In Bruges – Part One

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Parada para abastecer e fazer xixi num posto de gasolina em algum ponto da Bélgica ou Holanda, eu catando pinhas do chão para fazer enfeites de natal. As seis horas e meia de Callais para Hannover passaram bem mais rápido do que as quatro de Hannover para Bruges; minhas costas quebraram, meu traseiro tornou-se quadrado e eu só pensava em dormir porque isso não vinha acontecendo direito desde o primeiro hotel.

Quase chegando em Bruges o satnav avisou de algum perrengue na estrada e nos redirecionou para uma rota alternativa cruzando a pequena village de Damme, que inclusive é uma graça e voltei pra visitar depois. A estrada era uma beleza: canal de um lado, campos verdejantes cheios de vaquinhas de outro e um corredor de árvores às margens. Não consegui uma foto que fizesse jus, mas fotografar através do vidro de um carro em movimento é só pra ninja.

Chegamos ao destino e não sei se por causa do cansaço e daquele fim de tarde cinzento eu me senti… underwhelmed. De início achei Brugge meio insossa. Não ajudou que o hotel ficava meio afastado do centro, numa rua morta que inclusive estava em obras e em frente a uma igreja enorme onde eu já cheguei fazendo mil fotos que saíram TODAS uma merda por motivos de luz péssima porque o tempo estava nublado. O tempo, aliás, estava FRIO. Levei vários vestidinhos porque acreditei na previsão da meteorologia que anunciava 18 graus e agradeci muito por ter comprado aquela malha grossa em Hannover.

Fomos procurar um lugar pra comer e percebi que a vibe gastronômica de Brugge é meio Paris: bife com fritas, mexilhão com fritas, galete com fritas, crepe com fritas, fritas com fritas. Quarteirões inteiros da mesma coisa. Tédio alimentar beirando depressão. As variações eram um tal de waterzooi (sopa de galinha?) e um cozido de carne de vaca, ambos supostamente pratos típicos da Bélgica.

Entramos num restaurante APENAS porque tinha lareira – eis a medida do desespero (e do frio). O garçom veio me perguntando se eu era espanhola (what. the. fuck.) e ofereceu o “drink da casa”, que respectivo logo aceitou e eu fiz cara de “não, obrigada”. Até parece que eu vou aceitar uma bebida que eu não escolhi e cujo preço desconheço; esse tipo de oferta tem toda a cara de “caça turista otário”. Os tais drinks chegaram e pareciam uma laranjada carnavalesca: tinha um foguetório aceso dentro dos copos que ficou soltando faíscas na mesa e quase chamuscou cabelos.

Pedi o tal do waterzooi porque frango é frango e você sempre (?) sabe o que esperar. Estava gostoso; uma sopa grossinha simples, com base de gema de ovos e creme de leite. Os pedaços de peito de frango cozidos nesse caldo estavam bem brancos, mas ó: tava bem feitinha, cremosa e pelo que eu vi de fotos de waterzooi na internet podia ter sido bem pior. Ele foi de cozido de vaca, que eu provei e achei bom, mas a carne meio… doce. Não que sabores atípicos me assustem, apenas achei inusitado.

O highlight da refeição, no entanto, foi a “sobremesa”. Pedi só um café, que veio porém acompanhado de biscoitinhos, balas e esse mousse de licor de limão com creme batido por cima. Novamente, quase pedi outro só pra ganhar mais.

O bar do hotel estava fechando quando voltamos, mas o moço bacana da recepção topou nos vender cerveja se a gente levasse para beber nos quartos. Carregamos copos e garrafas elevador acima e só devolvemos no dia seguinte.

Quando amanheceu descemos para o café da manhã e foi lá que a minha páscoa realmente começou. O salão de café era enorme com uma mesa no centro repleta de baixelas de comida, uma delas transbordando de waffles fresquinhos, ainda quentes e cobertos de açúcar de confeiteiro. Se a viagem não tivesse valido de mais NADA, esses waffles teriam sido o bastante. ♥ I’m in love. ♥ (comi uns cinco)

Saímos em busca da Igreja de Our Lady para ver a escultura de Michelangelo, mas a fila na porta desanimou. A igreja no entanto é linda, mais de 120 metros de altura – a segunda construção de tijolos mais alta do mundo. Um dia, que não seja feriadão de páscoa num país famoso por seus chocolates (ou seja, lotado), eu volto.

Bruges, obviamente é cheia de canais. Me lembrou um pouco Amsterdam, só que mais compacta.

Bruges também é cheia de bicicletas. Outra coisa que me fez lembrar Amsterdam.

(to be continued…)

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