Food talk

Arroz com ovo. Farofa. Cachorro quente de carrocinha, carregado no molho. Sacolé. Vitamina de abacate grossinha e doce. Feijão com farinha. Carne seca com abóbora. Churrasquinho de asa, devidamente assado na laje do cafofo recém erguido na comunidade, forró ao fundo. Se tiver “pão de alho” assando junto, melhor. Feijoada gorda. Pudim de leite. Caipirinha azeda, porque afinal limão é mais barato que cachaça. Contini (o primo pobre do Martini Bianco) com coca cola. Sorvete/sacolé fabricado em fundos de quintal e vendido em carrocinhas. Pipoca salgada com pedaços de “bacon”. Pipoca do saquinho rosa. Imitação de chee-tos a 30 centavos, saco transparente, na barraquinha. Galetão de domingo. “Salada de legumes” (uma batata, uma cenoura, 1kg de maionese). Molho à campanha (?). Macarrão com salsicha.

Geralmente os pratos mais saborosos e característicos da culinária regional de vários países são, exatamente, “peasant food”, a boa e velha “comida de peão”. Num pé-sujo na Rue du Rivoli, peço essa tigela de cassoulet quentinho por seis euros, com direito a uma taça de vinho:

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Isso me lembra a história de uma pessoa a quem, durante um almoço de família no interior da França, foi servida uma fatia de queijo. Quando ela levantou o queijo do prato percebeu uns pedacinhos caindo de volta. Under closer inspection, a constatação: não eram pedaços de queijo – eram VERMES. Ela deixou cair no chão, horrorizada. Os vermezinhos saíram se arrastando para todos os lados e, enquanto ela cogitava se seria muito deseducado subir na cadeira e começar a gritar, o anfitrião deu a volta em torno da mesa, pegou o queijo, cheirou, examinou os vermes, raspou o restante com uma faca e pôs o queijo de volta no prato. “Pode comer, não está estragado… Os vermes vêm atraídos pelo c-heiro, eles também sabem o que é bom”. A mesa inteira caiu na risada enquanto a moça cogitava se seria muito deseducado enfiar a mão na cara do francês ou fazê-lo comer os vermes.

Ok, isso me lembra uma outra história. Dessa vez envolvendo meu finado sogro, que era engenheiro eletrônico da BBC e famoso pela falta de tato/não dar a mínima. Foi convidado para um jantar em casa de amigos na França, um casal que tinha vinhedos e orgulho do que produziam. Para o jantar, tiraram do fundo da adega um tinto de ótima safra. Fred dá o primeiro gole e a francesada na expectativa, esperando os elogios. Sogrão bota a taça na mesa, passa a mão no açucareiro e joga uma PÁ de açúcar dentro do vinho, dá uma boa mexida e bebe. E diz “Agora sim”. Segundo relatos a cara da sogrinha só não foi parar na China porque tinha o chão no meio do caminho, mas dava pra cortar com faca de rocambole o silêncio que se abateu sobre a sala.

E provando mais uma vez que a gente pode tirar a pessoa do subúrbio mas não tira o subúrbio da pessoa… Férias no sul da Itália, sentar num boteco e pedir “arancini + peroni”, o famoso equivalente siciliano da “coxinha + skol”.

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Arancini leva arroz no lugar da massa e recheio de tomates e queijo derretido (ou carne). E ainda tive direito a um casal de cariocas falando português na mesa ao lado.

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