequins e sacos de pipoca em tardes de cosme e damião. Meninos interrompidos.

No começo desse ano a mãe de um deles me adicionou no facebook. Lembrei dela três décadas mais nova: moça pálida sumindo dentro de amplos vestidos estampados, saía pouco e mal penteava o cabelo – mas naquela época depressão tinha outros nomes. Quase todos feios. Perguntou pela minha mãe, sobre a minha vida e quis saber se estou feliz.

“Você ainda lembra do meu filho?”

Lembrava. E contei daquela noite na escada da casa dela onde meu tamagoshi morreu, ele consertou meu chinelo e me ensinou a jogar brick game. Ele era bom com essas coisas, disse ela. Era sim. Eu lembro. E lembrei de outras coisas, de pequenas anedotas desimportantes de criança mas que fui contando, inflando significados e esticando dimensões, sendo o Google Earth possível para uma saudade que não podia ser satisfeita por um mapa na internet. Uma nostalgia que requer testemunhas, que precisa desesperadamente de uma garantia de que coisas que não estão mais aqui existiram e deixaram marcas.

Pintaram o portão preto da casa onde eu nasci.
Ele agora é prateado, mas as grades de ferro retorcido são exatamente as mesmas.

Sunbury Antiques

After many years I finally got to visit the famous Sunbury Antiques Market in Surrey. The gates are open from 6AM and most stands are outdoors, so do wrap up warm in colder months and bring a mac in case it rains.

There’s a bit of everything: crockery, furniture, textiles, art, collectibles, decorative objects, knick knacks, oddities and… sad deer.

Do take cash, as nobody takes cards and the only ATM available is often out of service. But there aren’t a lot of real bargains to be had. This ain’t no charity shop, the sellers are knowledgeable about the pieces and their value. I had no hopes it was going to be cheap, after all it’s too close to London and right in the middle of bank commuter belt, so don’t expect to leave with a carboot full unless you want to spend.

By midday my money was gone, spent on a little old broken vase and a french soup tureen, so I decided to call it a day (being cold and broke also played a part in this decision). The sun had come out and I decided to go for a short walk along the Thames on Sunbury. Which is a special place for me; it was my first stop in british soil. There’s a pub near the river called The Flower Pot, where I had my very first pint of real ale back in 2004.

It also happened to be “Pancake Day”!

And as I walked back to the car, spring treated me to this little gift:

The market is on twice a month (second and last tuesdays), it’s free and there is parking. Get there early and grab a bacon butty by the entrance to start the day right. ♥