Here’s a toast to the ones who knew us before the riches

ouvi tears for fears e vashti bunyan, fiz faxina, as unhas com o mesmo vidro de particulière que tenho há 10 anos, o cabelo, frango com repolho cremoso, desenhos no meu bullet journal e compras por impulso – esses egg cups de raposa, por exemplo. o tempo alternou entre sol + frio e uma chuva tão fina que por trás dos vidros da janela parecia névoa. na expectativa da primavera comprei um monte de bulbos e uma spiraea na poundland; e eu só tinha entrado lá por causa da sacola de compras, com estampa de calaveras, que eu vi da rua e cobicei. os gerânios seguem sobrevivendo (e florindo) na varanda, mas só o tempo vai dizer se emplacam março sem mofar.

colhi a última rosa de 2017 que ainda estava no galho, sem ousar desabrochar tão tardiamente. tomei banhos longos, coloquei puxadores novos no armário (rosas cinzentas como o céu do dia), comecei a fazer um snood de crochê (com sorte consigo terminar a tempo de usar neste inverno), vi rosehips tão vermelhos e suculentos que pareciam berries, vesti uma calça nova super confortável e que inclusive nunca mais quero tirar, tomei café com meu panini preferido no costa (queijo de cabra com molho de chilli) mas esqueci de pedir pra não esquentarem e é horrível quando esquentam porque o queijo derrete demais e vira lava escorrendo pelos dedos. o barista fez uma “latte art” bizarra na minha xícara; postei nos stories do instagram e me diverti lendo as sugestões que as pessoas davam para o que diabos aquilo parecia.

na sexta eu estava com o trabalho adiantado e cheia de planos, porém tretas familiares me puseram num estado colossal de rage que me deixou prostrada. comi um pacote inteiro de biscoitos porque carboidrato é melhor do que rivotril e assisti documentários bregas no youtube. respirei, acendi velas – queria quebrar todas as lâmpadas de teto e usar apenas luz difusa – e o mal estar passou. aproveitei para comer outro pacote de biscoito, dessa vez celebratório. burp. no sábado recebi visitas à tarde (ainda tinha biscoito, mas não durou muito porque butterkeks é tipo crack cocaine) e à noite matei o desejo de comer uma pizza cheia de queijo e beber prosecco de supermercado, em casa mesmo, porque já de meias e pulôver furado quando respectivo chegou de viagem.

não tivemos tempo de planejar nada extravagante (ele passou a segunda semana do ano na alemanha a trabalho) e tive um aniversário tranquilo e simples, como prefiro. acordei com uma neblina grossa feito gaze cobrindo o jardim e corvos gritando sonolentos nos galhos pelados do carvalho (dizem que é sinal de boa sorte; let’s see). eu e o meu pijama novo descemos para uma cozinha perfumada a café fresco onde encontrei a mesa posta com pretzels e “breakfast cake” que ele trouxe da alemanha. fomos passear em kent e tomar cream tea num salão de chá no meio da floresta, servido sem luxo em louça prosaica por uma senhorinha mal humorada – mas estava uma delícia, sem miséria na porção de clotted cream. num canto do salão uma mini livraria de usados; 30 centavos cada um e trouxemos três para casa.

rodamos de carro pelo countryside, parando na estrada para arrancar plantas secas dos barrancos (em breve farei arranjos com elas), admirar o pôr do sol de inverno e procurar um pub para jantar. tomei uma cidra maravilhosa, comi filé de pombo (mordi um pedaço de chumbo, mas tudo bem), ele comeu pudim de suet (maravilhas da culinária britânica parte 73453) com recheio de carne de caça e de sobremesa o melhor waffle que já provei – com sorvete de passas ao rum tão carregado no rum que voltei meio bêbada pra casa. li mensagens adoráveis de pessoas idem, comi mais bolo (kugelhupf), vi filminhos e sorvi copinhos de bailey’s irish cream sem gelo. it was a really good birthday.

tem umas rugas se espalhando por essa face que já viveu em quatro décadas diferentes e aprendeu a fotografar seus melhores ângulos (ao vivo é outra história), riu um bocado, chorou até pouco e fez bastante cara de tédio porque sua emoção preferida é a preguiça. talvez a era do botox esteja próxima, talvez eu tenha esgotado todas as fucks que poderia dar pra isso porque filtros do snapchat são de graça, ninguém nunca morreu de feiúra e a vida é mais interessante e oferece alegrias maiores do que ganhar like em selfie (não que ganhar like em selfie seja ruim, you know). sejam bem vindas, rugas; a lifetime of silly faces has brought you here. mas o reumatismo e a dentadura não precisam ter pressa, ok? podem vir com calma e levar mais uns 20 anos, pelo menos. i’ll be right here.

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