Hand in hand is the only way to land

Outro dia me fizeram essa pergunta no formspring: Top 10 Músicas do The Cure.
Eu respondi por lá, mas queria deixar por aqui também já que respostas se perdem naquele emaranhado sem arquivos. No fim do mês tem show do Cure no festival de Reading (EU VOU!); eis a oportunidade perfeita pra fazer uma listinha e entrar no clima. :)

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SÓ DEZ? Difícil. Vai ser complicado resumir a obra de uma das minhas bandas favoritas (com uma quantidade imensa de singles lançados) numa compilaçãozinha “the best of”. Estamos falando aqui de álbuns INTEIROS bons. E não foram poucos assim – os ruins são minoria e mesmo desses dá pra salvar coisas. E tem dias em que eu acho A Letter to Elise uma obra prima, noutros uma cafonice sem tamanho. Como toda banda que a gente conhece bem, temos relações estranhas com muitas músicas. Definitivamente depende do clima.

Charlotte Sometimes – Essa foi a música que fez com que eu me apaixonasse. Uma amiga querida e meio gótica sempre trazia fitas cassete recheadas de coisa boa quando ia trabalhar lá em casa. Acho que ela estava tentando fazer uma lavagem cerebral em mim, porque minha mãe só ouvia Roberto Carlos (que eu adoro) e Agnaldo Timóteo (errr… nope) e ela queria me salvar. Ela pegava a minha mão e a gente deslizava e rodopiava pelo piso de cerâmica da varanda da frente que tínhamos acabado de lavar. Eu pedia pra ela voltar a fita de novo e de novo até que um dia embolou no toca fitas e a gente passou horas desenrolando e enrolando tudo de volta (os ADOLESCENTES devem estar confusos com a tecnologia jurássica) mas, como mastigou um pouco, o som nunca mais foi o mesmo. Eu sempre me culpei por isso; sorry, Irene. Tomara que o destino tenha lhe trazido muitas alegrias – e a discografia inteira do The Cure em CD.

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The hanging garden –  Lembro da primeira vez que ouvi. Estava numa festa no quintal da casa de alguém e me encaminhando para o banheiro a fim de fazer um xixi básico. Essa música começou a tocar e eu fiquei lá, paralisada, pensando “puta que pariu, puta que pariu, puta que pariu” e testando a elasticidade da minha bexiga. Por fim, não vi outra saída: me agachei atrás de uma cerca e mijei ali mesmo, só pra não ter que entrar na casa e deixar de ouvir a música. NINGUÉM FAZ MAIS FESTAS ASSIM, DAMN IT.

In Between Days – Dispensa apresentações, um clássico das FMs nos anos 80. Um exemplo do talento dos caras para compor introduções longas e fabulosas. Adoro a letra meio bipolar e me identifiquei com ela em diversos momentos da minha existência, por diferentes motivos. Da série “radiofônicas populares” do Cure, essa é de longe a melhor.

Sinking – De novo, introduções intermináveis e atmosféricas. Essa versão do link é um pouco diferente da versão do álbum porque se não me engano é uma live em estúdio (posso estar errada). Mas é mais bonita que a versão oficial, na minha opinião. Acredito que seja ótima para ouvir quando se está high on something.

A Night Like This – Essa música caberia perfeitamente num teen movie do John Hughes (vide o sax 80s) e tenho até sugestão: entraria no final de Pretty in Pink (ao invés de “If You Leave” do OMD). Breguinha, mas tão, tão bonitinha… Boa pra road trips. Boa pra soundtrack de festinha, em que cada um traz um prato de salgadinho e uma garrafa de tubaína. “I want it to be perfect like before” Me too.

Grinding Halt –  Essa música é de… 1979!! Instant dance. :) Perdi a conta de quantas vezes ouvi isso nas festas rock que rolavam às sextas naqueles “clubes” (puteiros) da área do Lido em Copacabana. O que tinha importância: EVERYTHING IS COMING TO A GRINDING HALT! EVERYTHING IS COMING TO A GRINDING HALT! ok, parei.

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Just Like Heaven – Uma das preferidas de todo mundo, imediatamente me coloca num astral melhor. Não tem como não estar numa compilação. Da fase mais pop da banda, e eu acho engraçado como uma música tão alegrinha quanto um fim de semana na praia durante as férias de verão pode ter tanto a cara do The Cure.

Push – Uma das que eu e meu ex, que também gostava muito de Cure, tínhamos em comum. Ele dizia preferir os álbums mais antigos e que eu gostava da fase farofa (well, that’s a lie). Essa ele julgava ser farofenta. Certa vez fomos de carro para Juiz de Fora (não pergunte) cantando essa música no repeat. GO GO GO, PUSH HIM AWAY!

Killing an arab – Outra obrigatória de festinhas góticas. Não achei nenhuma versão com áudio realmente bom e fiel à versão original de estúdio; essa é meipodrinha, mas foi a melhor que encontrei. Enfim, dá pra ter uma idéia. Simples, curtinha, com punch quase punk. Hoje em dia meio que ficou marginalizada porque tem um arzinho xenófobo. What a pity.

Lovesong – Nostálgica, levemente melancólica sem ser sombria. Bob compôs pra esposa dele. A Adele fez uma cover aceitável – mas podíamos ter passado sem, obrigada, porque a música não combina com ela. Apesar de eu achar que até combina com a Tori Amos, eu também não posso dizer que gosto da versão que ela fez. Por favor, mocinhas torturadas, queridas ou não: deixem essa música em paz. Obrigada.

Play for today –  Alguém aí que lembre, ainda que vagamente, dos anos 80 lembra da propaganda da Aldeia dos Ventos (marca de surfwear) usando a introdução de Play for Today? Talvez seja um pouco mais conhecida no Brasil uma vez que, por causa da tal propaganda, essa música foi incluída numa coletânea de surf music. SURF MUSIC. HAHAHA

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Just One Kiss – Essa música… FEELINGS. ♥ Direto do Japanese Whispers, um álbum só de singles soltos e lados B bem legal (que inclusive tem a ótima Love Cats).

Fascination Street – Muda a formação da banda, mudam os rumos musicais mas você ainda sabe que é The Cure mesmo antes de ouvir os vocais. ♥

Pictures of you – Outro clássico inevitável. Essa versão do link é a única que deveria existir. Eles costumam “resumir” a intro para tocar no rádio e caber em coletâneas. Noooo. Never. Isso é pior que editar a Bíblia. Se eu fosse de chorar, eu teria chorado quando eles tocaram isso ao vivo no Hollywood Rock. A letrinha é piegas, mas não compromete.

Trust – Eles abriram a apresentação do Hollywood Rock com essa, numa versão extended. Fog falso, Robert Smith no palco e uma música que ninguém esperava. Meu queixo caiu. O queixo de todo mundo caiu. WHAT IS QUEIXO.

The Same Deep Water As You – Quase dez minutos de vocais lisérgicos e instrumental atmosférico. WHO NEEDS DRUGS? Dizem que é perfeita como trilha sonora de sexo. Experimentem e depois me contem. Ou não.

Friday I’m In Love – Tem que citar, né? Apesar de eu não gostar tanto dessa faixa quanto gostava há tempos atrás. Vale o mesmo pra Boys Don’t Cry, obrigatória num Top qualquer coisa do Cure, I think.

Closedown – Eu acho que eu poderia morar dentro dessa música. “the need to feel again the real belief of something more than mockery, if only i could fill my heart with love.” *TEARS MANY TEARS*

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MENÇÕES HONROSAS:

Splintered in her head – Apavorante. No bom sentido, eu acho. Trilha sonora pronta para a sua festinha de Halloween. :)
A Forest – Magnífica; tão boa que deveria estar na lista principal. Essa introdução mais longa sempre é cortada. Bastards.
Cold – “Your name, like ice in my heart”
Lament – Não sei exatamente porque eu acho essa música bacana. Ela me lembra uma época legal da minha vida. E talvez eu não precise de outros motivos. :)
 – Subway song – Não posso dizer que gosto muito dessa faixa, MAS aquele “berro” do metrô no final já me proporcionou diversões assustando incautos. :)
Fight – Não entendi por que não consegui encontrar uma versão de estúdio, mas enfim.
The Final Sound –  Trilha sonora incidental de filme de terror.  Aliás, menção honrosa pro Seventeen Seconds (álbum). E acabo de me dar conta de que ele foi lançado há 32 ANOS. Wow.

Enfim, essa é a lista para hoje. Daqui a 15 minutos vou lembrar de outras 30 que deveriam estar aqui e não me perdoarei por tê-las esquecido; mas lista de coisas que a gente ama é assim mesmo. Não tem fim, nem forma definida, nem limite de quantidade. Just like real love. ♥

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“Aprendi a passar batão com Bob Smith – 2745238976 membros”

Cereja do bolo, deixarei essa entrevista de 1982; dois minutos e meio de puro amor e tchutchuquice pós adolescente de Bob Smith. Atualmente carinhosamente apelidado por mim de TIA VÉIA mas, apenas de a cútis de alabastro e o corpitcho esguio terem se alterado consideravelmente nos últimos anos (erm… décadas), o cabelo ninho-de-rato e as manhas de passar Ruby Woo continuam as mesmas.

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Love you long, long time, Bob.
See you soon. xx

(título do post = trecho de Lovecats, talvez também deveria ter entrado na lista)

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