Sonhei que era a Beyoncé…

E que eu tinha cabelo preto e longo e ondulado e voltava pra Caxias em triunfo e geral se estapeava pelo privilégio de fazer minha chapinha no salão da Fátima.

Só faltou mesmo o Jay-Z do lado para pagar a minha “hidratação de babosa”.

Aí acordei e comecei a recordar uma visita que fiz ao patropi e, na padaria, a atendente começou a me olhar e a dar risinhos e a me apontar para a outra menina que também trabalhava no balcão. Quando fui pagar o brioche, ela perguntou, tropeçando por cima das vogais pra fazer a tímida: “você é que é a filha… dela?” E apontou a minha mãe. Eu disse que era, peguei meu embrulho e saí desconfiada, puxando minha genitora pelo braço.

“Mãe, você conhece aquelas meninas da padaria?”
“Nunca vi mais gordas. Nem mais feias, pra dizer a verdade”.
“Então por que caralhos elas perguntaram se eu era a SUA filha?”

Minha mãe dá um sorrisinho de canto de boca e ajeita o cabelo:

“Ah, é que desde que você mudou para a Europa, eu acabei ficando meio conhecida na vizinhança.”

Tina Knowles PERDE.

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