Love and peace.

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(anjinhos de argila pintada numa lojinha de Hannover)

Sem tempo nem mesmo para explicar a razão do sumiço. Ter meus pais aqui conosco é uma alegria, mas é preciso atendê-los e entretê-los. Some a isso o período de festas, a viagem para a Alemanha, as idas ao supermercado, as batalhas na cozinha antecedendo a comilança e receber amigos (temos um casal aqui em casa hoje, e eles já estão me olhando meio esquisito; afinal, o que eu estou fazendo tic-tac-tec-ando nesse laptop quando existe CERVEJA na geladeira?).

O site da Bachelor’s Cup-a-Soup está fazendo uma pesquisa para descobrir quais são os maiores prazeres simples da vida dos consumidores. Entre as respostas, estão:

1. uma boa noite de sono;
2. encontrar uma nota perdida no bolso;
3. dormir abraçado;
4. rir até chorar;
5. ir para a cama com lençóis limpinhos e cheirosos;
6. encontrar uma barganha nas lojas;
7. fazer alguém sorrir;
8. sofá com um bom livro e uma xícara de chá (ou café, ou chocolate…);
9. acordar atrasado para o trabalho e descobrir que é sábado;
10. um estranho sorrindo e sendo educado;
11. olhar velhos álbuns de fotos;
12. comer a sua comida preferida;
13. a primeira neve do ano;
14. risada de bebê;
15. finalmente voltar a caber naquele par de jeans;
16. assistir a sua banda preferida ao vivo;
17. planejar a tão sonhada viagem de férias;
18. cheiro de grama recém cortada e de terra molhada;
19. receber uma carta gordinha de notícias pelo correio;
20. estourar plástico bolha.

Não sei se alguma dessas coisas se aplicam, mas o que realmente importa – a sensação de experimentar felicidade simples, alcançável a todos, sem distinção – é universal. E é essa sensação que eu gostaria de poder dar de presente pra todo mundo.

Quero aproveitar essas últimas horas antes de estourar a Veuve, dizer adeus a mais um ano e saudar o próximo, para agradecer a companhia de vocês. Que tudo o que vocês desejam de bom ao próximo seja recebido de volta em dobro – e servido com muita saúde, comida gostosa, amigos e muito Amor e Paz como acompanhamento. :)

Até daqui a pouco.

P.S.: Esse post “mensagem de fim de ano do Programa Ana Maria Braga” foi um oferecimento de Kopparberg; que o ano novo nos traga muita cidra de pêra sueca. Prometemos voltar mais inspirados no ano que vem. Ou não. :)

Right now, at home.

A gata já encontrou o seu lugar favorito ao lado da lareira, e os enfeites da árvore já começaram a sair das caixas.

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A guirlanda (feita em casa, nem tão bonita e colorida como as que vi pelas lojas, mas é o que tem pra hoje, fds) já foi pendurada na porta azul.

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Bolsinha anos 80 encontrada por 3 libras na Oxfam.

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Meus pais já estão em Jersey, me deixando meio doida; mas acho que faz parte do processo. Amanhã beeeem cedo (argh) pegamos o vôo para Hannover, onde um mar de delícias culinárias e 18 graus negativos nos esperam.

Tentarei voltar aqui antes do natal mas, se não for possível, fica a única mensagem que posso dar (já que não sou cristã, nem sentimental): COMAM BASTANTE. Me revoltei a ler o artigo de uma nutricionista britânica ensinando às mulheres (porque é claro, engordar só é problema se você tem dois cromossomos X) a passar fome com classe no Natal, a fim de evitar os inevitáveis quilos a mais em janeiro. Sinceramente? Se o preço de não ter que começar janeiro fazendo dieta é passar Dezembro recusando todos os canapés e bebidas e me privar de saborear comidinhas sazonais com meus amigos e família… Pode trazer a rúcula – mas só daqui a um mês. Por enquanto, declaro abertíssima a “Temporada de Entupimento de Artérias 2009/10”.

P.S.: Assim como todo mundo, eu fiz uma formspring – na verdade, fiz há tempos atrás, influenciada pelos gringos no Tumblr. Mas ela acabou ficando às moscas. Agora elas estão bem mais customizáveis, com direito a link, foto no layout e respostas na própria página. Então, resolvi fazer outra: aqui. Vou deixar o link também ali na sidebar, para que vocês possam mandar recados, perguntas e até mesmo insultos (também faz parte do processo…), já que os recados são anônimos e você só se identifica se quiser. ;)

A kiss from a rose

Mês passado enquanto eu examinava o estoque da Crabtree & Evelyn em Covent Garden, meu nariz esbarrou casualmente nesse vidrinho aí embaixo. Regra geral, meu olfato é bastante seletivo, fiel à meia dúzia de perfumes que uso desde sempre (apesar de ter seus ocasionais surtos de galinhagem e experimentar novidades). Mas nesse caso foi impossível controlar: paixão à primeira vista (cheirada?).

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A história do perfume, segundo o site, é deveras bonitinha: eles teriam pedido a um botânico especializado em rosas para desenvolver uma flor “de beleza e aroma singulares” para se tornar a fragrância principal da marca. OITO anos e 30.000 plantinhas depois, surgia a Evelyn. Apesar de floral, o perfume não tem nada de “cheiro de avó”, é moderno e tem uma fixação ótima.

O único ponto contra fica sendo o frasco, meio sem graça como todos os da marca. Mas esse porém se torna mínimo quando se leva em conta a qualidade e o preço: paguei 30 libras – cerca de 90 reais – por 50ml de Eau de Parfum (sim, parfum). E eu já aprendi que, modo geral, quanto mais bonito o invólucro, mais sem graça, ou até mesmo ruim, o conteúdo. O mercado está cheio de perfumes em frascos que são verdadeira obras de arte mas que cheiram a desinfetante.

Saí pelas ruas sacolejando a bolsinha prateada da loja e me achando a típica patricinha de Kensington, sentada num café em Covent Garden, curtindo um latte macchiato pós-shopping (infelizmente o acompanhamento era aquele cupcake-angu horroroso… Nada é perfeito). No final da tarde encontrei o Respectivo para jantar, mas antes passamos na Floris para comprar o pós-barba que ele usa há mais de 20 anos. A Floris é a perfumaria mais antiga de Londres (desde 1730) e, na minha opinião, também um ponto turístico; toda a mobília é de época, assim como os enormes armários de apotecário com prateleiras de vidro curvo. Puro luxo vintage.

Na véspera chegamos tarde e a loja já tinha fechado. Naquele dia as luzes ainda estavam acesas, a loja cheia de gente, parte do balcão coberta de taças de rosé espumante e uma senhora muito chique e distinta veio nos recepcionar na entrada, oferecendo vinho e canapés. Olhamos um para a cara do outro. PENETRA feelings. Mas não precisávamos temer, foi pura sorte: eles estavam lançando perfume novo aquele dia, em edição limitada, e a festa era uma boca livre para os clientes (urrú).

Respectivo comprou o pós-barba enquanto a senhorinha fazia small talk e os garçons continuavam trazendo bandejas. Comecei a me sentir meio mal (oi, calça jeans, casaco de chuva e tênis com estampa de caveirinhas? LUXO), até porque tínhamos reserva num restaurante libanês. E ali estava eu, forrando o estômago e ficando bêbada antes da hora. Até que começou uma PALESTRA demonstrativa do tal novo produto; foi quando puxei o marido pelo colarinho “ok, já bebemo, já comemo, já compramo; bora vazar daquiiiii??”. No que ele responde: “Você quer o tal perfume novo? Tem cheiro de rosas!!”

OPS. Errr… Olhei pra minha sacolinha da Crabtree & Evelyn, pensei no meu *outro* perfume de rosas dentro dela e concluí que não precisava de mais um. Mas né? Levanta a mãozinha aí quem recusaria um vidro de perfume assim, edição limitada, caído do céu? Quem disse que a frase “já tenho perfumes demais” faz ALGUM sentido?? “Oh, hohohoh, generosidade sua, querido… YES.”

E foi assim que o Snow Rose veio parar no meu armário. E confirmo que ele é diferente, mas absolutamente TÃO BOM quanto o Evelyn. E o melhor: ganhei um creme para mãos de brinde, o Rosa Centifolia. E MAIS: como o total da compra (perfume + pós-barba) ultrapassou 50 libras, levei um vidro de gel de banho com cheirinho de frutas cítricas grátis.

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Foi assim que eu adicionei ao meu pequeno arsenal de aromas dois perfumes florais, do tipo que eu nem costumava notar antes, ambos com cheiro de rosas, sem esperar, no mesmo dia e eles se tornaram absolutos favoritos.

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Não preciso mais tomar banho até 2011.

Cath Kidston

Eu adoro as bolsas da Cath Kidston com seus padrões florais coloridos, tudo bem Country Living style.

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Essa já é minha; é super espaçosa e dá pra usar como weekend/travel bag. Mas tem pelo menos mais alguns modelos que eu não reclamaria de achar debaixo da minha árvore de natal. Ouvindo, Papai Noel? Take note.

Lake District

De volta à pequena ilha.
Três semanas fora de casa (fiz até uma foto do jardim na hora da saída para comparar com a TOTAL transformação que ele sofreria na volta… As folhas já caíram todas) e 758 fotos na câmera; esperamos que dessas pelo menos 20 se salvem.

A última parte da viagem incluiu seis dias em Paris e a minha primeira experiência com o Eurostar. Que aliás foi ótima. Em duas horas e meia, cobrimos o percurso Londres – Paris, direto do centro de uma cidade para o outro. Foi só entrar na belíssima estação de St. Pancras, sair na (nem tão bela…) Gare du Nord e pegar o metrô para o hostel.

Sobre o hostel… Bem, esse merece um post à parte.

Antes de Paris, passamos dois dias no Lake District, na região de Cumbria – sem dúvida uma das paisagens mais bonitas da Inglaterra. Considerei seriamente a possibilidade de me mudar para lá num futuro distante; não é tão isolado como Jersey, mas tão bonito quanto. E o outono por aqueles lados é simplesmente fenomenal.

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As vitrines estavam maravilhosas:

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Ou bonitinhas/cafonas (= kitsch):

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Visitamos algumas localidades próximas (Windermere, Troutbeck, Ambleside, Bowness, Grasmere) e todas eram limpas e bem cuidadas, mas sem aquele ar meio artificial de perfeição que frequentemente aflige pequenas cidades turísticas.

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Na primeira manhã, abrem-se as janelas: um pavão.
(sinceras desculpas à senhorinha que inadvertidamente acabou saindo na foto, de camisola e com cara de sono).

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Este post foi um oferecimento de Paracetamol, Codeína e Sudafed. Estou há quase duas semanas curtindo uma gripe e tossindo mais que poeta romântico tuberculoso, portanto não exatamente inclinada a passar muito tempo no sótão – que, apesar de bonitinho, é frio porque não tem aquecimento.

Voltaremos assim que a saúde permitir passar mais que 20 minutos fora da cama sem precisar vestir todo o armário para não morrer de hipotermia. :)

Em breve.

Pensei que conseguiria postar mais durante a viagem, mas simplesmente não está acontecendo. Saio de casa quase sempre muito cedo e volto tarde e cansada.

Fui a Cumbria (lá no norte, quase Escócia) e dormi num pub onde a Rainha Elizabeth I já se hospedou (e a cama onde ela dormiu enfeita o bar). Vi o Morrissey no Royal Albert Hall, vi o Colin Firth acender as luzes de Natal na Regent Street, comi o PIOR cupcake do mundo em Covent Garden (tinha gosto e consistência de angu), assisti Jennifer’s Body (e acho que não gostei), me apaixonei pelas lojinhas de Columbia Road, comprei uma bolsa linda da Cath Kidston, comi no Al Hamra e no Attilio’s (dois dos meus restaurantes – libanês e italiano – preferidos), fui a Lewisham para uma bonfire night, ganhei champanhe, canapés e produtinhos cheirosos na Floris de Jermyn Street (cheguei lá no meio de uma festa de lançamento), encarei uma Ikea em pleno domingo e, amanhã, tem Paris.

Sem fotos porque esqueci o leitor de cartão da câmera, mas fiz essas tosquíssimas com o celular só para registrar as vitrines de Natal da Selfridges (lindas, super coloridas e criativas, abusando do cool britannia mood):


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E aqui o fatídico cupcake-polenta (Ella’s Bakery em Covent Garden, a quem interessar possa).

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Então, volto em uma semana.

Boo.

Happy Halloween! (adiantado porque viajo amanhã e não sei quando volto).


Faltam apenas alguns dias, mas já é All Hallows’ eve pelas janelas, portas, quintais e muros. As lojas não sabem exatamente o que estocar: coisas laranjas e pretas OU coisas vermelhas e verdes. Adoro o fim do ano e todas as festas que vêm com ele.

Estou indo ver o Morrissey com a Márcia amanhã, depois seguimos para o Lake District e então vou para Paris com a Flávia. Depois não sei. Literalmente, não comprei a passagem de volta. :) Continuaremos nesse mesmo bat local (e no outro) sempre que humanamente possível. Inté!

Summerhouse Blues.

A summerhouse progride a passos lentos. Na semana passada, Respectivo finalmente montou a prateleira abaixo da janela (usando sobras de madeira da própria casinha), e eu pintei de branco. Seguem algumas fotos, meio escuras porque no meio da sessão fotográfica o tempo fechou e de repente fez-se a escuridão sobre a terra. Haja ISO 1600.

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A função da prateleira é servir de mesa, aproveitando a luz natural da janela. Nela vou poder usar o laptop ou a máquina de costura, assim que instalarmos luz.

O vaso branco era um vidro de cebolas em conserva. Pus um pouco de tinta a óleo branca dentro, tampei o vidro, sacudi e depois despejei a tinta de volta na lata. As flores são hortênsias que colhi no jardim e deixei secar. As velas são da Ikea, de vários natais atrás. A “toalhinha” de mesa é um pedaço de broderie anglaise (bordado inglês). Não vai ficar ali. O porta velas e o oil burner eu comprei na festa da Cidra.

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Esse quilt (é uma almofada, não uma toalha de mesa…) veio do Ebay. Chegando em casa, vi que era muito grande. Não acredito que seja possível encontrar um “recheio” de almofada pronto desse tamanho; talvez uns travesseiros funcionem. Oh well. Pelo menos foi baratinho, para uma coisa feita à mão nos EUA.

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Achei esse coração feito de gravetos da Gisela Graham numa lojinha aqui em Jersey chamada The Gooseberry Bush. Vou decorar com fitinhas, folhas e ramos de holy.

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Sim, holy; elas já chegaram. O natal está, realmente, logo ali.

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Festa da Cidra.

Ontem fui à Festa Anual da Cidra em Hamptonne, que se repete todos os anos na época da colheita das maçãs. A cidra é uma bebida bastante popular por aqui, mas que nada tem a ver com aquela modalidade gasosa e doce que nós brasileiros, em pelo menos algum momento da vida, já bebemos no Natal. A cidra inglesa, pelo menos a natural, não tem gás e seu sabor é bem mais seco.

Fiquei boquiaberta ao ler que a média de consumo de cidra na Inglaterra já chegou a dois litros DIÁRIOS por pessoa (incluindo crianças e mulheres). Durante o período vitoriano a qualidade da água obtida nas cidades era bastante ruim (sistema de esgoto sendo um conceito desconhecido). A população era obrigada a se jogar no álcool, já que o processo de fermentação extermina as bactérias e torna a bebida mais segura. Afinal de contas, melhor destruir o fígado lentamente e morrer de cirrose hepática aos 25 anos do que de perecer numa crise de diarréia aos três.

E agora chega de aulinha fajuta de História e vamos aos pixels. :) Perdoem as fotos meio fora de foco e mal compostas mas, sinceramente, depois de três pints de cidra artesanal, nem Annie Leibovitz faria melhor. *HIC*

Cidra + “bean crock”, uma espécie de feijoada incluindo vários tipos de feijão e miúdos de porco; comida de trabalhador rural e, como tal, muito boa.

Queijos fabricados em Jersey + porco inteiro no espeto, cujas fatias são servidas com pão, purê de maçã e uma massa feita com ervas, cebola e pão, que também é usada para recheadar assados.

E aqui, os porquinhos ainda crus. :D O porco ali atrás resolveu acordar no meio da sessão fotográfica e se encaminhar para a tigela de comida, passando por cima dos outros e acordando todo o chiqueiro no processo. Classe suína.

Jersey Wonders – As maravilhas de Jersey (e o cartaz escrito em antigo jerriais).

Jersey Wonders = um tipo de pãozinho doce e bem fofo, frito em óleo fervendo e polvilhado com canela e açúcar. Lembra um milhão de coisas sem nome que comi com café na infância – mas não, não tem nada a ver com rabanada. Ei-las – não pude fazer uma foto melhor porque a velha chata que tomava conta da bacia estava me olhando torto… Nesse ângulo parece cocôs de cachorro.

A obrigatória barraquinha de geléias e conservas. Levei um vidro pequeno de “Black Butter”, que não é manteiga e nem mesmo preta, mas sim um creme espesso e marrom escuro, obtido ao se cozinhar maçãs em fogo baixíssimo por hooooras. Perfeita com aquele queijo brie lá em cima. ;)

Vaquinha fake para treinar ordenha.

Cantoria obrigatória – melodias vitorianas entoadas em Jerriais.

Castanhas assadas na hora, 50 centavos o saquinho. O cheiro pelo menos estava ótimo e meu pai teria adorado.

O subproduto da fabricação da cidra: depois de amassadas por uma imensa roda de pedra, as maçãs são prensadas e o suco estocado em tonéis de madeira para fermentar. O que sobra é utilizado para alimentar animais ou para produzir Black Butter. Nada se perde, tudo se degusta.

Como se eu não tivesse me entupido de bean crock, porco assado e cidra durante o dia, à noite eu tive que provar as compras. Controle de qualidade. ;)

Ok, a aparência do queijo é estranha, ainda mais quando você se lembra de que essa cobertura na verdade, são fungos. Yummy.

Mas aí a gente corta o dito cujo e se depara com essa textura maravilhosa e amanteigada.

Vem cá, meu funguinho querido. I love you.


Agora vou ali me enfiar com isso tudo + uma taça de vinho do Porto debaixo de um edredon no sofá, acender a lareira e agradecer aos céus a chegada do frio.

Sobre o silêncio.

De vez em quando, muito de vez em quando, tenho vontade de escrever mais aqui. Sobre assuntos diversos, como eu costumava fazer anos atrás. E costumava agradar, tanto que meus blogs sempre foram bem visitados. Claro que sempre existiam os mais sensíveis, que ouvem críticas sinceras e bem intencionadas (se é que isso existe…) como se fossem julgamentos de caráter e se rebelam ou se afastam; não sinto saudades. O que sinto, de vez em quando, é a garganta entalar com alguma coisa, pessoa ou acontecimento e me parece que seria saudável externar uma opinião, nem que fosse para resolver o assunto na minha cabeça. Já que, pelo menos até o final da década passada, blogs também serviam como catarse, e não apenas para mostrar fotos bonitas, falar mal de celebridades ou trocar a própria opinião por pedaços de plástico colorido.

Mas aí eu me dou uns dez minutos e esqueço. Completamente.
E prefiro creditar isso à falta de importância do assunto, não ao Alzheimer precoce que já me preocupa (?).

O fato é que, nessa época multimídia em que vivemos (onde todo mundo pode ir ali no wordpress ou twitter e criar seu próprio palanque virtual a preço de ocasião: grátis), todo mundo parece acreditar que precisa ter uma opinião sobre todo e qualquer assunto, de preferência negativa, e que precisa externá-la a qualquer custo. Eu também, oras. Dar pitaco é divertido, quase irresistível, e é difícil fazer silêncio quando todos ao seu redor estão gritando; parece que, calado, você se torna invisível e desinteressante. Sendo expostos a essa vastidão de informação, temos dois caminhos a seguir: mergulhar nela e tentar processar e regurgitar o máximo possível ou fechar o browser e ir tirar um cochilo. Confesso que invejo cada vez mais quem opta por dormir, e tenho procurado fazer isso. Pelo que mais não seja, minhas olheiras diminuíram consideravelmente.

Hoje em dia, os únicos blogs que acompanho são de amigos ou os que eu chamo “inspiracionais”: pouco ou nenhum blá blá blá escrito e muitas fotos bonitas, poesia ou links interessantes. Dificilmente deixo comentários, então quase ninguém sabe que leio. Absorvo o máximo que posso e saio revigorada e cheia de idéias; algumas dessas coisas vêm parar aqui, porque é da natureza humana querer compartilhar coisas bonitas.

De resto, quando decido dar um passo fora da trilha demarcada e me encontro num desses “blogs opinativos”, acabo me sentindo irritada e cansada. A leitura é difícil, pesada, cheia de expletivos, negativismo, reclamações, acusações. Ou longas listas de dicas para se tornar uma pessoa perfeita, bacana, adaptada, bem resolvida e justa. Como se fosse possível. E como se quem escreve esses “manuais de comportamento humano” fosse tudo isso e estivesse apto a ensinar. Exatamente como eu fazia e, às vezes, acabo fazendo de novo (humanos, né? Errar é o nosso destino). Só que no fundo eu sei que qualquer coisa que eu diga, conclua ou critique, não passa de mais do mesmo. E sinto que envelheço e não tenho mais tempo para ser apenas mais uma voz brigando para ser ouvida.

Acredito que os autores estejam fazendo algo de valor (ainda que para si próprios, o que é justo) e não vou negar a importância do discurso. Mas, ao mesmo tempo, sinto que já passei por essa fase anos atrás, já vi, li e escrevi tudo isso antes e não pretendo passar mais dez anos repetindo senso comum e a piada de ontem travestidos de grande novidade. Não sinto mais vontade de publicar minhas verdades como se elas fossem algo mais do que as minhas verdades ou como se fossem mudar alguma coisa ou alguém. As coisas e pessoas mudam quando estão prontas para isso. Minha adolescência (física e mental) acabou. Acho que agora vou optar a voltar a ser criança e me deixar encantar por coisas pequenas, como essa última borboleta de verão pousada na minha janela. E que voou antes que eu conseguisse pegar a câmera para fazer uma foto.

Ela também sabe que tem pouco tempo pela frente (as noites de outono cada vez mais frias). E que as coisas realmente importantes não conseguem e nem precisam ser registradas, explicadas, analisadas, esmiuçadas, criticadas ou consertadas. Vivê-las, ainda de que forma imperfeita, basta.

Eu vou tentar.

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Pré-hibernação.

O verão finalmente se foi.
Os dias já estão mais curtos e frios, as árvores já começam a mudar de cor e perder folhas. No sábado ventou muito – o que, combinado a uma bituca de cigarro largada por algum descuidado, acabou causando um incêndio numa parte da ilha. O vento também precipitou a “mudança de roupa” de algumas árvores. Enquanto eu começo a vestir casacos elas começam a fazer strip tease para o inverno.

Quero agradecer a todo mundo que manifestou simpatia pela operação do meu pai. A cirurgia foi adiada (por motivos que não ficaram muito claros para mim), mas vai acontecer em breve. Até lá, ficarei nervosa e torcendo. E agradecendo sempre o apoio emocional de vocês. :)

Num dos últimos fins de semana de sol resolvemos ir pela primeira vez ao Bistro Soleil, que foi bem recomendado e tem uma área externa com vista para a praia de St Aubin.

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Essa foi a minha sobremesa. Tiramisu com sorvete de café. Estava muito bom, mas eu decididamente não sou uma formiguinha. Larguei metade do doce e nem toquei no sorvete.

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Mas fiquei cobiçando os queijos do Respectivo. Não sou uma formiguinha, sou uma rata. AMO queijo. Troco todo e qualquer doce por uma tábua de queijos molengos e fedidos.

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Under the chestnut tree.

Hoje pela manhã encontrei por aí um post sobre castanhas que me fez pensar no meu pai.

Castanhas sempre me lembram dele, que simplesmente as adora. Todo natal ele trazia do supermercado para casa um saco enorme delas, duras feito pedra, para assar no forno. Eu nunca gostei muito de castanhas; o sabor rico e a textura amanteigada me enjoavam, então meu pai era “obrigado” a dar cabo de tudo. Eu não me importava e na verdade até evitava comê-las para que sobrassem para ele. Me divertia vê-lo feliz da vida sentado na sua poltrona predileta, a tigela quente de castanhas assadas repousando no colo.

Depois que minha mãe saiu de casa (e eu também, meses depois), meu pai nunca mais comprou castanhas. Não era apenas a comida; era o ritual familiar, e talvez ele não visse mais sentido em se dar ao trabalho, estando sozinho. Fico triste por ele quando penso nisso. Anos se passaram e eu vim parar num país onde nem é preciso ir ao supermercado para comprar castanhas; elas caem das árvores no meio da rua e acabam esmagadas por carros ou cavalos se não forem colhidas. Tenho algumas árvores no meu quintal, e quando chega a época certa do ano elas salpicam castanhas na varanda em cima da garagem.

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Todos os anos eu lembro do meu pai na época das castanhas.

Hoje ele vai passar por uma pequena cirurgia. Nada dramático, mas sempre uma preocupação quando se passa dos 70 anos. Estamos planejando trazê-los (minha mãe também) aqui no fim do ano, para que possam saber como é o Natal num lugar onde todas aquelas decorações invernais, incluindo renas e flocos de neve, fazem algum sentido (não fazem nenhum num país onde a temperatura média frequentemente ultrapassa 40 graus em Dezembro).

E, pai. Fique bom logo. Mais uma vez, como antes, eu vou guardar todas as castanhas do Natal para você.

Itália, ano passado.

O casal que vos escreve passava férias de verão na Sicília, aquele lugar mágico, cuja orla de um azul impossivelmente saturado é cercada por condomínios de luxo e hotéis cobrando diárias de mil euros, impossibilitando que locais e turistas pobres (eu) tenham acesso ao mar. Ainda bem que eu não gosto de praia e fui pra lá com o único objetivo de comer até explodir. E fui bem sucedida; perdi 50% do meu guarda roupa ao chegar de viagem.

Largamos o carro alugado num estacionamento em Taormina e fomos bater perna, comer coisas gostosas, comprar artesanato (o que coubesse na mala e no bolso) e fazer fotos. Na volta, o papel esticado no pára-brisa avisava que tínhamos excedido o limite de horas permitido (onde esse tal limite estava afixado, não encontramos) e por isso estávamos sendo multados; favor pagar até o dia XX na delegacia da região XX de Taormina, grato.

Problemas: estávamos indo embora de Taormina no dia seguinte para nos dirigir mais ao sul. Hotel reservado e tudo. Já começava a escurecer e encarei o prognóstico de me enfiar no carro e ir procurar o endereço da tal delegacia (não constava na multa) e depois tentar encontrá-la; admito que idéia de ir caçar uma delegacia àquela hora na Sicília não me pareceu convidativa. Enfiei a multa na bolsa para guardar de recuerdo e Respectivo riu: “Ok, a gente paga SE eles nos encontrarem!”

Bom, hoje a multa chegou na nossa casa. Mais de um ano depois.
Entrega especial, com assinatura requerida ao destinatário. A multa, em si, apenas oito euros. A cobrança, no entanto, era de quase 37 euros – atraso no pagamento, taxas de envio, etcétera. Sinceramente? Deve ter custado a eles bem mais do que isso em horas de trabalho descobrir nosso paradeiro e enviar a carta. Nota 10 em esforço investigativo, zero em custo-benefício.

Mas essa eu pago, né? Caso contrário eles mandam a máfia em peso atrás de mim se eu um dia voltar a pôr meus Loubotins na Sicília.

(by the way, não tenho Loubotins; gasto meu dinheiro pagando multas de trânsito hiperfaturadas)

Lembro que voltei da Sicília meio puta (por vários fatores, incluindo cidades que pareciam estar apodrecendo a olhos vistos e onde nada funcionava) a ponto de gastar metade de um batom da MAC rabiscando um xingamento na parede de um banheiro em Siracusa – shame on me. Mas o fato é que a Sicília precisa de tempo para ser digerida e compreendida. E no fim das contas, as muitas pequenas coisas boas se sobrepõe em número e em impacto às poucas coisas ruins. E são essas pequenas coisas que me fazem ter saudade e me fazem querer retornar um dia, mais sábia para evitar as roubadas e mais paciente com o ritmo desacelerado da vida dessa gente tão orgulhosa da sua cultura.

O que me faz lembrar imediatamente do pequeno restaurante italiano em Londres, que tem sorte de contar com uma excelente cozinha, ótimo vinho e um garçom que, ao ser perguntado por um turista americano se ele era italiano, ergueu o nariz levemente indignado e respondeu, na lata: “no – i’m sicilian”.