A place to rest.

Outro dia fui conhecer o City of London Cemetery que, descobri, fica aqui perto, em Wanstead. Fiquei chocada com o TAMANHO do dito cujo; parecia um mini vilarejo – as “casas”, pelo menos, eram muito mais bonitas que a de muitos bairros por aí. Não consegui ver tudo num mesmo dia, até porque estava fazendo um frio CRUEL; preciso voltar quando a temperatura subir um pouco.

O cemitério foi aberto em 1856 porque a cidade já não estava mais dando conta de enterrar todos os seus mortos nos graveyards já existentes. Num deles, em Holborn, o terreno subiu a mais de 4 metros acima do nível original, devido aos corpos sendo literalmente empilhados. Cães e outros animais os desenterravam e espalhavam os ossos pelas ruas, um risco para a saúde pública. O City of London é o maior cemitério/crematório municipal em toda a Europa e conduz cerca de 5 mil funerais por ano.

Existe uma pequena florestinha para o que eles chamam de “enterros naturais”; não há lápide, apenas uma plaquinha de madeira que é removida depois de algum tempo. Há também várias capelas espalhadas pelo terreno, ruas largas por onde circulam carros e muitas árvores, flores e animais silvestres como esquilos, ouriços, tartarugas, sapos, morcegos, pássaros e insetos – apesar de ser um lugar destinado a celebrar o fim de um ciclo, a vida à sua volta continua. Juro que considerei um piquenique no verão, porque a área é realmente linda.

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Essas estátuas aí embaixo faziam parte de uma única sepultura enorme.

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Anjos contemplando a eternidade.

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Como o cemitério foi inaugurado na era Vitoriana, muitas lápides trazem esculturas da época. Fotografei algumas que achei mais bonitas.

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Crocus primaveris florescendo a todo vapor.

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Snowdrops, que me fizeram lembrar de Jersey:

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Esquilinho que posou para a foto; não tive sorte com os pássaros – tímidos, não deram a menor chance para os paparazzi.

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Confesso que nunca entendi muito bem a relação complicada que os meus conterrâneos têm com cemitérios. Na infância lembro da minha mãe tirando sempre os sapatos e o máximo possível de roupa antes de entrar em casa assim que voltava dos enterros – segundo ela, era “mau agouro”. Certa vez eu e uma amiga ouvimos um sermão de um segurança quando fomos surpreendidas fotografando sepulturas. Muita gente não cogitaria a idéia de passear num cemitério e teria “medo” de morar ao lado de um. Respectivo morou ao lado de um cemitério por quase dez anos, e segundo ele diz “foram os melhores vizinhos que ele já teve; silenciosos e compreensivos”. Minha mãe ficou horrorizada quando a levei para conhecer o (lindo) cemitério em questão, que tem vista para o mar e uma capela de 800 anos.

Aqui todo vilarejo de um certo tamanho tem a sua paróquia, e toda paróquia tem o seu “churchyard”: um pequeno cemitério para uso local. O nosso ficava a dez minutos de casa, ao lado da lojinha de conveniência e do pub, e eu gostava de caminhar até lá, comprar uma revista e um lanche, sentar num dos banquinhos doados pelos moradores (com plaquinhas de metal homenageando algum falecido) e ficar curtindo o sol e o movimento do vilarejo; as mães fazendo compras depois de buscar as crianças na escola, os cristãos saindo da igreja, os bebuns chegando no pub, uma delícia.

E qual a sua relação com cemitérios? Amigável ou prefere evitar contato? :)

E para quem curte, outro post relacionado. :)

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