I can’t deal with the other face

Saco de feriado.
Acabei não indo ao shopping. Meu pai estava lavando sei lá o quê no quintal e não quis ir. E como eu estava sem um puto no bolso (o salário, obviamente, já fora todo enfiado no cu do capitalismo), fui obrigada a engolir minhas panquecas e ir pra casa do F. em busca de algum filme pra ver.

Ele estava lá, às voltas com uns amiguinhos escrotos da Barra da Tijuca. O bairro que deve concentrar a maior quantidade de imbecis por metro quadrado do Rio de Janeiro. Os tais amigos eram de fato um amor. Um casal de plínios com titica na cabeça. A menina querendo pagar de rebelde pros índios da baixada fluminense (eu e o F., implicitamente), dizendo que descoloria os pêlos da xana no terraço de casa para ficar “tudo loiro igual ao cabelo” Sim, ela tem 15 anos. O menino parecia um idiota inofensivo, mas ficava olhando tudo com cara de bunda.

Quando estávamos na calçada um mané passou vendendo salame roubado (da sadia… 12 reais no mercado, 5 pratas na mão dele), e os dois se achando Os Subversivos decidiram comprar. Depois fizeram as piadinhas toscas de praxe, comparando o salame a… Está cada vez menos divertido aturar amadores.

Depois que eles foram embora eu e o F. fomos para a cozinha fazer uns sanduíches com o NOSSO salame, e o pai dele passa e dispara: “mas você está ficando gostosa, hein, menina… está fazendo musculação?”. Halp. Fiquei sem graça (coisa rara). E sem vontade de ficar ali. Pensando bem, em qualquer outro lugar, não seria diferente – acho que estou sem vontade de existir.

Estou me desinteressando das pessoas. Eu percebia que era recíproco, achava que a culpa era minha – e É, de certa forma. Na verdade, o meu desinteresse por elas é tanto que elas o lêem na minha testa e se afastam. E eu desisti de fingir, de abusar minha vontade e deixar que um sorriso falso rasgue a minha cara como se aberto a navalha, para forjar uma simpatia que esconda minha total e absoluta falta de interesse.

Não é animosidade. Nem antipatia. Essas coisas são AÇÕES, e meu estado de inércia em relação à raça humana é tamanho que caí numa apatia sonolenta, sou incapaz de odiá-los porque isso iria me dar trabalho. Não movo um músculo. Uma palha. Um dedo. O esforço só me é possível para, a custo, acenar adeus.

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