Things i’m loving – december

  • Billie Holiday  
  • Ellie Goulding  
  • stollen (pão de natal alemão)  
  • meias pretas fio 120  
  • CDs de christmas carols de graça em todos os jornais e revistas.
  • Raising Hope (série)
  • Sylvanian Families
  • meu laptop novo. <3
  • Twix
  • luvas de cashmere sem dedos
  • sapatos oxford
  • fair isle knitwear
  • ponto de cruz
  • baixar as trilhas sonoras dos filmes do John Hughes
  • gin tônica com limão
  • monet

Mercado de Natal Normando

Fui visitar o mercadinho de natal no centro da cidade com Respectivo. Todos os anos comerciantes franceses cruzam o canal vindos da região da Normandia para vender seus produtos em Jersey. Pode-se encontrar diversos produtos artesanais – queijos, bebidas, doces, bolos, sabonetes, bordados e até mesmo legumes e mistletoes (aqueles galhinhos com pequenas frutas brancas; segundo a tradição, você deve beijar a pessoa que passar debaixo dele com você para ter boa sorte).

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Aqui eu realmente queria comprar a abelha, não o mel. Não estava à venda. :(

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Amigão preparando a nossa galette de queijo e presunto; repare na cor das unhas do cidadão… Eu só percebi depois que vi a foto. Eww.

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A galette em si. Achei a massa meio azeda, mas não tivemos nenhum efeito colateral indesejado após a ingestão.

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A árvore de natal do mercado e o velhinho com o acordeão. Eu pensei que ele fosse de passar um sabão (nada artesanal) por eu ter feito a foto sem pedir, mas ele simplesmente estacionou do nosso lado e ficou contando piadas (!). What a sweetie.

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E depois fomos almoçar, porque nem só de galette vive o homem:

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The big freeze

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A neve caiu de novo e o país ficou paralisado (em alguns lugares mais do que em outros). Muita gente que comprou presentes online não vai recebê-los até depois do Natal; e lá vai o povo explicar pra criançada como é que a neve “atrasou o Papai Noel” se ele já devia estar acostumado pois vive no pólo norte e, além do mais, ele tem um TRENÓ! VOADOR! Bem, eu também ficarei sem “presente”: meu laptop novo (comprado com o dinheiro do seguro recebido porque encharquei o anterior de cerveja… yes, silly me) provavelmente só vai dar as caras por aqui depois do Natal – e eu comprei há duas semanas… Cartões de Natal ainda na gaveta, porque de que adianta ir ao correio postá-los se o aeroporto está fechado?

Não resta muito a fazer além de, como recomendado pela polícia (cansada de ir resgatar motoristas teimosos atolados), ficar em casa e curtir o cenário de snow globe.

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Por fim, pausa para o café. :)

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Oxford shoes

Um galho imenso de eucalipto se partiu no quintal e caiu em cima da summer house. Felizmente ela é sólida e resistiu ao impacto. Eucaliptos não são nativos das ilhas britânicas, não perdem as folhas no inverno, a neve acaba se acumulando nelas e o peso às vezes faz com que os galhos quebrem. Para evitar futuros acidentes achamos melhor dar uma boa poda na árvore. Uma pena que agora, da janela do quarto, não vejo mais os galhos altos que me serviam de guia para a intensidade dos ventos. Mas pelo menos teremos um inverno quentinho sem gastar com lenha:

Eucaliptos sempre me lembram ursinhos koala. A única coisa que eles comem na vida são folhas de eucalipto, e somente as velhas; os brotos e folhas jovens são venenosos. Olha que legal: eles só comem folhas de UM tipo de árvore, e ainda assim metade delas podem matá-los. Dã. Koalas são fofos, mas não me admira nada que estejam sendo extintos.

Aproveitando a locação do quintal, fotos dos meus oxfords (comprados na ASOS, que tem se revelado meu lugar favorito para comprar sapatos).

Eyeko

Chegou a encomenda da Eyeko:

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A caneta-delineador tem cara, textura e cheiro de canetinha hidrocor. Aposto dez reais que É canetinha hidrocor. Fácil de aplicar, mas não dura muito. O brilho labial tem um cheiro ótimo, um gosto HORRÍVEL e o tamanho do bastão atrapalha para aplicar. Recomendo usar na bochecha, como blush – funciona bem, mas ainda não chequei a duração. A cor é bonita, mas sinceramente por seis libras eu prefiro os protetores labiais da Nivea, que também colorem os lábios mas têm um gosto bem mais palatável – e por uma fração do preço.

Snowed in.

Coisas de Jersey: nevou? Aeroporto fechado. Aeroporto fechado? Não tem jornais. E nem correios, encomendas, gente voltando para casa, nem eu indo para Londres comprar um casaco de inverno porque os meus estão caindo de podres e nada aqui me agrada (ou então custa os olhos congelados da minha cara). Me respondam: Por que está nevando no começo de dezembro? Nevou em novembro! E nem é inverno ainda! CADÊ O AQUECIMENTO GLOBAL???

*hiperventila*

Ontem saímos para comprar pão e leite e levamos uma hora para cobrir um trajeto de menos de cinco minutos. Antes que pudéssemos sair de casa, anunciaram que as escolas iriam fechar mais cedo porque a “nevasca estava aumentando” (por “nevasca” leia três centímetros ou menos de neve no chão… socorro) e as criancinhas poderiam ficar presas no colégio. Uma das razões pelas quais eu não posso ser mãe foi ter imediatamente pensado “se o filho fosse meu eu daria uma desculpa qualquer para não ir buscá-lo, tipo estrada congelada ou o motor do carro parado e yaaay, livre das pestinhas por uma noite!!”. Digo isso sem medo algum de ir para o inferno, já que nem o Diabo me quer lá.

Enfim. Felizmente nem toda mãe é como eu (do contrário a humanidade já estaria extinta; não que isso seja de todo mau) e logo um engarrafamento monumental de mamães nos seus people carriers gigantescos tomou conta das estradas.

Outro problema da neve é a existência das Pessoas Sem Noção Que Têm Carro Mas Não Sabem Dirigir. Ok, elas enchem o saco em qualquer estação, mas atrapalham especialmente em condições climáticas periclitantes. Motorista a cinco quilômetros por hora só porque tem neve fresca na estrada (e outra fresca dirigindo, mas tentemos evitar ofensas pessoais).

Quer ouvir a única boa notícia do dia? A cerimônia de acender as luzes de natal na cidade foi cancelada porque a atração principal da festa, um grupo de SAMBA, ficou preso no aeroporto. Risos.

Ok, para compensar todo esse stress sazonal, compramos o mercadinho inteiro. Temos comida para um mês. Agora pode nevar à vontade, porque eu vou hibernar até o natal olhando a neve pela janela como se eu existisse dentro de um snow globe.

O inverno se adiantou tanto que saiu atropelando os frutos do outono:

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EDIT: acabei de me dar conta de que esquecemos de comprar catchup. AAAAAAAAHHHH!!!

Beach walk.

Andar na praia. No inverno é mais legal.

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Depois almoçar no La Pulente, um pub/restaurante com essa vista:

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Minutos antes de fazer a foto dos meus pés (com as fatídicas Melissas comedoras de calcanhar) quase fui atropelada por um ciclista. Descendo os degraus, numa área restrita a pedestres. Buzinou e passou a dois centímetros do meu pé, não olhou para trás e seguiu em frente.

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Outono 2010

Primeira caminhada desse outono – é, eu sei: vergonhoso. Hoje o dia amanheceu nublado, porém sem chuva ou vento e fomos até Waterworks Valley, uma pequena represa bem no meio do vale de Saint Lawrence. A maioria das folhas das árvores já havia caído, por isso não tive muita vontade de fazer fotos. Mas foi bom respirar um pouco de ar puro antes do almoço dominical, esticar as pernas, sair da frente do computador/TV/livro e me lembrar que, apesar dos pesares, essa ilha é um dos lugares mais bonitos que já vi – e que fotos (as minhas, especialmente) não fazem justiça.

Me apaixonei por essa casinha no meio do vale, à beira da reserva.

Tenho essas botas há anos e raramente uso. São confortáveis, quentinhas (forro de pele de ovelha) e com uma vibe folk que muito me agrada. Tenho outro par igual, só que em vermelho. Decididamente vão sair do armário com mais frequência nesse inverno.

Levei a pequena Yotsuba no bolso do casaco para fazer companhia durante a caminhada:

O inverno promete vir congelando esse ano, mas vamos repetir o mantra:

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Gratuitous kitty pic of the day

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Chantilly agradece os inúmeros votos de pronto restabelecimento recebidos na internet e anuncia que está bem melhor de saúde, many thanks. :) O olho se recupera bem depois da cirurgia e os veterinários estão satisfeitos com o progresso.

E agora vou ali incorporar a Scarlett O’Hara, recitar “tomorrow is another day” e esquentar a minha sopa de abóbora, feita com o que sobrou do Jack O’Lantern de halloween. Could be worse. ;)

Cellar door

Essa é a Cellar Door Magazine. Mantida pelas inglesas Jade Cooper-Collins e Amy Power desde 2009, a revista é graficamente linda (de um jeito bem Lula) e não fica nada a dever à inspiração. Moda, fotografia, arte, mixtapes, novos talentos, receitas… O talento e o esforço das meninas em fazer algo no mesmo nível das mídias impressas é notável. Eu podia ficar aqui falando e colando fotos o dia todo, mas por que você não vai logo lá? :) É possível folhear a revista inteirinha pelo site (café e biscoitos recomendados), bem como todas as edições antigas.

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The kindness of strangers

A sua loja não ficava, exatamente, no meu caminho. Para falar a verdade, durante todo aquele ano-e-mais-um-pouco que passei perambulando sem destino por entre os arianos na capital da baixa saxônia, eu nem mesmo tinha um caminho. Nem trabalho, estudo, ocupação, assuntos-a-resolver, nada (a falta de livros, DVDs, TV e cinema numa língua que eu pudesse compreender provou-se fatal). Eu mesma fazia o itinerário do dia, motivada pelo tédio e com o único objetivo de sair, por algumas horas, da frente do computador (“e da geladeira”, me lembram os quilos que ganhei por lá). O roteiro da caminhada era variável, mas quase nunca passava por aquela rua lateral onde não havia nada digno de interesse além de uma creche, bicicletas ordenadamente estacionadas na calçada, um bar frequentado quase que apenas por moscas e a sua loja. Talvez nesta ordem de importância.

A vitrine chamou a atenção por combinar duas coisas que, num mundo regido pela ordem como a das bicicletas na calçada, não se devia combinar numa vitrine. Brinquedos e bebidas alcóolicas. Garrafas de vinho cobertas de pó dividindo espaço em prateleiras com bonecas feias de porcelana e móveis para as casinhas em que elas deveriam morar. Mas o que mais me intrigou foi o anúncio colado com durex no vidro e escrito à mão. Onde, segundo o google translator, lia-se: “aberto às quartas feiras, das 13h às 16h.”. Sim, uma loja que vendia brinquedos e entorpecentes e funcionava apenas três horas por semana. Um vórtex para uma dimensão muito mais interessante do que aquela onde eu estava vivendo; agendei mentalmente a visita.

Na quarta seguinte cheguei meia hora depois da abertura e pus os dois pés atrás quando, ainda na esquina, vi alguém limpando o vidro da vitrine e me dei conta de que você era um velhinho. Eu e minhas idéias pré-concebidas sobre alemães, todo aquele background sinistro de nazismo + eugenia + frieza + obsessão por regras… Tintas em cores acinzentadas e vermelho sangue pintando um quadro muito mais ameaçador do que toda uma realidade de motoristas sorridentes que paravam na faixa de pedestres para que eu passasse, crianças bem comportadas e caixas de supermercado que iluminavam meu dia com um “Hallo!” musical. Confortada pela lembrança dessas experiências finalmente me aproximei da loja – apesar do medo de ser atirada no forno que provavelmente ficava nos fundos, disfarçado de fábrica de pretzels… Me demorei de propósito fuçando uma mesinha cheia de tralhas na promoção que havia sido posta na calçada e foi aí que você chegou à porta. Saído de algum conto de natal vitoriano, blusa e colete, a barba branca e os olhinhos como duas blueberries caídas na neve. E um sorriso daqueles de fazer a gente acreditar em coisas improváveis (como blueberries no inverno, por exemplo).

Passei excelentes trinta minutos dentro daquele cômodo pequeno e cheirando vagamente a mofo e vinho oxidado. A conversa fluía tão bem que levei algum tempo até perceber que você não falava inglês e me lembrar que eu não entendia alemão. Comecei a desenterrar expressões e palavras soltas que tinham se enfiado na minha cabeça muito antes de eu sequer sonhar em conhecer o seu país, mas a maior parte do nosso animado diálogo era composto de risadinhas e dedos apontados para objetos aleatórios. “Puppenhaus!!”, eu exclamava eufórica. Você fazia que sim com a cabeça, e rindo, abria a porta da tal casa de bonecas, revelando o que mais parecia ser um puteiro parisiense, tamanha a quantidade de mini poltronas de veludo vermelho e abajures acesos. Eu queria saber quanto custavam as coisas e você erguia os ombros com uma expressão impagável de “não faço a menor idéia!” e aí caíamos na risada e era preciso telefonar para a esposa em casa, descrever o objeto em questão e perguntar o preço. Acho que você não estava muito acostumado a receber clientes. E você não sabe, mas a sua gentileza me fez sentir menos inferior e deslocada e destruiu mais estereótipos do que dez anos vivendo na terra do Chucrute poderiam ter feito. Os nossos risos foram a música mais bonita que ouvi durante aquele ano na Alemanha.

Saí da loja carregando um pequeno sofá, uma cômoda vintage em escala 1:12, um carrinho de bebê para bonecas de madeira, um pouco mais de apreço pela humanidade e ainda mais desconfiança em relação a clichês. Semanas depois deixamos o apartamento em List e nunca mais tive outra oportunidade de voltar.

Naquele dia, enquanto eu saía da loja, você me chamou e pôs na minha mão uma garrafa pequena, engordurada e coberta de pó, contendo algo que parecia vinho. Fez com as mãos um gesto que interpretei como sendo “muito bom, muito bom mesmo”, e eu confiei. A garrafa fica no sótão rosa e, mesmo não sabendo bem o que diabos estou bebendo, tomo um gole sorrateiro sempre que alguém aqui nesta ilha de gente supostamente educada e amável ignora o meu good morning, me atende numa loja sem sorrir ou revira os olhos quando esqueço como se diz uma palavra. E aí é como se os sininhos de natal daquele conto de onde você certamente saiu (para me fazer menos solitária e ausländer) repicassem de novo em uníssono, na frequência do seu riso.

Achei que você gostaria de saber, Mr. Walter.

Rose Shine

Comprei esse duo de brilhos labiais na Marks & Spencer. Não sou muito fã de protetor labial que você precisa espalhar com os dedos (eu tenho unhas longas) e a textura deles é de angu. Mas são tão lindos e cheirosos que vou abrir uma exceção.

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