A turista acidental.

Como estou com visita do Brasil em casa, andei turistando pela cidade para acompanhar. Nem sempre a gente acerta o gosto das pessoas em relação a lugares e coisas para fazer, e o motivo pelo qual eu não faço “guia de Londres” para o blog é o mesmo que me impede de fazer um “guia do Rio de Janeiro”: pessoas são diferentes umas das outras e o que interessa a mim pode não interessar a você. Eu, por exemplo, já fui a Paris cinco vezes e nunca pisei no Louvre, nem pretendo. Mas já enchi a cara de caipirinha nas promoções de happy hour (duas por cinco euros) dos inferninhos do Latin Quarter e passei tardes inteiras fazendo nada vendo a vida passar enquanto ninava amorosamente uma xícara de chocolate no Boulevard Saint Germain. Eu de fato não sirvo para guia turístico e digamos que esta foi uma semana “complexa”.

Mas ao levar as pessoas pelos trajetos que eu já deveria conhecer melhor e percebendo que não, eu não conheço tão bem assim, me bateu um súbito amor por essa cidade superlotada, barulhenta e hostil. Uma vontade inesperada de tentar conhecê-la a fim de entendê-la. De dar a chance que eu não costumo dar aos lugares até que seja tarde demais – vide Rio, Jersey, Hannover… Reclamar menos e ouvir Londres um pouco mais: meu projeto pra segunda metade de 2012.

Uma das coisas que eu achava que jamais iria fazer aqui: ir à London Eye, a roda gigante vitaminada às margens do Tâmisa em Westminster. Levei um amigo até lá, e como ele é deficiente físico acabei ganhando um ingresso como “acompanhante” (that sounds slightly seedy). E lá fui eu, acima das nuvens (exagero poético) ver o Big Ben de cima. E, como boa esfomeada, aproveitar para comer pipoca. Nevermind the crumbs.

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A foto aí embaixo é de Leicester Square, no West End (onde ficam os cinemas, os teatros com musicais, os bares, clubes, A LOJINHA DA HAAGEN DAZS, etc) e esse é um dos prédios mais bonitos da praça, infelizmente sendo usado como uma espécie de cassino cafona. Mas ainda assim ele embeleza a paisagem – e o melhor de tudo, fica bem perto da LOJINHA DA HAAGEN DAZS! ok parei.

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Almoço em Camden. Por seis dinheiros a moça chinesa enche a sua marmitinha de arroz ou noodle + uma infinidade de acompanhamentos diferentes. Aí tinha frango ao molho agridoce, cubos de frango empanado com sal e pimenta, uma espécie de bife não muito bem identificado e legumes ao curry. Há diversas barraquinhas de comida e, se você não curte chinesa, pode escolher entre indiana, africana, espanhola, japonesa, italiana, brasileira, mexicana, tailandesa, pizzas, donuts, etc. E ainda dá pra experimentar antes de optar porque os vendedores, gritando por  atenção, praticamente enfiam amostrinhas na boca dos que passam pelos corredores. Quando nos ouviu falando em português a vendedora chinesa deixou o inglês de lado e passou a berrar em portunholiano: “VEM COMER! COMIDA!” What.

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Fomos também a Notting Hill onde visitamos sebos de livros, de vinil, lojinhas de antiguidade, artesanato e curiosidades. Os amigos compraram biografias e um livro de poemas da Patti Smith, enquanto eu babei nos singles dos Smiths e do Cure.

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Acabamos o dia num bar de tapas ao lado de uma pracinha gostosa, com mesas debaixo de uma árvore e cheio de gente vestindo preto, bebendo muito e falando alto. Pensei que fosse uma festa de empresa, mas depois descobrimos que era na verdade um pós-funeral e a galera estava bebendo o morto. Que devia ser escocês, porque geral estava enchendo as fuças de Famous Grouse e do nada apareceu gente cantando em gaélico e um cidadão vestindo saia xadrez e tocando Scotland the Brave numa gaita de fole, enquanto todos aplaudiam e dançavam e uma moça toda vestida de rosa ria entre lágrimas.

Na Oxford Street, aproveitando as promoções da HMV. Uma biografia ilustrada linda da Madonna (capa dura por quatro lilis!), um livro sobre a cena musical de Manchester recheado de fotos, dvds de Blue Valentine e Wilde e esse CD/livro da Tori Amos cuja existência eu até então desconhecia (cinco lilibetes).

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E, por falar em Lilibete… Taí a linda e TODA NATURAL, só que feita de LEGO e sentada não no palácio de Buckingham, mas no último andar da Hamley’s. Favor reparar no Corgi.

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Jóias da coroa:

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Fiquei esperando a cerimônia de troca da guarda e não rolou. Espero que estejam pagando hora extra a esse amigo aí, porque OLHA, o coitado não tem folga.

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Há mais fotos desses dias (e de outros) que não estão no celular.
Assim que eu puder dar uma respirada, volto aqui com elas. Promise. :)

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