[6×6] Favorite places

E o tema de hoje é “Lugares Favoritos” e eu me dividi entre “que legal, vou achar seis lugares em questão de segundos!” e então procedi a passar SEMANAS tentando escolher apenas seis. Fiz uma seleção  aleatória mas acho que alguns desses lugares entrariam em qualquer lista que eu fizesse.

1. Sunbury-on-Thames

Eu ia deixar Sunbury de fora da lista porque não consegui uma boa foto, mas foi impossível. Sunbury-on-Thames, ou mais precisamente Lower Sunbury, foi o primeiro lugar onde eu pisei na Inglaterra fora do aeroporto – uma village bonitinha às marges do Tâmisa. Estávamos fazendo conexão entre aeroportos a fim de pegar o vôo para Jersey (a ilha do Canal da Mancha onde ele morava na época e que foi nosso lar por vários anos). Ele quis me apresentar à famosa “cerveja inglesa” (amarga, choca e quente) e eu, sabendo que ia odiar, pedi um copo pequeno. Que eu bebi em um minuto e o próximo veio em forma de pint inteira; amor ao primeiro gole. ♥ E amor àquele primeiro contato com uma cultura que já significava tanto pra mim e estava prestes a se tornar ainda mais.

2. Hampstead

Muito verde, flores e arquitetura bonita. Essa área já foi considerada o lar da “esquerda caviar” londrina, o bairro dos escritores, poetas, compositores, artistas e intelectuais. Não tem o burburinho de outros bairros mais centrais, mas o que “perde” em agito ganha em tranquilidade. É lá que fica Hampstead Heath, um dos parques mais bonitos de Londres (320 hectares de amor), com florestinhas, lagos onde as pessoas podem nadar (incluindo o Ladies’ Pond, que como o nome indica é exclusivo para mulheres), vales e montes de onde se tem uma vista ampla da cidade. Dentro do parque está Kenwood House, uma mansão do século 17 aberta a visitação pública (olha só a biblioteca) e uma orangerie que serve um bolo Victoria Sponge perfeito. ♥ Hampstead tem também uma variedade de cafés, restaurantes, o Valley of Health, Highgate (o mais famosos cemitério de Londres, onde repousam muitas personalidades), a casa do Freud e do poeta Keats e se não me engano o Boy George ainda mora lá.

3. The City

Muita gente não vai entender essa escolha, porque para muita gente nada tem menos a cara de Londres do que esse monte de arranha céus futurísticos com formatos estranhos e apelidos engraçados (“o pickles”, “o walkie talkie”, “o ralador de queijo”, “o caco de vidro”, “o caracol”, etc). Mas eu acho fascinante esse pedaço de modernidade plantado no meio de um lugar super tradicional; a poucos metros dali fica a torre onde decapitaram a Ana Bolena, e tem um ângulo de visão onde você o The Shard (o caco de vidro, prédio mais alto da Europa) parece estar dentro da Tower of London – onde ficam as jóias da coroa britânica guardadas por senhorzinhos usando uma fardinha vermelha super vintage e que mantêm aquela vaga vitalícia cuidando entre outras coisas da segurança dos famosos corvos da torre (reza a lenda que se um dia todos eles abandonarem a torre a monarquia cai).

4. Coggeshall

Uma vila super charmosa em Essex, com cerca de 300 construções históricas tombadas. Fica especialmente bonita durante a floração de wisterias. Enquanto admira os cachos cor de lilás nos galhos aprecie um chá das cinco servido à maneira tradicional: bule, coador para filtrar o líquido, leite frio para o chá e água quente extra para fazer refil do seu Earl Grey/Darjeeling/Afternoon Tea. ♥ Coggeshall também tem domicílios de ricas famílias tradicionais da idade média (a área foi um dos epicentros da indústria têxtil européia) abertas a visitação pública, como Paycocke’s House, e muitas lojinhas de antiguidades e pubs.

5. The Strand

Fica no meio de Westminster e pro alguma razão não faz sucesso com turistas, apesar dessa arquitetura. Tem a Royal Courts of Justice que por si só já vale a passagem. Tem um café legalzinho com staff simpático bem em frente, e se você chegar cedo pode pegar um lugar de frente pro janelão que dá pra rua e comer o seu croissant matinal admirando a vista e pensando em todas as tretas que já rolaram por trás daqueles portões e arcos neogóticos projetados por George Edmund Street – que acabou morrendo antes que as obras fossem concluídas, exausto com a construção. Mas concluídas elas foram, e enquanto eu saboreio o meu croissant e faço o meu people watching eu penso que o Georginho não morreu em vão e teve a melhor “despedida da firma” que alguém poderia. Logo ali do lado tem também a loja da Twinings (já falamos sobre o assunto) e não muito longe está o Postman’s park (idem).

6. Queensway.

Sei explicar? Não, acho que não sei explicar. Queensway é praticamente só uma rua, e poderia ser ali, ou poderia ser Chinatown, ou poderia ser o Soho, ou poderia ser Seven Dials, ou poderia ser outro; todos esses lugares centrais e com um certo buzz, onde o centrão parece uma comunidade, ou melhor, pequenas comunidades de pessoas com interesses em comum e incomuns, tribos urbanas, guetos de imigrantes, aromas de restaurantes étnicos do mundo todo, turistas, transeuntes, lojinhas de cacarecos com a union flag e pequenas rainhas elisabetes de plástico, onde a cidade é menos tons pastel e trilha sonora dos Beatles e mais latas de lixo sendo reviradas pelos pombos e bares onde turcos fumam narguilé em sofás de veludo na calçada. Queensway é praticamente só uma rua (mesmo sendo uma área inteira em Bayswater), mas é uma rua que tem duas estações de metrô, tem floristas e prostitutas, tem mercadinhos brasileiros e chineses e restaurantes do mundo inteiro, bares que vendem coxinha com catupiry fake e linguiças polonesas e ervas e especiarias para as sex workers tailandesas com saudades de casa, que tem o Hyde Park de um lado e do outro um shopping que foi a primeira loja de departamentos de Londres (aberta em 1867), lojas de bugigangas que te atendem com sotaque árabe e eu entro e saio de lojas segurando o onigiri japonês numa mão e a garrafinha de guaraná Antarctica na outra e depois me sento num café do Whiteleys pra ler o London Evening Standard que peguei de graça na estação enquanto tomo um cappuccino e me finjo de lady. Aqui eu posso ser o que eu quiser.

Outros lugares queridos: Taís (Irlanda) – Paula (Holanda) – Alê (Ucrânia) – Loma (Coreia do Sul) – Paula (Austrália)

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