Oh, what a night.

Eu não sou uma boa menina. Subi quase uma hora de morro rodopiando por entre becos e pulando poças de esgoto para chegar ao terreiro, digo, ao galpão do Salgueiro para um autêntico baile fânque carioca. Foi preciso guia local para que a gente achasse. Seguir o barulho não bastou.

Confesso que dancei e que ri. Funk proibidão não toca nas rádios. Mas toca lá. E as letras são de um brilhantismo ímpar. E achei bastante interessante, do ponto de vista sociológico, ter me deparado com inúmeros cidadãos sem camisa, dançando com AR-15 pendurados nos ombros. Chato só ter tomado uma coronhada, de bobeira, coisa assim “sem querer”, acidental – mas doeu e abriu uma pequenina brecha na minha testa.

MATADOR: Aí, foi mal…
Eu: Tem erro não, foi acidente.
MATADOR: É, tá vendo?…

E eu ia falar O QUÊ?

Bebi gummy de váááários sabores, comi churrasquinho (linguiça é mais seguro, o risco de o churrasco “miar” é menor), caipivódega, ouvi elogios à minha bunda e ao meu cabelo, fui chamada de “princesa” e outras coisas que a) eu não entendi ou b) prefiro fingir que não entendi. Não dei beijo na boca, though.

Amanhã eu não sei se volto lá, ou se vamos pra Vila Mimosa beber ou se vou com o J. pra um baile funk de rua no subúrbio onde ele será DJ. Os traficantes pagam 200 pratas pra quem fizer o serviço até o fim do baile lá pelas três, quatro da manhã. Pode rolar tiroteiro? É lógico. Aliás, estranho se não rolar. Mas do jeito que o Rio anda, daqui a breve tem tiroteios até dentro de Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.

E, sem querer desmerecer a crença alheia, o baile funk é bem mais legal.

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