Sicília, primeira parada; Catania e Acireale.

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Sente-se num bar qualquer na Sicília, peça um drink e observe em tempo real o milagre da multiplicação dos antipastos. EU SÓ PEDI UMA CERVEJA. Juro que nada tenho nada a ver com essas quatro tigelas de comida + esse copo cheio de água suja e legumes secos plantados nela (crudité? tá de zoação). O bar em questão se chamava “Café de Paris”, ficava na orla da cidade de Catania e servia uns sorvetes, digamos assim, arquitetônicos de tão complicados e cheios de coisas desconhecidas equilibrando-se em cima. Pensei em pedir um, para fins de pesquisa cultural – mas infelizmente eu não podia me empanturrar. Estavamos ali fazendo hora para o jantar. Que iria ser degustado num restaurante ali perto, mas que só abriria às oito da noite.

Um dos pequenos probleminhas da itália, aliás. Eles realmente esperam que voce faça uma refeiçao completa, composta de antipasto (entradas frias ou quentes), primo piatto (macarrao), secondo (carnes, aves ou peixes), contorno (legumes e verduras) e dolci (sobremesa), começando as OITO da noite, esticando-se ate quase as dez e tem a petulancia de esperar que voce consiga dormir.

E olha que eu nem comi o tal do dolci, hein.

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A pousada em Acireale era uma gracinha. Chama-se Il Limoneto e é um desses “agriturismos” que proliferam por toda a Sicilia – uma fazenda que resolve alugar quartos. A nossa cultivava limões. Eu nem vou tentar descrever a sensação de acordar pela manha, abrir a janela e me deparar com um tapete verdissimo de limoeiros estendido à minha frente. Realmente lindo.

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O que eu vou tentar descrever foi o sufoco ate chegarmos lá. Desembarcamos no aeroporto de Catania quase dez da noite, já que a TUI resolver nos presentear com um atraso de OITO HORAS em hannover, onde não podíamos sequer sair do aeroporto “no caso de o voo conseguir sair antes do previsto”. Ok. Desnecessario dizer que o voo atrasou TODAS as oito horas previstas, que eu tive que passar oito horas num aeroporto de merda onde não há NADA para se fazer e que o sol brilhava lá fora: vinte e oito graus de primavera germânica.

Mentalizei uma morte lenta e dolorosa para todos os funcionarios da TUI e só acalmei quando a própria convidou os passageiros do vôo atrasado para um almoço cortesia, num dos salões do hotel do aeroporto, com vinhos e cervejas e bebidinhas e tudo o mais de grátis. E ainda dois vouchers para gastar com comida no aeroporto (não foi necessário) ou tralhas da free shop (troquei por um pingente de coração Swarovski, a unica coisa que custava o exato valor dos dois vouchers combinados; eles não dão troco).

E toca brincar com o zoom da camera pra fazer a hora passar… zzzzzzz…

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A chegada na Itália foi assim, meio que um anticlimax. ESTAVA FRIO. Eu saio de Jersey num sabado de sol maravilhoso, pessoas bebericando em frente à praia, vinte e seis graus. chego em Hannover e passo uma semana ensolarada, temperatura media de 25 graus. E aí resolvo ir pro SUL DA ITALIA e, depois de quase um mês de expectativa, está CHOVENDO? Eu joguei pedra na cruz??

Quarenta minutos depois, conseguimos pegar o carro na locadora de veiculos (ah, a eficiencia italiana…) e tocamos pra Acireale. O dilúvio versão remix caindo. na metade do caminho, no meio de uma auto estrada, o blackberry do respectivo toca. Era o pessoal da locadora de veículos, pedindo para que voltássemos na mesma hora, porque eles haviam nos dado o carro ERRADO (uma porcaria de um Lancia enorme e ruim de manobrar).

É claro que, mais da metade do caminho percorrido, e estando numa auto estrada, e chovendo gatos, cachorros, canivetes e macarrão parafuso, não voltaríamos NEM FODENDO. E é claro que os pentelhos da locadora continuaram ligando de cinco em cinco minutos, berrando “where are you” com sotaque siciliano, perturbando o motorista e quase causando um acidente. É claro que, por causa disso, Respectivo tomou o caminho errado e nos fez ir parar dentro de uma, erm… favela?

É claro que eu, carioca escaldada, paniquei histericamente imaginando que a qualquer momento um mafioso ia pular na frente do carro, AK-47 em punho, nos mandando descer e berrando o equivalente a “perdeu, prêibói” em italiano. É claro que nada disso aconteceu; só demorou um pouco mais para acharmos a maldita entrada para a fazenda, passando por um monte de ruas escuras sem calçamento e com mato por todos os lados. É impressionante como nessas horas a gente relembra rapidinho as orações que aprendeu nas aulas de catecismo, uns 20 anos atrás. Mas mesmo sendo obrigados a estacionar o carro longe do quarto e caminhar pela lama carregando malas pesadas na chuva (ai, a minha escova!), chegar lá valeu a pena.

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Se o tempo estivesse bom, daria até pra ver o mar direito… E o vulcão Etna fumegando ali atrás.

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Mas ó, taí um pedaço dele. Tó.

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