Tricks and treats.

Estou me sentindo um fracasso enquanto blogueira porque não postei quase nada sobre o outono e o halloween; outubro foi um mês virado na quinta velocidade por aqui e fui relapsa, I beg forgiveness. Andei pela cidade, pelo interior (as fotos acima, exceto a primeira, são de uma manor house que visitei quando estive em Derby), comi em restaurantes/cafés novos, inaugurei a temporada de velas perfumadas/banhos de banheira com música, terminei projetos que estavam emperrados e sem sair do lugar há tempos e comecei outros que, espero, tragam resultado. Houve alguns problemas, mas muitos outros foram solucionados; acho que na reta final o ano finalmente resolveu andar pra frente.

Uma parte chata foi ter visto o gatinho bengal parando de comer e ficando letárgico. Assustada depois do que passamos com a Chantilly nós o levamos no veterinário a fim de ler o microchip e descobrir o dono (ninguém atendia no número de telefone que ele tinha pendurado na coleira). Microchip lido e dono identificado, ficamos sabendo que o gato já tem 14 anos (eu nunca imaginaria) e problemas renais e hepáticos. O dono disse que ia levar no vet da família e dar notícias, mas as notícias nunca vieram. Belo dia o gato aparece na minha porta, pele e osso. Eu o deixo entrar, mas decido ligar pro dono anyway porque ele poderia estar em tratamento/sendo medicado, e sabendo agora o que sei, eu não poderia mais alimentá-lo. O dono veio buscar o bichano, disse que o gato “escapou” de casa (e veio direto pra minha; I wonder why…), foi super seco quando respectivo tentava dar dicas, respondia tudo com “tá, tá”, foi saindo logo e disse que o gato “já tinha vivido mais do que eles esperavam”. Fiquei com uma impressão que pode não corresponder à realidade. Eu espero que ele fique bem ou que não sofra quando chegar a sua horinha de ir.

Fechando a tampa do inventário de bruxas de outubro: apesar de ser bem auto suficiente, me sentir esgotada depois de um certo nível de interação social e preferir fazer as coisas sozinha (introvertida clássica) eu fico meio confusa quando sou vítima de desfeitas que penso não merecer. Por outro lado consideração, afeto e amizade são coisas que a gente não força ou exige – elas acontecem ou não. Mas hoje em dia acho que não tem tanto a ver com “fazer por merecer” mas com passar a imagem correta (ainda que fake). Antes eu acreditava que, sendo eu o denominador comum, o problema só podia estar comigo. Agora acho graça dessa idéia e me recrimino por ter pensado assim, assumindo uma culpa que sei que não é minha. A gente vive dizendo que a humanidade não deu certo e que as pessoas são horríveis, right? E a teoria se comprova na prática toda vez que a gente sintoniza a TV no noticiário ou despenca na seção de comentários dos portais de notícia. Então ser rejeitado por 90% da raça humana só pode significar coisa boa? :) E quantas vezes você viu gente que age de forma pouco ética com você e com os outros (falando mal pelas costas, sendo desnecessariamente cruel, manipulando pessoas para se afastarem por ciúme/insegurança, se esbaldando no body shaming, etc) mas que coleciona amigos e mensagens de feliz aniversário nas redes sociais (muitas vezes vindas dos pobres coitados que você já ouviu serem criticados)? Ser legal nunca foi requisito para ser popular. Você só precisa passar a vibe certa. As melhores pessoas que já conheci na vida sempre tiveram poucos amigos – respectivo sendo um bom exemplo.

E esse foi o meu display/macumba de halloween 2016. Risos. Pensei em fazer uma mini festinha em casa mas não tive tempo de planejar; acabei usando parte das decorações para fazer esse “altar” de outono/equinócio/colheita/all hallow’s eve, tudo junto e misturado. Ficou num canto da varanda, evoluindo com cada nova adição e juntando poeira e teias de aranha – so authentic. :) Eu adoro a parte terror/slasher movie do halloween, mas por algum motivo acho meio estranho encher a casa de diabos, almas penadas, caveiras cheias de sangue e membros decepados.

Os olhos da caveira acendem. ♥

Look! A rat! E eu estou in love por essa corujinha preta.

Orgulho das teias de aranha do meu display, todas 100% verdadeiras. Agradecimentos às centenas de aracnídeos que ocuparam minha casa o verão inteiro; finalmente foram úteis. :)

E o orgulho também da minha pequena virginia creeper verdadeira que foi amarelando aos poucos e perdendo folhas em tempo real; um pedacinho do outono indoors:

No domingo pré-halloween fui passear em Epping e achei esse galho de carvalho. Foi devidamente incorporado:

O que mais teve: comida, claro. Sem chance dar açúcar para as crianças alheias e não rolar nada pra mim. Eu tinha comprado corante preto para fazer cupcakes, mas a preguiça + falta de tempo venceram e acabei me entupindo de french fancies em edição especial de halloween (esses montinhos em cima sempre me lembraram covas) com direito a cruz; os ossinhos ensanguentados foram o toque final de creepyliciousness.

Ontem eu passei numa Poundland por volta das cinco da tarde, em pânico porque pensei que ia faltar doce, e esbarrei no momento em que o staff casualmente removia a decoração da loja. Teias de aranha e caveiras de glitter sendo arrancadas da parede e enfiadas de qualquer jeito em carrinhos de supermercado junto com as fantasias, doces e enfeites que não foram vendidos. Vibe total de fim de festa. Fiquei melancólica. Peguei dois saquinhos de Haribo e pirulitos, joguei na cesta e me encaminhei para o caixa, deixando pra trás prateleiras sendo esvaziadas de gatos pretos e abóboras e se enchendo instantaneamente de papais noéis, festão e pisca-pisca.

Hello november. October will be missed, but we must look forward.
Countdown to the second best time of a year that’s going too fast.

p.s.: sobrou um monte de doces. vou guardar pro ano que vem.
p.s.2: doce de cosme e damião >>>>>>>>>>>>> doce de halloween.
p.s.3: as crianças estavam uma graça. o winner do meu concurso particular foi um captain america de uns 2/3 anos que berrou “tick o teeeeeeet”, foi entrando casa adentro (a mãe teve que segurar pela fantasia), pegou 3 doces depois que a mãe disse “só um” e perguntou se eu tinha bolo.
p.s.4: pedi doces na minha própria casa e assei marshmallows numa vela perfumada. ficaram uma delícia e o cheiro estava on point, thanks for asking.

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