Shorter of breath and one day closer to death

pink-sofa

Nem aí pro São Valentinho, fui fuçar o centro e comprar livros fúteis com muitos porcentos de desconto na Home Sense. Quis trazer pelo menos duas cômodas, um sofá, dois espelhos e uma poltrona pra casa, mas o que me falta em foco me sobra de noção.

Li numa revista de jornal:

val

O chá matinal com um sorriso: check. Já sobre o melhor sexo nunca ser no dia de São Valentinho eu não sei. Minha vida não acabou ainda e eu espero ter mais alguns 14 de Fevereiro para não celebrar.

drumi

Selfie no espelho da loja. Mesma jaqueta de 5 libras da Primark (reduzida; preço original 11 libras) que estou usando em casa há vários dias. Percebi as manchas de comida perto da gola quando já estava na rua perto da gola; raspou com a ponta de unha, tá novo. Very glamourous.

princess

Eessas paredes dusky pink acalmam mais que rivotril. E esse closet é um dos meus lugares favorito nessa casa.

Falando em São Valentinho/amor, me perguntaram o que eu achava de viajar com namorado. Porque a pessoa estava indo viajar com o dela e morrendo de medo de que ele pudesse ver sua carinha amassada e sem maquiagem, ver o cabelinho bagunçado e “as calcinhas sujas dentro da mala”. Me admirei em saber que o namorado fuça a mala da menina e me perguntei se ele porventura seria cleptomaníaco (achar a calcinha suja seria acidente de trabalho) ou se ele apenas é fiscal de aeroporto e não consegue deixar de pensar em trabalho quando está de férias.

Se a pessoa é daquelas que só se encontra com o namorado usando calcinha com enchimento de espuma + cinco quilos de base no rosto then YES, Houston, we might have a problem. Se não for o caso, acho que é preciso relaxar. Não vai ter nada ali que o rapaz já não tenha visto ou imaginado antes. Ou então o jeito é acordar mais cedo que ele, correr no banheiro, escovar os dentes, arrumar o picumã e rebocar a cara inteira de novo. Nunca protagonizei tal vexame, mas é prática corriqueira entre as malucas daqui. Caso a pessoa não queira se dar a esse considerável trabalho, é dormir com os dentinhos escovados, colocar as calcinhas sujas num saco preto amarrado no fundo da mala, pegar leve na maquiagem e ir viver.

Sempre viajei com meu marido sem problemas, por motivos óbvios. Somos casados e ele acorda com a minha cara no travesseiro ao lado todos os dias. Com o namorado mineiro eu nunca viajei porque não havia grana pra isso, mas se considerarmos que eu já dormi na RUA com ele vamos combinar que o meu cabelo e o meu bafo matinal foram as últimas coisas com as quais eu me preocupei. Com o outro eu viajava (saudades da casa de Búzios e Petrópolis *sniff*), mas aí ele já tinha me visto acordando antes, nós já sabíamos que eu era feia mesmo, nenhuma ilusão pra manter a respeito BUT BUT BUT havia muita caipirinha para beber de graça.

Por que do contrário a gente faz o quê, nunca namora? Nunca dorme?
A gente vai morrer. MORRER. Deixar de existir, mesmo. Parece um conceito longínquo pra os muito jovens agora, mas posso garantir que os próximos 10 anos vão passar mais rápido que os 10 anteriores e depois disso as décadas vão voar. Daqui a pouco você vai estar na metade da vida, olhar pra trás, ver que não se passou taaaanto tempo assim desde que você aprendeu a usar o peniquinho sozinha, vai perceber o quão curto é o tempo que resta e se perguntar: o que é que eu fiz? O que me sobra fazer? Eu fiz certo? É SÓ ISSO???

Acredite, ter acordado com a cara amassada ao lado de algum pafúncio pós-adolescente que – BIG NEWS! – *também* estava com a cara amassada não vai nem constar dos seus pensamentos nessa hora.

Vocês sabem que isso é verdade. Ótimo. Já é um começo.
Um dia a cara vai amanhecer amassada e – BIG NEWS 2 – ela não vai mais desamassar.

Wake up.