About my Boy.

Respectivo tem 1,84m de altura (eu acho), uns 70 e tantos quilos, cabelos loiro escuros, olhos azuis, pernas bonitas e eu adoro as bochechas dele.

Ele gosta de chá, carros, história, livros, vacas, alho, Led Zeppelin, documentários sobre guerras, sapatos confortáveis, física, química, arquitetura, música clássica, tratores, assistir Top Gear, Fórmula 1, cheiro de bacon, comédias românticas, florestas, rios, montanhas, meias listradas, queijo cheddar, loção pós barba da Floris, pizza Super Supreme do Pizza Hut, aviões, Meccano, montar coisas, inventar músicas, cozinhar, cerveja real ale, churrasco, desenhos animados, trocadilhos, esquiar, cigarro, pulôveres de cashmere e a palavra “poo”.

Ele não gosta de coco ralado, praias, datas comemorativas, sungas, novelas, hospitais, pipoca doce, barbas, R&B, música alta tocando em lojas, lugares superlotados, filmes sem final feliz, cheiro de esmalte, magpies, moscas, dançar, bonecas Bratz, histeria, telefone, calor, franceses, maçanetas redondas, sapatos de bico fino, bermudas, combinar a meia com o sapato, racismo, jiló, margarina, iPads, arte contemporânea, backseat drivers, facas sem corte, chuveiros ruins, hostels, farofa, pessoas sem senso de humor.

Reza a lenda que inglês não curte public displays of affection. Escandinavos, eu suponho, devem curtir menos ainda – então o mix ali não era muito promissor. Entretanto, logo no segundo dia em que saímos juntos na rua, ele pegou na minha mão. Nenhum dos meus exes gostava muito de pegar na mão, e eu fiquei desconcertada. E me senti tentada a tirar a mão dali com algum pretexto (procurar algo na bolsa, arrumar o cabelo, etc), mas resolvi que ia deixar ficando até segunda ordem porque hell, eu tinha me dado mal no quesito romance até então e merecia, pelo menos, acreditar.

Corta. Pula para dois adultos saltitando pela rua. Mas saltitando mesmo, no sentido literal da palavra, absolutamente sóbrios, sem o menor traço de álcool no sistema. Ou dançando ao som da música de fundo das lojas de departamento. Temos várias músicas compostas um para o outro, para eventos que aconteceram, para as gatas, e cantamos muito, o tempo todo. Ele sempre fala de mim para as pessoas e a secretária dele já disse que não aguenta mais ouvir.

Ele sempre me abraça no metrô e me dá beijinhos na testa, uma coisa que eu raramente vejo outras pessoas aqui fazendo. O metrô londrino é meio estranho, os bancos são virados uns para os outros e as pessoas são obrigadas a se encarar em silêncio por vários minutos – e como aqui encarar é considerado deseducado, elas então encaram o chão, o jornal, o iPad, qualquer outra coisa. Mesmo que alguns nos olhem feio (e olham) e eu às vezes fique sem graça (não deveria) nunca reclamo ou me esquivo do abraço e do carinho.

Não creio que tenha se passado um dia sem que ele tenha me dito que me ama e que “you’re my beautiful girl”. Tanto que às vezes até acho que acredito.

Não trocamos presentes em datas especiais. Na verdade não ligamos muito para datas. São apenas um número no calendário com o objetivo de aquecer a economia fazendo com que as pessoas comprem coisas. Ele, no entanto, nunca se esquece de trazer minhas revistas. Sempre se lembra, todos os meses, de todas elas e não perde nenhuma. Quando esqueci meu chapéu preferido numa estação de trem, ele rodou a cidade inteira por semanas até encontrar outro igual. E sempre traz alguma bobagem barata da rua que o fez se lembrar de mim.

Todas as manhãs, todas mesmo, antes de sair para o trabalho, enquanto eu ainda estou meio adormecida, ele me traz uma xícara de chá ou café com leite, canta uma música boba (temos um pequeno porém selecionado repertório) e às vezes faz uma dancinha. É o nosso ritual matinal diário. E quando estamos longe um do outro ele me liga de manhã para cantar e à noite para me desejar boa noite. Não importa o que aconteça, não ficamos um dia sem nos falar desde que nos conhecemos.

Em Hannover na Alemanha, onde moramos entre 2007 e 2008, tem um ralo no meio da rua que toca músicas aleatórias. Apelidamos de Musical Drain e sempre que passávamos ali perto, tínhamos que ir até o ralo, descobrir o que estavam tocando e dançar. Muita gente passava e achava graça, mas certa vez olhamos para trás e havia um casal de velhinhos dançando também e rindo muito.

Vi o meu futuro ali e achei lindo. Sorrimos de volta e continuamos a dançar.

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