Le monde riche

Ruas de Richmond, sua high street cheia de lojas chiques e seres humanos cor de rosa usando trench coats Burberry. Cheguei quando o sol ainda estava bonito em Kew, mas no desespero pra fazer xixi segui direto e acabei na fila de um banheiro do Starfucks. Aproveitei a oportunidade pra tomar meu primeiro “copo vermelho” da estação, um eggnog latte (ok, mas enjoativo e NÃO VEIO NO COPO VERMELHO, what a sham) e um cinnamon bun (o da ikea é menor, porém mais gostoso pois mais açucarado e molhadinho). Fiquei admirando um grupo de crianças (dois meninos e uma menina) de uns 9 ou 10 anos sentados numa mesa sem adultos, bebendo calmamente seus cafés limited edition. A menina parecia uma princesa passando um dia em meio à plebe, o cabelo preso num rabo de cavalo e os sapatinhos de fivela de couro envernizado sem um arranhão. O menino mais alto parecia um filho perdido do Zac Goldsmith e o menor usava um uniforme de escolinha de futebol. Os três conversavam entre si animadamente, porém com tamanha educação e poise que por um momento pensei serem adultos com nanismo.

Por algum motivo isso me lembrou dos meus 20 e poucos anos, onde por acaso ou circunstância eu fazia coleguinhas mais novas e as mães das meninas logo tratavam de nos afastar. Eu nunca fui uma pessoa muito madura, e enquanto as moças da minha idade sofriam de ansiedade já antecipando complicações concretas/imediatas como pós-graduação, carreira, casamento, filhos e pagar as próprias contas, eu sofria de ansiedade esperando pela manhã de sábado quando ia finalmente comprar as canetas gel perfumadas com tampa de bichinhos na rua da Alfândega. Tínhamos pouco em comum e nada pra conversar. Eu preferia bater papo com as meninas que curtiam boy bands, roupas novas e coisas de papelaria.

Hoje em dia as ruas do centro antigo do Rio ficam um pouco longe pra uma weekend trip e eu compro as minhas canetas na Amazon. O resto continua praticamente igual.

Quase sentei na mesa das crianças e perguntei qual era a boa, qual era o time do esportista, qual a matéria favorita da princesa na escola e se o mini mauricinho tinha um trust fund. Tomei o gole final do meu eggnog já frio, vesti meu casaco de brechó e saí porta afora atrás do sol que, derrotado, já entregava os pontos para as nuvens. The radio silence continues.

Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s