Happy.

E então hoje eu passei bem longe daquele ponto-de-ônibus que me leva direto pra onde o demônio perdeu as botas e acabou ficando. Ou seja, não fui trabalhar. Tivemos festinha do pijama ontem, dancei a madrugada inteira e o meu melhor amigo baixou centenas de arquivos de musiquinha de karaokê e eu e ele e a T. e a S. cantamos all night long, e eu descobri que a minha voz cantando dancing queen do abba fica até ok e por isso decidi que terei uma banda cover do abba amanhã.

E hoje fomos à padaria de bicicleta comprar coisas e na volta a chuva despencou inesperada e voltamos pra casa rindo, tentando em vão proteger as coisas dentro das sacolas e descobrimos que descer ladeira de bicicleta na chuva é a melhor coisa ever, melhor até que pão crocante e quentinho com manteiga. Ok, talvez não melhor que pão crocante e quentinho com manteiga. Mas é bom.

E eu cheguei em casa com o cabelo grudado na cara e fizemos mil e quinhentas fotos que ele pediu pra não postar em fotolog nenhum, nunca, porque seriam só nossas pra toda a eternidade e riríamos dela até que as deletássemos – porque nada é eterno, porque sim, elas ficaram horríveis, estava escuro e o flash estraga tudo mas não, elas ficaram lindas porque a S. disse que eu tenho cabeça de alienígena mas olhos de rainha egípcia, e então eu sorri e ele fotografou a felicidade. Assim mesmo, com flash e no escuro. E eu vi que a felicidade até que é jeitosinha.

E agora eles estão na cozinha gritando e cantando dance music dos anos 90 enquanto fazem rabanada e pudim de pão (com o pão que molhou na chuva). Uma festa pra mim, porque eu estava triste e porque não indo trabalhar hoje eu perdi o happy hour da empresa. No remorse. Eu não queria mesmo ser um peixe fora d’água lá se o meu cardume está aqui.

Comi um prato de nuggets com batata frita e arroz papa e caldinho de feijão e fiquei tonta porque meu corpo estranhou. Me pesei na balança da farmácia ao lado da padaria e ela mostrou dois quilos e 300 gramas a menos. Estou com uma vontade incrível de beber vinho branco gelado mas ele não deixa porque sabe que vou passar mal. Mas me trafica copinhos de amaretto por debaixo da mesa and this is why he’s my friend.

E amanhã eu DEVO estar em casa. Tenho tanta coisa para fazer que minha cabeça dói. Mas tem também as estrelinhas no teto do quarto, e eu sei que elas sentem a minha falta.

Eu nem sei por que escrever tudo isso. Eu nem estou tão feliz assim, estou talvez exagerando artificialmente uma sensação que talvez seja só alívio. Mas ainda assim essa mentira benigna que estou contando a mim mesma é melhor do que Prozac. E agora eu vou lá na cozinha sentar na mesa e amá-los com os olhos enquanto eles cumprem, aos risos e sem cobranças, a boa ação do ano: me fazer sentir um pouquinho só menos “unlovable”.

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